MEDIA AGE EXPERIENCE
"INESPERADO, INTELIGENTE E DIVERTIDO"

News Standard

Tiago Salazar

Escritor, jornalista, viajante profissional, Tiago Salazar é um motorista acidental. Conhece hoje Lisboa e as suas personagens como poucos, mas, no fim do dia a dirigir um tuk-tuk acaba sempre a falar de jornalismo, viagens e literatura. Por isso, escreveu o livro de crónicas O Moturista Acidental. Enquanto isso, a Escada de Istambul, o seu primeiro romance, representou Portugal em Chambéry.

Escritor, jornalista, viajante profissional, Tiago Salazar é um motorista acidental. Conhece hoje Lisboa e as suas personagens como poucos, mas, no fim do dia a dirigir um tuk-tuk acaba sempre a falar de jornalismo, viagens e literatura. Por isso, escreveu o livro de crónicas O Moturista Acidental. Enquanto isso, a Escada de Istambul, o seu primeiro romance, representou Portugal em Chambéry.

Escritor, jornalista, viajante e motorista de tuk-tuks. Como é que a escrita se cruza e inspira a viagem?

A escrita está em toda a parte. Há um lado da escrita que pede vida. Não há como escrever sem a vida, sem a rua e sem a experiência. Embora admire muito alguns escritores que escrevem por pura imaginação. Julgo que talvez tenha sido o jornalismo que me fez assim. Para mim, a escrita é a realidade. Mesmo que a realidade seja por vezes deformada pela visão deturpada das coisas. Mas evito ao máximo o erro.

No seu último livro, “O Moturista Acidental”, partilha crónicas com um caráter muito cinematográfico. Este é um género jornalístico de que gosta particularmente?

Gosto muito da crónica e da escrita do dia-a-dia, do imediato. Para mim, este género de escrita é o que considero ser mais autêntico. Faço isso seja numa rede social, seja num email ou numa crónica. Gosto do instinto da escrita, de tudo o que seja imediato. Não me vejo como um maratonista da escrita, até porque escrevo sempre primeiro contos e só depois os romances. Este livro nasceu de uma experiência real, na rua, a guiar. Podia ter feito isto num sapateiro, por exemplo, como fez o Daniel Day-Lewis, em Florença, ou podia ter ido treinar boxe como fez o Belarmino. No meu caso, fui para a rua experimentar a profissão de chauffeur, mas sem praça. Isto porque os tuk-tuks não têm praça, são a chamada terra de ninguém. O que não significa que o ofício de condutor não tenha um lado digno, sério e nobre. No fundo, passear alguém é um ato de generosidade, de embaixada. Claro que só me predispus a fazer isto para escrever crónicas. Tenho orgulho na minha cidade, e tenho como grande referência o José Cardoso Pires. Lisboa Livro de Bordo foi o livro que me inspirou a escrever O ‘Moturista’ Acidental.

Apesar de se dedicar sobretudo à escrita, o jornalismo é a sua formação base. Qual a fronteira entre ambos?

Não gosto de fronteiras. Gosto de caminhos abertos e desimpedidos. Escrever é um ato em maiúscula. Não há uma escrita menor porque não há menor importância quando se escreve uma carta, uma crónica ou romance. Falo do respeito pelos interlocutores porque quem lê tem de ser respeitado.

Quando percebeu que era a altura certa para começar a escrever sobre viagens?

A escrita de viagens aconteceu naturalmente no contexto do chamado jornalismo de viagens. Não foi uma opção. Acho que o que aconteceu foi que desde o primeiro ano de jornalismo fui parar à escrita de viagens. Tenho um grande amor pelas línguas. Apesar de não ter estudado literaturas, sempre estive próximo das línguas devido a minha formação em Relações Internacionais.

Quais são os próximos projetos?

No seguimento do Moturista Acidental (A23 Edições), segundo livro de crónicas que edito com esta chancela, estou agora envolvido num programa de televisão inspirado no livro. O programa será apresentado no início do próximo ano, dividido em seis episódios por Lisboa. Richard Zimler, Ricardo Ribeiro, José Manuel Fajardo, Camané, Esther Mucznik, Madona…

Newsletter de novembro de 2018

Recorde os assuntos em destaque na newsletter de novembro de 2018.

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Cerca de 600 alunos visitaram-nos em outubro

Durante o mês de outubro, cerca de 600 alunos de vários graus de ensino visitaram o NewsMuseum. Propomo-nos a oferecer aos estudantes que nos visitam uma viagem multimédia pelos últimos 100 anos de história, através do olhar dos media.

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Conferência Comunicação Social na Era das Redes Sociais

Rodrigo Moita de Deus, diretor do NewsMuseum, participou, no dia 25 de outubro, juntamente com Fernanda Bonacho e Pedro Figueiredo, numa conferência promovida pela Câmara Municipal de Sintra’. A sessão, que teve como mote ‘Comunicação Social na Era das Redes Sociais’,  focou-se nos social media e fake news. Os oradores defenderam que todos podemos produzir informação, mas nem todos podemos produzir notícias.

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Programa de Literacia para Comunicadores NewsMuseum, em parceria com a Philips

A Philips aliou-se ao NewsMuseum nesta iniciativa gratuita e de acesso livre que tem como principal objetivo auxiliar à compreensão das mais recentes inovações tecnológicas na área do tratamento hospitalar, diagnóstico e acompanhamento de doentes. Para que profissionais de comunicação e jornalistas melhor comuniquem ao público sobre a área da Saúde, o curso tem como objetivo dotá-los de conceitos e conteúdos pertinentes, mas também mostrar quais as tendências e inovações tecnológicas atuais de forma a melhor compreenderem o futuro da área.

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Taking the leap: Why I’m leaving TV news after 24 years

Num país profundamente dividido por linhas políticas, onde os meios de comunicação social são, por alguns, vistos como entrave à verdade, é o jornalista de campo que sofre. Descubra porque, após 24 anos, Lori Bentley Law abandona a NBC.

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VI E GOSTEI

MAIS UM MÊS, MAIS VISITANTES SATISFEITOS. DESTA VEZ, FOI ANA SANTOS QUEM NOS DEIXOU O SEU TESTEMUNHO.

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ENTREVISTA

Escritor, jornalista, viajante profissional, Tiago Salazar é um motorista acidental. Conhece hoje Lisboa e as suas personagens como poucos, mas, no fim do dia a dirigir um tuk-tuk acaba sempre a falar de jornalismo, viagens e literatura. Por isso, escreveu o livro de crónicas O Moturista Acidental. Enquanto isso, a Escada de Istambul, o seu primeiro romance, representou Portugal em Chambéry.

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LUÍS PAIXÃO MARTINS
Um grupo académico por dia

Monitorizo com curiosidade os dados de atividade do nosso NewsMuseum relativos a Outubro e constato, com satisfação, uma forte tendência de crescimento do número de visitantes.

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Conferência Comunicação Social na Era das Redes Sociais

O diretor do NewsMuseum, Rodrigo Moita de Deus, participou na conferência Comunicação Social na Era das Redes Sociais.

O diretor do NewsMuseum, Rodrigo Moita de Deus, participou na conferência Comunicação Social na Era das Redes Sociais.

Rodrigo Moita de Deus, Fernanda Bonacho, professora da Escola Superior de Comunicação Social e o jornalista Pedro Figueiredo participaram no dia 25 de outubro na conferência “Comunicação Social na Era das Redes Sociais” promovida pela Camâra Municipal de Sintra.

Numa sessão que se focou principalmente nas formas como as redes sociais, nos atiraram para um  mundo global onde o público produz os seus próprios conteúdos, a delimitação de público é muito mais segmentada e é preciso ser mais específico e direto, os oradores defenderam que todos podemos produzir informação, mas nem todos podemos produzir notícias

 

Renovar o interesse da Escola Pública

Estamos no início de um ano escolar e, como sucede desde que o NewsMuseum abriu as suas portas, tal produz um novo ciclo da vida, rotineira mas intensa, do nosso equipamento.

Estamos no início de um ano escolar e, como sucede desde que o NewsMuseum abriu as suas portas, tal produz um novo ciclo da vida, rotineira mas intensa, do nosso equipamento.

Mais de metade dos nossos visitantes chegam em grupos organizados pelas suas escolas.

São, na esmagadora maioria, jovens de idades muito variadas, que frequentam o ensino secundário ou o universitário ou escolas profissionais, mas, para comprovar que a juventude é um estado de espírito, também registamos muitas visitas de jovens de associações da 3ª idade.

Trata-se de um indicador que me deixa bastante feliz porque, desde que o projeto começou a ser esboçado pela equipa, sempre nos pareceu que a experiência do NewsMuseum se destinaria, prioritariamente, àqueles que aqui procuram conhecimento – informação, imersão – sobre o sistema mediático – e sobre os episódios das últimas décadas na forma como foram narrados pelos Media.

Há, no entanto, um dado estatístico que ensombra esta análise: infelizmente a percentagem de visitantes escolares provenientes do ensino privado sobrepõe-se à daqueles oriundos do ensino público. E este dado é tanto mais surpreendente quando sabemos que este último tem uma representatividade muito superior.

Por isso decidimos, mais uma vez, tomar medidas promocionais e institucionais que visam reforçar o número de jovens visitantes que frequentam o ensino público, em especial do concelho de Sintra e dos seus vizinhos (Amadora, Cascais, Lisboa, Oeiras, Mafra), que constituem uma sub-região do nosso país com elevadíssima população escolar.

Não se trata, naturalmente, de um programa cujos resultados decorram exclusivamente da nossa vontade, mas sei que vamos ter, de novo, como ponto de partida o interesse de outras entidades, como o Ministério da Educação, as Câmaras Municipais e os Agrupamentos Escolares, que nos queiram acompanhar neste desígnio.

E, como não poderia deixar de ser, contamos com o entusiasmo da jovem equipa do NewsMuseum.

Pedro Andersson

Pedro Andersson licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior antes de enveredar por uma carreira jornalística, primeiro na TSF, e posteriormente na SIC que o convidou aquando da fundação da SIC Notícias. Acaba de editar o livro Contas Poupança – Poupe ainda mais, invista melhor baseado na rúbrica líder de audiências que mantém no Jornal da Noite da SIC.

Pedro Andersson licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior antes de enveredar por uma carreira jornalística, primeiro na TSF, e posteriormente na SIC que o convidou aquando da fundação da SIC Notícias. Acaba de editar o livro Contas Poupança – Poupe ainda mais, invista melhor baseado na rúbrica líder de audiências que mantém no Jornal da Noite da SIC.

Onde iniciou a carreira?

Ainda no Ensino Secundário, entrei pela primeira vez numa rádio local (Rádio Clube da Covilhã) para assistir a um programa de discos pedidos realizado por uma colega de turma. Entrei, sentei-me na redação e meti conversa com os jornalistas que lá estavam. Perguntei se podia experimentar escrever uma notícia como eles. Deixaram. Nunca mais parei. Decidi nesse dia que queria ser jornalista. Licenciei-me em Comunicação Social, fiz estágio curricular na TSF. Fui convidado a ficar. Anos mais tarde fui convidado a fazer parte do projeto inicial da SIC Notícias e estou na SIC até hoje. 

Na sua opinião qual é a importância de rúbricas com o Contas-Poupança, que mais do que informar têm uma aplicabilidade direta ao quotidiano do público?

Acho que são uma parte importante do jornalismo de hoje. A atualidade continua a ser primordial, mas acredito que as pessoas querem cada vez mais perceber em que é que uma notícia é util para a vida delas. De que forma é que um imposto tem impacto no seu orçamento mensal? Qual é a relevância de uma negociação sobre o mercado ibérico de eletricidade na sua fatura da luz? Chamo a este conceito “News you can use”, ou seja, notícias que são importantes para o nosso dia a dia. Que nos fazem parar para escutar e até voltar atrás na box para perceber ainda melhor, ou a página que recortamos da revista ou do jornal para ler mais tarde. Acho que essa vertente ainda não tem muita relevância no jornalismo em Portugal. Damos notícias demasiado pela rama e não perguntamos para cada notícia: “Como é que isto afeta a vida das pessoas e como é que elas podem usar esta informação para melhorar a vida delas?”.

Acredita numa função de serviço público do jornalismo?

Claro! Aliás, não consigo conceber o jornalismo de outra forma. O jornalismo em si é um serviço público por definição. Trabalhamos para o público. Prestamos-lhe o serviço de o informar sobre coisas que são importantes para ele. Se não servirmos o público não estamos a cumprir com a nossa função.

Qual é o impacto que a ausência de poupança pode trazer em termos sociológicos e económicos?

A ausência de poupança é uma fonte de insegurança e de instabilidade individual em termos financeiros. Quando abrange uma quantidade grande de pessoas o clima nunca será propício ao investimento e ao consumo. E pior, pode levar ao sobreendividamento. O resultado nunca é bom, como vimos na crise que atravessamos.

Quais são as principais dúvidas que lhe chegam dos telespectadores?

Qual é o melhor produto de poupança? Como baixar o crédito à habitação? Como reduzir as despesas? Como lidar com os impostos (sobretudo o IRS)? Como baixar as despesas com seguros? Como reclamar junto das grandes empresas de telecomunicações? Em resumo, são as dúvidas sobre como “enfrentar” os bancos, seguradoras, grandes empresas e o Estado (Finanças e Segurança Social). Somos o David contra Golias.

Passou para papel uma rúbrica de televisão. O que é que o livro tem a mais do que a imagem?

Tem a vantagem da permanência. O papel fica, a imagem vai. E posso organizar temas dispersos, condensá-los e acrescentar informação que o tempo em televisão não deixa. O primeiro e o segundo livro “Contas-poupança” são uma espécie de Enciclopédia e de Manual de Poupança que pode ficar permanentemente numa estante para fácil consulta. Na televisão isso é impossível.

O que podemos esperar do seu mais recente livro?

Pode esperar mais dicas de poupança (mais 34 para além das do primeiro livro lançado em 2016) em que pode simplesmente ler, perceber e aplicar. Testei-as todas e sei que funcionam. Todas são escritas com o passo-a-passo para poupar. E tem uma vertente nova: o investimento. Percebi que não vale a pena poupar se não fizermos nada para o dinheiro que poupamos crescer. Ficará rapidamente moribundo por causa da inflação. Posso ter 20 mil euros numa poupança agora que daqui a 10 anos eles valerão apenas 12 ou 13 mil, embora estejam lá na mesma os tais 20 mil. Acho que enquanto portugueses ainda não mudamos o chip para fazermos o nosso dinheiro crescer (com risco, em alguns casos) para pôr o dinheiro a trabalhar para nós. Até agora só sabemos trabalhar para ganhar dinheiro para o gastarmos pagando a outros. Devia ser ao contrário.

Como perspetiva o futuro do jornalismo?

O jornalismo no futuro será cada vez mais digital e especializado. As pessoas procurarão a informação que lhes interessa independentemente de vir de fontes jornalísticas ou não. O segredo está na credibilidade da fonte de informação. Isso é um desafio e tanto, no meio de tanto ruído na internet e nas redes sociais. O jornalismo do futuro terá de ser tão bom que as pessoas estejam dispostas a pagar para obter uma informação em que acreditem realmente e que lhes seja útil no dia-a-dia. Basicamente, prevejo que o jornalismo terá de ser “premium” para sobreviver, florescer e manter-se como o tal serviço público que acho que nunca deverá deixar de ser.

NEWSLETTER DE OUTUBRO DE 2018

Recorde os assuntos em destaque na newsletter de outubro de 2018.

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Programa de Literacia para Comunicadores NewsMuseum em parceria com a Philips
A Philips aliou-se ao NewsMuseum nesta iniciativa gratuita e de acesso livre que tem como principal objetivo auxiliar à compreensão das mais recentes inovações tecnológicas na área do tratamento hospitalar, diagnóstico e acompanhamento de doentes. Para que profissionais de comunicação e jornalistas melhor comuniquem ao público sobre a área da Saúde, o curso tem como objetivo dotá-los de conceitos e conteúdos pertinentes, mas também aclarar quais as tendências e inovações tecnológicas atuais de forma a melhor compreenderem o futuro da área.

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Lançamento da segunda edição do projeto Engenheiras por um dia no NewsMuseum 
O NewsMuseum servirá, no próximo dia 17, de palco para a cerimónia de lançamento da 2ª Edição do projeto Engenheiras por um dia, que contará com a presença da Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques. Com o objetivo de sensibilizar as raparigas para os domínios das tecnologias e engenharias como área de trabalho, o Governo Português aliou-se pela segunda vez a instituições como o Instituto Superior Técnico. 

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Festas de aniversário do NewsMuseum
As Festas de Aniversário em espaços fechados não têm de ser aborrecidas. O NewsMuseum pode ser o palco da festa do ano, oferecendo uma experiência única e interativa para festejar o aniversário dos mais novos. Durante a visita guiada, os convidados vão participar em diversas atividades, jogos e experiências, no mais inovador e moderno equipamento cultural de Portugal.

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For once-jailed journalist, the struggle is not over
Conheça Emilio Gutierrez Soto, o jornalista Mexicano que procura asilo nos EUA por temer que a sua profissão o leve a morte, mas cuja a permanência em terreno norte-americano ainda não esta assegurada. 

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VI E GOSTEI
Lawrence White dá-nos a perspetiva de um jornalista acerca do NewsMuseum. 

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ENTREVISTA  
Pedro Andersson licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior antes de enveredar por uma carreira jornalística, primeiro na TSF, e posteriormente na SIC que o convidou aquando da fundação da SIC Notícias. Acaba de editar o livro Contas Poupança – Poupe ainda mais, invista melhor baseado na rúbrica líder de audiências que mantém no Jornal da Noite da SIC. 

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LUÍS PAIXÃO MARTINS
Renovar o interesse da Escola Pública

Estamos no início de um ano escolar e, como sucede desde que o NewsMuseum abriu as suas portas, tal produz um novo ciclo da vida, rotineira mas intensa, do nosso equipamento. 

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O novo ano escolar

É um privilégio para o NewsMuseum estar localizado no coração de Sintra. Estamos a curta distância do histórico Palácio da Vila, numa das mais importantes centralidades turísticas nacionais, olhando no horizonte a Serra e o Castelo dos Mouros.

É um privilégio para o NewsMuseum estar localizado no coração de Sintra. Estamos a curta distância do histórico Palácio da Vila, numa das mais importantes centralidades turísticas nacionais, olhando no horizonte a Serra e o Castelo dos Mouros.

Mas não foi apenas o enquadramento histórico e paisagístico que ditou a escolha de Sintra para instalar o nosso equipamento. O elemento crítico foi mesmo o fator humano.

O Município de Sintra é, na Área Metropolitana de Lisboa, aquele que, a grande distância, tem maior população escolar. Aliás, num país que tende a “envelhecer”, Sintra é o concelho com maior saldo natural (diferença entre o número de nascimentos e de mortes) positivo. 

Em consequência, apresenta um significativo parque escolar, com uma dezena de agrupamentos, no centro de uma vivência lectiva variada, consistente e vibrante.

Acresce que os concelhos vizinhos de Sintra, em particular Amadora, Odivelas e Loures, também têm uma numerosa população em idade escolar. 

O Programa Educativo do NewsMuseum, que atualizamos em cada ano, consegue captar a atenção e o interesse dessa comunidade, de professores a alunos, passando pelos encarregados de educação, pelo que se tornou num dos eixos fundamentais da vivência diária do NewsMuseum.

Agora, com o início do novo ano escolar, estamos já a aceitar as reservas de grupos de alunos, para as quais praticamos preços especiais, na expectativa de que os nossos conteúdos vão contribuir para melhorar conhecerem o mundo dos Media e os principais episódios da história recente.   

Paulo Moura

Paulo Moura é escritor e repórter. Trabalhou durante 23 anos no jornal Público e por várias vezes cobriu zonas de guerra. O lançamento do seu nono livro Uma Casa em Mossul dá mote a esta entrevista.

Paulo Moura é escritor e repórter. Trabalhou durante 23 anos no jornal Público e por várias vezes cobriu zonas de guerra. O lançamento do seu nono livro Uma Casa em Mossul dá mote a esta entrevista.

É do nosso entendimento que prefere ser chamado repórter. Na sua opinião o que difere um jornalista de um repórter?

De facto, sinto-me mais confortável com o título de repórter, que designa uma actividade mais precisa. Sou jornalista, mas o Jornalismo é uma profissão mais abrangente, mas também mais vaga e por vezes ambígua. Não me identifico com tudo o que se faz nos jornais, ou nos media. O que sou, o que sempre fui, é alguém que vai aos locais, que procura de forma activa a informação e as histórias, que não abdica da sua visão pessoal sobre essa informação e essas histórias, a sua interpretação, a sua forma própria de contar, de se relacionar com os leitores.

Para mim, o repórter tem de ser independente, autónomo, desligado de quaisquer interesses, autor, livre e soberano. O repórter deve emergir, numa época cada vez mais dominada pelas notícias falsas, pela promiscuidade entre os interesses económicos, políticos e mediáticos, como o último reduto da seriedade e confiança. Os leitores deveriam conhecê-los, seguir o seu trabalho, procurá-los, apoiá-los. E não os confundir com a realidade mais vasta e mais dúbia dos “media”, que é cada vez menos merecedora de confiança.

O jornalismo está normalmente associado à objetividade e ao modelo da pirâmide invertida. Como docente da disciplina de Jornalismo Literário, de que forma crê que a subjetividade do repórter se pode refletir numa peça?

O Jornalismo Literário é uma escola, uma corrente, uma forma de fazer jornalismo que usa recursos da literatura e das artes na escrita sobre a realidade. Distingue-se do jornalismo convencional, por um lado, pelo modo como investiga os factos, não se apoiando apenas na recolha de dados e depoimentos, mas na imersão. É preciso estar nos lugares, com tempo, atenção, envolvimento, para compreender a realidade de uma forma mais profunda. Por outro lado, distingue-se pela forma como apresenta a informação. Na escrita, pode usar diálogos, vários tipos de narração, digressões, monólogo interior, perspectiva da terceira pessoa, etc.

A subjectividade do repórter é fundamental, não porque seja importante que ele exprima os seus sentimentos, mas em nome da eficácia informativa. O repórter tem de usar a sua capacidade de observação, a sua agressividade investigativa, a sua inteligência, mas também a sua sensibilidade. O mundo tornou-se demasiado complexo para que uma abordagem superficial dos factos fosse suficiente. Os leitores querem, e têm necessidade de compreender as transformações profundas que ocorrem à sua volta. Não se satisfazem apenas com notícias escritas segundo o método da pirâmide invertida. Um mundo em mudança exige um jornalismo mais inteligente e sensível.

E também não chega usar de forma descomedida e infantil todas as tecnologias sofisticadas que temos à disposição. O uso de vídeos, linguagens multimédia, recursos sofisticados de programação nem sempre é garantia da abordagem profunda da realidade que os leitores exigem.

Em “Uma Casa em Mossul”, o seu mais recente livro, trata do Estado Islâmico com conhecimento de causa. Fale-nos, por favor, um pouco sobre o seu livro, e o que reteve da sua experiência em Mossul e Erbil.  

Uma Casa em Mossul é o resultado de várias viagens à região do Iraque, Síria e Turquia, com o objectivo de me aproximar o mais possível do Estado Islâmico. Numa dessas viagens, em Julho do ano passado, entrei em Mossul, a declarada capital do Califado, enquanto ainda decorriam os combates entre o Daesh e as forças iraquianas com a ajuda da coligação internacional. Durante dez dias, estive a “viver” numa casa em Mossul Ocidental, a zona da cidade, na margem esquerda do Tigre, que se manteve por mais tempo sob o controlo dos jihadistas. Foi um momento muito especial, em que a cidade já estava, supostamente, “libertada”, mas onde o Estado Islâmico ainda controlava vários bairros, os combates prosseguiam, com inusitada violência, e estavam ainda presentes as regras de vida sob o governo do Califado.

O livro é, antes de mais, o relato da minha experiência pessoal. Mas tenta lançar pistas para a compreensão do fenómeno do radicalismo islâmico e como é aparentemente tão fácil e plausível que sociedades inteiras se entreguem de forma acrítica, às práticas mais sanguinárias e desumanas.

Como perspetiva o atual paradigma do jornalismo?

Penso que o jornalismo atravessa uma grave crise. Está a ser colocado em causa nos seus pressupostos pelas novas tecnologias, pela globalização e pelas novas realidades económicas. E não está a saber reagir. Não está a saber definir o que é o seu valor específico, único, insubstituível e imprescindível, preferindo sintonizar-se e competir com o caos de rumores, notícias falsas, sensacionalismo desonesto, histeria das turbas. O desaparecimento do jornalismo sério significará a extinção das sociedades democráticas. É preciso, por isso, protegê-lo, não sendo porém certo que tal seja garantido pelas leis do mercado. É aí que surge a necessidade de novas formas de financiamento do jornalismo e da reportagem, que pode passar pelas fundações, fundos de universidades, apoios estatais, etc. Se as artes merecem ser apoiadas, o jornalismo não tem, decerto, menor utilidade pública.

NEWSLETTER DE SETEMBRO DE 2018

Recorde os assuntos em destaque na newsletter de setembro de 2018.

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Festas de Aniversário do NewsMuseum renovadas

A partir de setembro as festas de aniversário no NewsMuseum vão ser ainda mais animadas. Às experiências que os pequenos tanto gostam, como a Realidade Virtual e a News TV, juntámos agora um novo conjunto de atividades manuais que promete divertir a pequenada durante horas. 

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Visitas de estudo no NewsMuseum

Com o início das aulas, começam também as visitas de estudo. O NewsMuseum propõe-se a oferecer a alunos de todas as idades uma viagem pelo último século de História contado na ótica dos media. Docente ou encarregado de educação, entre em contacto connosco para mais informações. 

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Faça o evento da sua empresa no NewsMuseum

Todos os meses o NewsMuseum serve de palco para as mais diversas iniciativas promovidas por empresas. Aliamos ao planeamento logístico a possibilidade de personalização do espaço de forma a criar uma narrativa que torne o seu evento corporativo inesquecível.

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What we learned about media literacy by teaching high school students fact-checking 

Algumas instituições, como a Google, juntaram-se à Poynter num projeto de fact-checking dirigido a adolescentes. A proliferação de desinformação é percetível e chega a ser alarmante se tomarmos em consideração uma questão que foi posta por um dos alunos desta iniciativa: “O Chicago Tribune é uma fonte fiável?”

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Vi e gostei

Ana Santos visitou-nos com crianças da Junta de Freguesia de Carnide e confirmou a adequação das nossas experiências aos mais pequenos. 

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Entrevista
Paulo Moura é escritor e repórter. Trabalhou durante 23 anos no jornal Público e por várias vezes cobriu zonas de guerra. O lançamento do seu nono livro Uma Casa em Mossul dá mote a esta entrevista. 

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Luís Paixão Martins
O novo ano escolar

É um privilégio para o NewsMuseum estar localizado no coração de Sintra. Estamos a curta distância do histórico Palácio da Vila, numa das mais importantes centralidades turísticas nacionais, olhando no horizonte a Serra e o Castelo dos Mouros. 

Mas não foi apenas o enquadramento histórico e paisagístico que ditou a escolha de Sintra para instalar o nosso equipamento. O elemento crítico foi mesmo o fator humano.

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The Vietnam War, uma viagem ao Jornalismo à prova de bala

Tenho para mim que a cobertura da Guerra do Vietname constituiu o momento alto dos anos de ouro do Jornalismo moderno.

Tenho para mim que a cobertura da Guerra do Vietname constituiu o momento alto dos anos de ouro do Jornalismo moderno. 

Até então, os Media – primeiro os jornais, como na Guerra Civil de Espanha, depois a rádio como na II Guerra Mundial – limitavam-se a ser instrumentos de propaganda de uma das partes do conflito. Mais recentemente, como na Guerra do Golfo, os militares pactuaram com os jornalistas as vitais credenciais de acesso por forma a que estes passassem a integrar “embeded” os exércitos invasores.

Por isso, não há nenhuma outra guerra tão bem documentada como a do Vietname quer através de crónicas independentes e fundamentadas na observação direta dos repórteres destacados para os palcos das operações, quer através de peças, algumas icónicas, do fotojornalismo e de várias das primeiras grandes reportagens de TV.

Havendo todo este manancial disponível tinha uma enorme expectativa face a The Vietnam War, o documentário de quase 18 horas que Ken Burns e Lynn Novick produziram e realizaram, ao longo de uma dezena de anos, para a TV pública dos Estados Unidos.

O resultado é extraordinário.

Tal deve-se em parte à qualidade das cerca de 80 testemunhas chamadas a depôr sobre os acontecimentos relatados – aliás, tenho gosto em sublinhá-lo, a maioria sendo pessoas que, de uma ou de outra maneira, estão ou estiveram ligados à produção de conteúdos, como jornalistas, escritores, etc.

Mas o que faz mesmo a diferença é o acervo reproduzido: os autores poderam escolher entre 24 mil fotografias e 1500 horas de vídeo que cobriam, designadamente, cenas de 25 batalhas.

Não sou um particular apreciador do género “guerras” na cinematografia de ficção e, sendo assim, a minha recomendação para The Vietnam War centra-se essencialmente na qualidade do Jornalismo exibido, como se se tratasse de uma visita dramática e empolgante à realidade dos Media na segunda metade do século passado.

Consequentemente, não estamos perante uma daquelas séries que gostamos de ver de um fôlego, episódio atrás de episódio, ao longo de um par de maratonas. Pelo contrário, aqueles que, como eu, são observadores militantes do Jornalismo, devem percorrer este documentário demorada e pausadamente como se estivessem a escavar qualquer achado arqueológico de primeira grandeza.

No NewsMuseum, sem o brilho (e o orçamento de Burns e Novick), temos uma sala dedicada ao Jornalismo de Guerras, incluindo a Guerra do Vietname, sendo curador José Rodrigues dos Santos, o jornalista e escritor que é agora mais conhecido como “pivot” do Telejornal da RTP do que pelo seu passado honroso de repórter em cenários de conflitos armados. Noutro andar, na exposição dedicada ao Fotojornalismo, o antigo foto-repórter e jornalista Manuel Falcão apresenta-nos, entre outras, exatamente as fotos sobre a Guerra do Vietname que são destacadas no documentário.

Pelo menos na escolha das fotos acertámos.

J.-M. Nobre-Correia

J.-M. Nobre-Correia foi sucessivamente investigador, assistente e professor no Departamento de Ciências da Informação e da Comunicação da Université Libre de Bruxelles, de 1970 a 2011. Regressado a Portugal, acaba de publicar Teoria da Informação Jornalística na editora Almedina.

J.-M. Nobre-Correia foi sucessivamente investigador, assistente e professor no Departamento de Ciências da Informação e da Comunicação da Université Libre de Bruxelles, de 1970 a 2011. Regressado a Portugal, acaba de publicar Teoria da Informação Jornalística na editora Almedina.

Qual a principal preocupação ao publicar uma obra que acaba por ser uma profunda viagem ao mundo do jornalismo?

A primeira preocupação foi de pôr na minha língua materna um livro que escrevi em francês e teve um total de 21 edições, com três títulos diferentes sucessivos que correspondiam aliás à própria evolução do título da cadeira de que fui professor titular nos anos académicos 1980-81 a 2010-11 na Université Libre de Bruxelles.

Por outro lado, penso saber que em Portugal os docentes do ensino superior passaram a ter por hábito propor bibliografias de livros e artigos em relação com a matéria de que são titulares, não redigindo eles próprios manuais que tratem dessa matéria. E daí que eu tenha pensado que seria possivelmente útil publicar um livro destes em Portugal, suscetível de interessar não só docentes e estudantes em jornalismo, mas também jornalistas que queiram refletir sobre a sua profissão, assim como simples cidadãos que se interrogam sobre a prática jornalística nos média.

Por fim, não me pareceu desprovido de interesse propor um livro sobre esta matéria numa perspetiva europeia (sobretudo francófona, mas não só), quando aquilo que se edita e lê em Portugal sobre esta matéria parece-me ser sobretudo de proveniência brasileira ou estado-unidense.

A que níveis considera que a liberdade de imprensa é hoje ameaçada?

Os média foram confrontados ao longo dos séculos (sobretudo a imprensa, também a rádio e a televisão) a práticas autoritárias da parte do poder civil como do poder religioso : censura (a partir de 1475), privilégio, autorização prévia…, toda uma série de mecanismos com vista a impedir que as pessoas tomassem conhecimento de informações que o poder queria absolutamente impedir que elas soubessem. Felizmente estes mecanismos de repressão desapareceram muito largamente nas nossas sociedades de Europa ocidental.

Mas a liberdade de circulação da informação é hoje confrontada a outros obstáculos. Com a proliferação dos média a partir dos anos 1960-80, o pluralismo dos média e da informação que tanto esperávamos deu de facto lugar a uma fragilização das redações. Assistiu-se então a uma gigantesca fragmentação das audiências. Pelo que os média passaram a dispor de menos receitas financeiras, em termos de vendas como de publicidade. Situação que foi ainda mais acentuada com o alargamento da internet ao grande público. E menos receitas significa menos meios humanos e menos disponibilidade financeira das redações para praticar jornalismo em termos de recolha, de verificação e de tratamento da informação.

Paralelamente, enquanto as redações perdiam capacidade de iniciativa, as empresas e instituições reforçavam cada vez mais os departamentos de comunicação e o recurso a assessorias especializadas, dispondo de meios muitos mais importantes do que os das redações. Estas passaram assim a aceitar “peças” (textos, ilustrações, sons, vídeos) vindas do exterior, desses departamentos e assessorias, concebidas em função dos interesses das empresas e instituições, ou dos seus mandatários, e não numa perspetiva de informação dos cidadãos.

Dito de outro modo: as redações deixaram de dispor do tempo e dos meios indispensáveis à cobertura de vastos aspetos da atualidade, que passaram assim a ser cobertos por não-jornalistas ao serviços de interesses que não são exatamente os dos cidadãos.

A prática do jornalismo de qualidade encontra-se ameaçada pela imediatidade da Internet? 

Sim e não ! Sim, na medida em que, como foi explicado na resposta anterior, há cada vez menos redações em condições de praticar um jornalismo de qualidade. Não, na medida em que a informação em tempo real praticada nomeadamente na internet, mas também em rádio e em televisão, pede cada vez mais que os cidadãos recorram a um jornalismo de qualidade na imprensa, na rádio, na televisão ou na internet para compreenderem a atualidade da sociedade em que vivem. Isto é : que recorram a um jornalismo de qualidade concebido com o devido recuo em relação aos acontecimentos, mas também com as devidas verificação, interpretação e análise dos factos, e as indispensáveis noções de competência, rigor e serenidade.

Num mundo globalizado e de distâncias entre regiões e povos cada vez mais curtos, ainda faz sentido em falarmos nos critérios geográfico, psicoafectivo e cultural no que toca à seleção da informação?

Claro que sim ! O mundo poderá ser cada vez mais uma “aldeia planetária”, mas nós sentir-nos-emos sempre mais interessados pela atualidade mais próxima de nós e dos nossos, mais afetados que somos pela atualidade que nos diz e lhes diz respeito.

O corte nas receitas publicitárias dos jornais impressos entrega a produção de notícias às agências de informação e aos fornecedores de conteúdos ou ainda é possível perspetivar organismos de comunicação social isentos e com uma demarcada linha editorial? 

A primeira agência de informação, Havas, nasceu em 1835. E ao longo da segunda metade do século XIX como durante todo o século XX, as agências de informação tiveram um papel cada vez mais importante na informação que era proposta pelos média. Até porque, depois dos “despachos” escritos, começaram a propor ilustrações e sobretudo fotos, mas também sons e vídeos.

Quanto àquilo que chama “fornecedores de conteúdos”, eles também existem há muitos decénios, desde os comunicados governamentais ou das forças armadas em conflito. A partir sobretudo dos anos 1960, os média europeus passaram também a receber cada vez mais comunicados de toda a ordem das mais diversas empresas e instituições, mas também de associações e de toda a espécie de organizações ou personalidades que consideram ter algo que deve ser anunciado aos média e levado ao conhecimento dos públicos destes.

Uma das caraterísticas dos jornais impressos de qualidade (como aliás dos jornais radiofónicos, dos telejornais ou dos jornais em linha de qualidade) é precisamente a de tomarem antes do mais a produção das agências de informação como a desses tais “fornecedores de conteúdos” como “alertas” que, depois de uma avaliação do interesse do tema evocado, os deverão levar a dar início a um trabalho de recolha de elementos fatuais, de cotejo destes com aqueles que os tinham alertado, de verificação desses elementos, antes de passar às etapas seguintes habituais do tratamento da informação.

Perante as dificuldades financeiras dos jornais impressos — particularmente acentuadas com a deslocação de boa parte da publicidade para a internet a partir da segunda metade dos anos 1990 e depois com a crise financeira dos anos 2007-08 —, temos que constatar que são os melhores jornais de referência diários ou semanais, “isentos” e com “uma demarcada linha editorial”, para utilizar os termos mesmo da pergunta, aqueles cuja leitura continua a ser indispensável para os meios dirigentes e para os meios sociais com um certo nível cultural e poder de compra. São aliás estes jornais de referência que resistem melhor, nalguns casos reforçando mesmo as suas posições em termos de vendas e de receitas, alcançando até audiências que nunca tinham atingido anteriormente. Porque, para além da informação bruta, puramente fatual, estes meios sociais precisam que esta informação seja posta em perspetiva, interpretada e comentada, para poderem fazer a sua própria opinião e decidir da conduta a tomar perante a atualidade.

Quais são os problemas decorrentes de uma homogeneização daquilo que é noticiado e da forma como é noticiado pelos diferentes meios de comunicação?  

A resposta foi de certo modo já abordada na resposta à pergunta anterior. Assistimos progressivamente a uma incontestável enorme homogeneização dos conteúdos propostos por média desprovidos de redações suficientemente importantes em termos de meios humanos e financeiros. Mas assistimos também cada vez mais a um decantação das especificidades de cada um, de modo a que os mais originais em termos de conteúdos propostos, tanto no que diz respeito aos temas como às formas de os tratar, se afirmam melhor perante a vasta massa cinzentona dos que propõem mais ou menos a mesma coisa dos outros. O que implica também um reposicionamento perante a nova geografia dos média tradicionais e dos novos média, até porque as gramáticas jornalística, comercial e técnica de cada um deles são manifestamente distintas.

Como perspetiva o futuro da imprensa escrita?

O termo “imprensa escrita” é utilizado de maneira demasiado imprecisa, pois designa quase sempre as publicações impressas, periódicos não-diários e diários. Quer dizer : publicações impressas em papel saídas de rotativas, de prelos. Mas a “imprensa escrita” é publicada cada vez mais em linha, na internet, algumas publicações tendo mesmo renunciado à imprensa, à edição em papel, como foi recentemente o caso do Diário de Notícias, com exceção da edição dominical (mas os exemplos de diários que passaram a ter unicamente edições em linha abundam por essa Europa fora, em Espanha, em França, na Grã-Bretanha, na Itália…).

A questão que se põe é a de saber se esta imprensa escrita, outrora editada exclusivamente em papel, compreenderá que o papel e a internet são suportes de natureza diferente que supõem um tratamento jornalístico diferente, até porque, que mais não seja, a internet permite uma coexistência de textos, imagens fixas, sons e imagens animadas. Mas também porque a internet supõe um ritmo de publicação diferente, eventualmente com edições pluridiárias (…como a imprensa escrita em papel fez até aos anos 1960 !). Como supõe ainda compreender que a economia do jornal em papel e a do jornal em linha são muito diferentes, exigindo uma gestão diferente em termos de vendas, assinaturas, publicidade e atividades lucrativas diversas…

NEWSLETTER DE AGOSTO DE 2018

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Entrega de prémios Fernando de Sousa

Foram, no passado dia 20 de Julho, entregues os prémios Fernando de Sousa, e mais uma vez o NewsMuseum serviu de palco para esta iniciativa da Representação da Comissão Europeia em Portugal.   “Europa 30”, a série documental com autoria de Nuno Severiano Teixeira e David Castaño e realizado por Joana Pontes levou o prémio na categoria de “Jornalista – Media Nacional”.

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No NewsMuseum o aniversário dos mais pequenos faz primeira página. Contacte-nos para descobrir como a personalização do mais avançado espaço museológico do país tornará a festa do seu filho única.

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Entrevista

J.-M. Nobre-Correia foi sucessivamente investigador, assistente e professor no Departamento de Ciências da Informação e da Comunicação da Université Libre de Bruxelles, de 1970 a 2011. Regressado a Portugal, acaba de publicar Teoria da Informação Jornalística na editora Almedina.

Luís Paixão Martins

The Vietnam War, uma viagem ao Jornalismo à prova de bala

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