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News Standard

Ministro da Educação na inauguração da exibição 8 Best of: Momentos do Desporto

No dia 19 de novembro, foi inaugurada uma nova exibição dedicada aos oito melhores momentos do desporto nacional, resultante de uma votação online conduzida pelo jornal Record. Marcou presença o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, o campeão olímpico Carlos Lopes e a filha de Eusébio Ferreira, Sandra Ferreira.

Em 2001, lançou O Poder Corporativo Contra a Informação.

Três anos depois, seguiu-se Nuvem de Chumbo. O Processo Casa Pia na Imprensa, com Nuno Ivo.

A sua tese de mestrado, intitulada O Detetive historiador. O jornalismo de investigação e a sua ética, estava em fase de publicação.

8 Best Of: Momentos do Desporto

São 8 os momentos do Desporto que mais marcaram os portugueses. Em parceria com o jornal Record, os portugueses votaram online entre 50 conquistas individuais ou coletivas, de equipas ou seleções nacionais, de modalidades como o futebol, o atletismo, o judo ou o hóquei em patins.

O golo de Eder no Euro 2016, as vitórias de Rosa Mota e Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos de 1988 e 1984 ou a conquista do título de campeão do mundo de Ciclismo por Rui Costa, em 2013, são alguns dos êxitos mais relevantes dos atletas e clubes portugueses que figuram neste Best of, contados em formato audiovisual e pela voz dos próprios jornalistas que fizeram a cobertura mediática.

Golo de Eder / Vitória Euro 2016 (2016)

Rosa Mota Campeã Olímpica (1988)

Carlos Lopes Campeão Olímpico (1984)

Portugal Bicampeão do Mundo Sub-20 futebol (1991)

Benfica vence a Taça dos Campeões Europeus de Futebol (1961)

Nelson Évora Campeão Olímpico Triplo Salto (2008)

Eusébio marca 4 golos à Coreia do Norte e Portugal chega às meias-finais do mundial de futebol (1966)

Rui Costa, Campeão do Mundo de Ciclismo (2013)

São 8 os momentos do Desporto que mais marcaram os portugueses. Em parceria com o jornal Record, os portugueses votaram online entre 50 conquistas individuais ou coletivas, de equipas ou seleções nacionais, de modalidades como o futebol, o atletismo, o judo ou o hóquei em patins.

Ministro da Educação vive a experiência do NewsMuseum

Tiago Brandão Rodrigues marcou presença na inauguração da exibição, cuja importância destacou, recordando que viveu com alegria a notícia das vitórias ali assinaladas, e aproveitou para conhecer o NewsMuseum.

O Ministro da Educação passou pelas várias salas do NewsMuseum, acompanhado pela direção da Associação Acta Diurna, e pôde inclusivamente viver a experiência da Realidade Virtual, que o transportou para o futuro dos Media em 2046.

Cumprimentou ainda os alunos do 3.º ano do Curso de Técnico de Desporto da Escola Secundária Leal da Câmara (Sintra), que estavam em visita guiada, no âmbito dos Serviços Educativos do NewsMuseum.

NewsMuseum inaugura exibição dedicada aos melhores momentos do Desporto

O NewsMuseum tem uma nova exibição dedicada aos melhores momentos do Desporto em Portugal. Desde o dia 19 de novembro, o museu dos Media e da Comunicação mais interativo da Europa inclui no seu roteiro uma apresentação dos oito momentos do Desporto que mais marcaram os portugueses, no seguimento de uma votação online conduzida pelo jornal Record, que se associa ao projeto.

Foram selecionadas 50 conquistas individuais ou coletivas, de equipas ou seleções nacionais, de modalidades como o futebol, o atletismo, o judo ou o hóquei em patins. Os internautas votaram e as escolhas finais serão agora expostas e contadas no NewsMuseum.

O golo de Eder no Euro 2016, as vitórias de Rosa Mota e Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos de 1988 e 1984 ou a conquista do título de campeão do mundo de Ciclismo por Rui Costa, em 2013, são alguns dos êxitos mais relevantes dos atletas e clubes portugueses que figuram neste Best of, contados em formato audiovisual e pela voz dos próprios jornalistas que fizeram a cobertura mediática.

No momento de inauguração da exibição marcaram presença o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, bem como o campeão olímpico Carlos Lopes e a filha de Eusébio Ferreira, Sandra Ferreira.

Exposições temporárias

2019

OS DIAS DO FIM​​

Em 2019, o Expresso fez as contas e descobriu que em Portugal há 95 políticos a comentar nos media. E também descobrimos que neste país nasce uma Igreja por mês. “Em 15 anos, foram registadas 853 confissões religiosas. 97 surgiram nos últimos cinco anos.”

Com tanta religião, até um juiz desembargador se lembrou de citar a Bíblia num acórdão de violência doméstica. Neto de Moura usou o adultério “como pretexto para suspender a pena ao ex-marido e ao ex-amante de uma mulher que agrediram com uma moca com pregos” e escreveu: “O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal [de 1886] punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando a sua mulher em adultério, nesse ato a matasse.” Os políticos tiveram um ano cheio com eleições europeias e legislativas. Na corrida para o Parlamento Europeu, venceu o PS com 33,38%, tendo Pedro Marques a cabeça de lista. Em segundo lugar ficou o PSD, com 21,94%, que tinha apostado em Paulo Rangel. Foi o pior resultado de sempre do PSD a concorrer sozinho.

Nas legislativas, o PS teve 36,34%, e o PSD 27,76%. O PAN cresceu para quatro deputados, menos um que o CDS. Três dos pequenos partidos entraram pela primeira vez na Assembleia, elegendo um deputado cada: o Chega (André Ventura), a Iniciativa Liberal (João Cotrim de Figueiredo) e o Livre (Joacine Katar Moreira).

Na Cultura tivemos notícias de sumiços (“Desapareceram 170 obras da coleção de arte do Estado”) e de revelações (“A joia da coroa da coleção privada da família Espírito Santo, ‘Festa de Casamento’, de Pieter Bruegel, o Jovem, foi entregue ao Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora. Avaliada em quatro milhões de euros, a obra-prima do pintor flamengo integra o espólio do Novo Banco”).

Entre as personalidades desaparecidas nesse ano contam- -se Agustina Bessa-Luís, João Gilberto, Alexandre Soares dos Santos, Freitas do Amaral, Karl Lagerfeld, Agnès Varda, Augusto Cid, Niki Lauda, Franco Zeffirelli, Robert Mugabe, Jacques Chirac, Roberto Leal, Harold Bloom, José Mário Branco…

O mundo continuou a não ser um bom lugar. Os incêndios florestais na Amazónia foram tão graves que levaram a uma reação da comunidade internacional. Entre janeiro e agosto arderam mais de 906 mil hectares, em grande medida devido ao aumento das queimadas para desmatar a floresta e implementar pastos. O fumo escureceu o céu de São Paulo, a 2700 km de distância.

Outro património da Humanidade que pegou fogo nesse ano foi a catedral de Notre-Dame de Paris. Salvou-se a estrutura, perderam-se as partes em madeira e muito recheio foi fortemente afetado.

Com a Venezuela a passar pela pior crise da sua história, com 90% da população a viver na pobreza e todos os que podiam a tentarem fugir da fome para os países vizinhos, Juan Guaidó autoproclamou-se Presidente interino, tendo sido reconhecido pelos EUA e o Brasil, entre outros países, mas Nicolás Maduro conseguiu aguentar-se no poder.

Em Christchurch, na Nova Zelândia, um australiano de extrema-direita levou a cabo um atentado a tiro contra muçulmanos, matando 51 pessoas.

Eclodiram violentos protestos em Hong Kong contra uma lei de extradição que iria pôr em causa a autonomia da região relativamente à China.

Na Madeira, um acidente com um autocarro de turismo causou 29 mortos, a maioria alemães.

Jorge Jesus foi para o Brasil treinar o Flamengo e conseguiu vários títulos para o clube, entre os quais a Taça Libertadores, o que lançou uma moda de contratação de treinadores portugueses. Iker Casillas, guarda-redes do Futebol Clube do Porto, e internacional espanhol, sofreu um enfarte durante um treino. O jogador recuperaria, mas terminaria a carreira no ano seguinte.

Em 2019, Portugal foi visitado pela jovem ativista ambiental sueca Greta Thunberg (então com 16 anos), “o rosto do combate às alterações climáticas”. “Não me vejo como uma pop star”, disse ao Expresso, antes de apanhar o comboio para Madrid, onde decorria a cimeira global do clima. Acabou por ser a Figura do Ano da “Time”.

O Expresso fez um grande gesto pelo ambiente e a partir da edição de 5 de janeiro abandonou o saco de plástico, que acompanhava o jornal há 26 anos, e passou a ser distribuído num saco de papel.

 

2019

Newsletter de janeiro de 2019

Recorde os assuntos em destaque na newsletter de  janeiro de 2019.

Eventos NewsMuseum

Dezembro foi o mês escolhido por várias empresas para realizar encontros ou festas de Natal no NewsMuseum. Lançamentos de produtos e serviços, encontros de team building, reuniões ativas podem ser transformados numa moderna aventura mediática, onde (quase) tudo é touch. Cerca de 200 pessoas visitaram-nos neste mês no contexto de eventos corporativos.

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A Loja do NewsMuseum à distância de um clique

O NewsMuseum associa-se ao Portugal Museum Store e terá em breve à disposição do público um amplo conjunto de propostas que oferecem várias opções para todas as idades: livros; artigos de papelaria; acessórios e produtos têxteis.

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Programa de Literacia para Comunicadores NewsMuseum em parceria com a Philips

A Philips aliou-se ao NewsMuseum nesta iniciativa gratuita e de acesso livre que tem como principal objetivo auxiliar à compreensão das mais recentes inovações tecnológicas na área do tratamento hospitalar, diagnóstico e acompanhamento de doentes. Para que profissionais de comunicação e jornalistas melhor comuniquem ao público sobre a área da Saúde, o curso tem como objetivo dotá-los de conceitos e conteúdos pertinentes, mas também mostrar quais as tendências e inovações tecnológicas atuais de forma a melhor compreenderem o futuro da área.

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Artigo Poynter

I’ve reported on misinformation for more than a year. Here’s what I’ve learned

O termo fake news transformou-se numa poderosa arma a uma escala sem precedentes. O jornalista Daniel Funke passou mais de um ano a denunciar casos de desinformação. Foi insultado, enganado, mas retirou oito lições que partilha neste artigo sobre um dos temas mais falados da atualidade.

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Vi e Gostei

Mais um mês, mais visitantes satisfeitos. Desta vez, foi o Rodrigo Pérez Oliveira quem nos deixou o seu testemunho.

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Entrevista

ERIC NEPOMUCENO

Eric Nepomuceno estreou-se recentemente em Portugal com o livro de contos Bangladesh, talvez e outras histórias. Hoje, tem uma perspetiva desencantada sobre o jornalismo no Brasil e é na escrita que (re)encontra os territórios afetivos da memória.

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Luís Paixão Martins

Como a independência da edição custou uma fortuna a Murdoch

No Outono de 2014, Rupert Murdoch, o magnate dos Media, decidiu investir 125 milhões de dólares na Theranos, uma empresa californiana que prometia revolucionar o mercado das análises clínicas. A “startup” criada, meia dúzia de anos antes, por uma aluna da Universidade de Stanford tinha rapidamente ascendido ao estatuto de “unicórnio” e a sua promotora Elizabeth Holmes, jovem e sedutora, era o retrato de uma nova geração de empreendedoras acarinhada por políticos como o presidente Barak Obama.

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ERIC NEPOMUCENO

É um dos nomes mais conhecidos do jornalismo no Brasil e além-fronteiras como tradutor de alguns dos autores mais importantes da América Latina, como Julio Cortázar, Juan Rulfo, Gabriel García Márquez ou Eduardo Galeano.

É um dos nomes mais conhecidos do jornalismo no Brasil e além-fronteiras como tradutor de alguns dos autores mais importantes da América Latina, como Julio Cortázar, Juan Rulfo, Gabriel García Márquez ou Eduardo Galeano.

Como jornalista, viveu a ditadura do Brasil antes de se mudar para Buenos Aires. Aqui, conviveu e trabalhou com vários escritores que acabou por traduzir. Qual foi para si a fronteira entre o escritor e o jornalista?
Acredito piamente, como acreditavam outros – Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez e, mais radical ainda, porque não acreditava em limites e fronteiras literárias, Eduardo Galeano -, que o jornalismo é, sim, um género literário. A fronteira, então, está nas limitações que separam dois géneros de um mesmo ofício, que é o de escrever: na ficção, o único limite é escrever da melhor maneira possível, ou ao menos tentá-lo, de tal forma a que se chegue a contar uma mentira com tal fé que seja possível transformá-la, para o leitor, em verdade. No jornalismo, ou na literatura de não ficção, como o considero, as regras e barreiras são outros: urgência, espaço, objetividade, um ofício a ser inexoravelmente exercido no dia a dia. Não creio em jornalismo imparcial porque o ser humano não é imparcial. Se ao amanhecer pensa se usará ou não açúcar no café, já está escolhendo. Está sendo parcial. A vida é feita de escolhas, a vida não é imparcial. Na literatura de não ficção, o que importa e urge é ser objetivo. Na literatura de ficção – um conto, um romance – um único dado colhido da realidade poderá dar credibilidade a tudo que foi inventado a partir da memória ou da imaginação. Na de não ficção, o jornalismo, um único dado inventado pode pôr parede abaixo tudo que se viu, se constatou, tudo que ocorreu e existiu. Para mim, o único ofício que tenho – escrever – se divide em três vertentes: inventar mentiras a partir da memória e do vivido, tentando convencer o leitor de que tudo que lê realmente ocorreu, ou seja, a literatura de ficção; contar ao leitor o que vi, o que investiguei, ou seja, a de não ficção; e traduzir os amigos e livros que, de uma ou de outra forma, me instigaram. No fundo, o ofício é o mesmo: buscar a palavra exata.

Manifestou-se já publicamente, por diversas vezes, sobre a importância do jornalismo na História do Brasil. Como olha atualmente para o papel do jornalismo?
Com tristeza e com indignação. Ao menos em tudo aquilo que se refere aos meios tradicionais – revistas, jornais, rádio, televisão – em meu país o ofício do jornalismo desapareceu quando se transformou em profissão. Explico: ofício é aquilo que alguém faz para viver e, portanto, vive para fazer, ou não se sentirá vivo. Profissão é o que se faz para ter com o que viver. Meu país é o único que conheço que se reencontrou, bem ou mal, com a democracia, menos a imprensa. Não há diversidade de vozes, opiniões: o que existe é uma diversidade de ecos de uma mesma voz, a voz do sistema. Pertenço à última ou talvez das penúltimas – poucas – gerações de jornalistas brasileiros que exerciam seu ofício. Dos meus tempos, alguns se deixaram comprar – literalmente, comprar. Ou seja, venderam sua trajetória, seu passado, para pactuar com a manipulação. Os outros foram buscar novos meios de se expressar. Nossa democracia foi fragilizada, e de maneira tremenda, pelos meios de comunicação, que deixaram de informar e passaram a deformar. O golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff e abriu espaço para que uma quadrilha se apoderasse do país e resultou na eleição de um mentecapto, um energúmeno, teve na imprensa (e, por favor, não no jornalismo, que deixou de existir) um pilar fundamental. Nunca a manipulação foi tão escandalosa. O povo do meu país é desmemoriado, e foi – principalmente a classe média – idiotizado pelos meios de deformação, digo, comunicação…

Disse em entrevista: “Chorei de uivar ao traduzir a última página da biografia de Gabo”. Ter traduzido e privado com García Marquez foi marcante no seu percurso?
Tive o privilégio e a alegria de ter sido amigo dele. Mais que isso: nossas famílias foram e são amigas. Presto, carinhosamente, contas do que acontece comigo, com meu filho, à patriarca Mercedes, amiga querida. Quanto a lições, digo que nosso convívio longo, longo, foi uma lição de escrita, é verdade, mas muito mais foi uma lição de vida, uma dessas dádivas que a vida nos concede. Sim, há muitos, muitíssimos episódios dos quais me recordo. Peço licença, porém, para mantê-los comigo, até o dia em que me decida escrevê-los…

Quais os próximos projetos de publicação em Portugal?
Tenho um par deles. Fiquei muito contente com a publicação do meu livro de contos ‘Bangladesh, talvez e outras histórias’, em 2018, pela Porto Editoria. Espero que este 2019 me leve de volta a Portugal, com outro projeto que está em curso ou espero que esteja. E também todos os anos vindouros…

Como a independência da edição custou uma fortuna a Murdoch

No Outono de 2014, Rupert Murdoch, o magnate dos Media, decidiu investir 125 milhões de dólares na Theranos, uma empresa californiana que prometia revolucionar o mercado das análises clínicas.

No Outono de 2014, Rupert Murdoch, o magnate dos Media, decidiu investir 125 milhões de dólares na Theranos, uma empresa californiana que prometia revolucionar o mercado das análises clínicas.

A “startup” criada, meia dúzia de anos antes, por uma aluna da Universidade de Stanford tinha rapidamente ascendido ao estatuto de “unicórnio” e a sua promotora Elizabeth Holmes, jovem e sedutora, era o retrato de uma nova geração de empreendedoras acarinhada por políticos como o presidente Barak Obama. 

Murdoch ignorava que um jornalista da sua vasta folha salarial tinha já reunido informações para publicar uma série de reportagens que haveriam de destruir aquela companhia e o levaram a vender o seu pacote de ações, em Março de 2017, por 1 dólar simbólico. 

O jornalista John Carreyrou, que acaba de editar (na Picador) uma pormenorizada reportagem sobre os segredos e as mentiras da Theranos sob o título “Bad Blood”, relata que, enquanto a direção do Wall Street Journal e os seus juristas avaliavam as consequências jurídicas e financeiras da divulgação da reportagem, Murdoch foi abordado em três reuniões privadas pela empresária com o objetivo a que obstasse à sua publicação. 

Num desses contactos, escreve, Elizabeth Holmes “referiu-se à minha história, argumentando que as informações que eu tinha recolhido eram falsas, e que a mesma provocaria grandes prejuízos à Theranos no caso de ser editada”. “Murdoch, prossegue, objetou dizendo que acreditava nos editores do jornal para gerir o assunto com justiça”. 

Quando a publicação da primeira reportagem estava já em preparação, veio a promover uma quarta reunião no próprio edifício do WSJ, sendo que apenas 3 andares separavam Murdoch e Holmes da sala de redação onde se encontrava Carreyrou. “Ela voltou a abordar o problema da minha reportagem – escreve o jornalista -, desta vez com renovada urgência, na esperança de que Murdoch se oferecesse para a liquidar. Mais uma vez, apesar do investimento substancial que estava em causa, ele declinou qualquer intervenção”.

O investimento em causa era, de facto, o maior investimento individual de Murdoch fora do sector dos Media – embora fosse uma pequena fatia da sua fortuna de ativos avaliada em 12 mil milhões de dólares. 

Rupert Murdoch é, reputadamente, um dos empresários mais mal-amados da história do sistema mediático tradicional, mas esta história demonstra como esse sistema continua a reger-se por princípios superiores – nomeadamente o da independência e autonomia da Edição – apesar da concorrência dos mercados desregulados.

Ana Margarida de Carvalho

Ana Margarida de Carvalho licenciou-se em Direito, mas enveredou pela carreira do jornalismo onde foi assinando reportagens que lhe valeram dez dos mais prestigiados prémios do jornalismo. No currículo, conta com passagens pela SIC, Visão e Jornal de Letras.

O seu primeiro romance Que Importa a Fúria do Mar valeu-lhe o Grande Prémio de Romance e Novela APE em 2013 e o mais recente, Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato, foi considerado pela Sociedade Portuguesa de Autores livro do ano, em 2017

Licenciou-se em Direito, mas enveredou pela carreira do jornalismo onde foi assinando reportagens que lhe valeram dez dos mais prestigiados prémios do jornalismo. No currículo, conta com passagens pela SIC, Visão e Jornal de Letras.

São cada vez mais os jornalistas a converterem-se à literatura. Na prosa literária o que atrai o jornalista?

Não tenho ideia de que sejam cada vez mais. Camilo Castelo Branco era jornalista, Ferreira de Castro também ou José Rodrigues Miguéis. Claro que há jornalistas que se instalaram mais firmemente na ficção, como José Rodrigues dos Santos ou Rodrigo Guedes de Carvalho, como Inês Pedrosa ou Rui Cardoso Martins, como Alexandra Lucas Coelho ou Paulo Moura, e claro que o grande exemplo será sempre José Saramago. Mas apenas queria frisar que não me parece que seja uma tendência de agora. Dá-se o caso de, em ambos os ofícios, parte do material de trabalho ser a escrita. Mas o mesmo acontecerá na publicidade, na advocacia ou na diplomacia.   

Como alguém com formação em Direito, acredita que o jornalista deve ter uma formação complementar à do jornalismo?

Sim, acredito que ter uma formação académica é muito importante. Por exemplo, o Direito dá-nos uma espécie de disciplina de raciocínio, um método interior, uma lógica condutora.

Que caraterísticas deve o jornalista ter?

Saber reparar, saber ouvir, e não se deixar cair em deslumbramentos fáceis ou embarcar em clichés e frases feitas que de tão repetidas já não significam nada. 

Como perspetiva o panorama jornalístico português?

O grande problema é justamente a falta de perspectiva. Ninguém sabe, e o pior é que ninguém quer saber. O jornalismo português apenas se limita a tentar manter-se à tona, repetindo fórmulas estafadas e arcaicas, que outros órgãos de comunicação social estrangeiros já abandonaram. Toda a gente vê o fim à vista, mas preferem ignorá-lo e continuarem desesperadamente a fazer uma navegação à vista, a adornar segundo a vaga, sabendo-se que todo o paradigma de comunicação mudou com a internet e as redes sociais. É tal como Darwin dizia, não sobrevive o mais forte, mas aquele que têm maior capacidade de se adaptar. O jornalismo português mostrou ser muito conservador, muito pouco flexível, muito incapaz de prever as situações futuras. Além de ter uma linha geral de chefias muito fraca, em termos intelectuais e até cognitivos. A falta de talento generalizada é aflitiva, a banalidade também. E agora é tarde, resta escrever-lhe o livro de condolências. 

O Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo-Verde visitou o NewsMuseum

Foi com a maior honra que o NewsMuseum recebeu a vista de Sua Excelência, o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo-Verde, Abraão Aníbal Barbosa Vicente.

Foi com a maior honra que o NewsMuseum recebeu a vista de Sua Excelência, o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo-Verde, Abraão Aníbal Barbosa Vicente.  O Sr. Ministro aproveitou a sua recente visita oficial ao nosso país para se deslocar à mais avançada experiência multimédia da Europa

Um grupo académico por dia

Monitorizo com curiosidade os dados de atividade do nosso NewsMuseum relativos a Outubro e constato, com satisfação, uma forte tendência de crescimento do número de visitantes.

Monitorizo com curiosidade os dados de atividade do nosso NewsMuseum relativos a Outubro e constato, com satisfação, uma forte tendência de crescimento do número de visitantes.

De facto, no passado mês tivemos mais 54,4% de visitantes que em igual período do ano passado. Destaca-se a componente de “grupos” – 22 visitas de grupos, ou seja, praticamente 1 grupo por cada dia de semana. Nos fins-de-semana, mais propensos às visitas individuais, recebemos curiosos dos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil.

O NewsMuseum não é, naturalmente, um equipamento popular, que atrai muita gente, que registe enchentes. É um espaço que interessa apenas a alguns – alguns que querem conhecer melhor os principais episódios da história recente e, neste contexto, qual o papel desempenhado pelos Media. Mas, a par da formação, proporciona experiências de entretenimento inteligente – como fazer uma “pivotagem” de TV (com teleponto e tudo), uma locução de Rádio, uma “viagem” aventurosa em realidade virtual.

Por isso é tão procurado por grupos em ações de formação, quer a nível do sistema de ensino tradicional quer no âmbito de variadas iniciativas pontuais.

O êxito relativo do NewsMuseum junto dessas comunidades, que, como atestam os números, está a cimentar-se com a passagem do tempo, leva-nos a avançar, já no próximo ano, para um novo passo na “carreira” do nosso equipamento – a concretização da ideia de trazer o museu para fora de seu belo edifício da Vila de Sintra.

Em breve teremos notícias sobre um reforço da animação virtual dos nossos conteúdos.