MEDIA AGE EXPERIENCE
"INESPERADO, INTELIGENTE E DIVERTIDO"

News Standard

O NewsMuseum

É a maior experiência de Media e Comunicação da Europa.

O legado

A “notícia” é a matéria-prima dos Media, do Jornalismo e da Comunicação. Um “Museu das Notícias” é o meu projecto de “fecho de carreira”. Trabalho há mais de 40 anos na indústria dos Media, primeiro como locutor de rádio, depois como jornalista e, a seguir, como consultor de comunicação.

A “notícia” é a matéria-prima dos Media, do Jornalismo e da Comunicação. Um “Museu das Notícias” é o meu projecto de “fecho de carreira”. Trabalho há mais de 40 anos na indústria dos Media, primeiro como locutor de rádio, depois como jornalista e, a seguir, como consultor de comunicação.

minha vida profissional – e profissionalizei-me aos 17 anos – foi sempre no ambiente da Comunicação. E no meu intenso período de jornalismo “agencieiro” e “radiofónico” adquiri a costela fundamentalista do culto da notícia.

Em 2014, decidi deixar um legado que ajude a conhecer melhor, a compreender e a promover a relevância, a evolução, as personagens e os mecanismos do sistema mediático, ao mesmo tempo que ajuda a enquadrar episódios da nossa história recente a partir dos relatos de jornais, rádios, televisões e media sociais.

Não foi uma ideia que tenha nascido sozinha na minha cabeça. Com a passagem dos anos e o acréscimo de responsabilidades habituei-me a funcionar com equipas, a partilhar, a delegar, a responsabilizar. E a sentir que os outros com quem trabalho fazem despertar ideias que podiam ser minhas. Como esta do museu.

É esta ideia colectiva do final de 2014 que iremos pôr em prática em 2015 (lentamente – porque queremos ser nós próprios a executá-la e a saborear a sua produção) e inaugurar algures em 2016. É um excelente programa, não acham?

https://www.youtube.com/watch?v=LlIr5ohdjvo&feature=youtu.be

Uma palavra com problemas de reputação

É o nosso cantinho secreto. As marcas de António Ferro, uma pintura do muralista do MRPP, histórias, protagonistas e antagonistas da propaganda. E cartazes para colar. Na Via di Propaganda. E não precisa de ir a Roma… Curador: Francisco Seixas da Costa

É o cantinho secreto do NewsMuseum. E mais não dizemos…

O panteão daqueles que o Jornalismo imortalizou

É a homenagem àqueles que têm definido a história do Jornalismo português. Pioneiros, fundadores, repórteres, cronistas e comunicadores. O panteão do NewsMuseum – selecionado por Adelino Gomes, Alexandre Manuel e Oscar Mascarenhas

São 31 jornalistas que se libertaram da “lei da morte”. Pioneiros, Fundadores, Diretores, Repórteres, Comunicadores, Cronistas. Evocados em dezenas de depoimentos

Um direito escasso

Portugal é um dos países com mais qualidade em matéria de Liberdade de Imprensa. Porque vivemos neste ambiente somos levados a supor que a Liberdade de Imprensa é mais universal do que na realidade é. Apenas 1 em cada 7 cidadãos do mundo vivem em sistemas de harmonia com este direito fundamental.

O nosso globo luminoso atualiza os relatórios dos Repórteres Sem Fronteiras e permite consultar o “ranking” das nações.

Apenas 1 em cada 7 cidadãos do mundo vivem em sistemas de harmonia com este direito fundamental. O nosso globo luminoso atualiza os relatórios dos Repórteres Sem Fronteiras e permite consultar o “ranking” das nações.

Como as guerras mudam o jornalismo

O Jornalismo mudou a forma de fazer a guerra e a guerra mudou a forma de fazer Jornalismo. No NewsMuseum fazemos a história da evolução da convivência, nem sempre saudável, entre guerra e Jornalismo. Destaque para os segmentos sobre a Guerra Civil de Espanha e a Imprensa, a II Guerra Mundial e a Rádio, a Guerra do Vietname e a TV e a Imagem, e a Guerra do Iraque e os Diretos. Tudo isto visto num ambiente que recria uma varanda da Bagdad debaixo de fogo perante os olhos de meia humanidade. Curador: José Rodrigues dos Santos 

Considerada disciplina maior do Jornalismo, a cobertura mediática dos conflitos bélicos ocupa lugar de destaque no NewsMuseum num espaço que tem como curador José Rodrigues dos Santos

A fama indesejada

Ups, alguma coisa correu mal. Gralhas de jornais, registos de TV. Aqueles momentos que os jornalistas preferem não recordar

Tinha tudo para correr mal. E correu. Gafes e gralhas – porque sem estes momentos o mundo mediático seria mais monótono

Do “grassroots” à propagação global do fenómeno católico

Do clássico “grassroots” à propagação global, o mais importante fenómeno mediático português é objeto de estudo no NewsMuseum

Como um episódio passado quase incógnito numa aldeia de Portugal se transforma em fenómeno mediático global e torna Fátima marca de referência do catolicismo. Módulo em desenvolvimento

Quando os combates são de palavras

Já foram semiclandestinos a tiro ou a golpes de espadachim. Mas, no nosso tempo, os duelos passam na TV. E, felizmente, não fazem mortos nem feridos – a não ser nos egos pessoais e nas carreiras mediáticas. Curadores: Joaquim Letria e José Eduardo Moniz

As armas de fogo, as espadas e as bofetadas foram substituídas pelas palavras. Os grandes duelos do nosso tempo são saudavelmente nos Media. Soares vs Cunhal. Saramago vs Lobo Antunes. Reacionários vs Revolucionários… 

Comunicadores que se tornaram “News”

 O mundo mediático é um palco. E, nesse palco, coabitam os protagonistas e aqueles que os projetam. Há, no entanto, personalidades do sistema mediático que se tornam, elas próprias, “news”

Marcelo Rebelo de Sousa, Al Gore, Francisco Pinto Balsemão, François Truffaut, Daniel Proença de Carvalho, Ernest Hemingway. Comunicadores que se transformaram eles próprios em objeto de “news”

Assassinato de Martin Luther King

Em abril de 1968, Martin Luther King deslocou-se à cidade Memphis, no estado do Tennessee, para apoiar uma greve dos funcionários sanitários de raça negra, que recebiam um ordenado inferior aos funcionários de raça branca.

Uma das vozes mais expressivas dos Direitos Humanos cala-se a 4 de abril de 1968. Pastor evangélico, ativista social e Nobel da Paz, Martin Luther King Jr. é assassinado antes de ver cumprido o seu «sonho».

Na manhã do dia 4, James Earl Ray alvejou mortalmente Martin Luther King ao entrar no quarto de hotel onde este estava hospedado.

A única fotografia que capta o horror do momento da morte de Martin Luther King foi tirada por um jovem sul africano, Joseph Louw, que estava a fazer um documentário sobre Martin Luther King.

Louw tinha estado a jantar num restaurante de Memphis, pouco antes da tragédia, mas saiu mais cedo para ver as notícias da noite na NBC. Assim que chegou ao Lorraine Motel ouviu um tiro. Correu para o local e viu Luther King no chão. Apercebendo-se que nada podia fazer apressou-se a ir buscar a máquina fotográfica.

“It was just a matter of realizing the horror of the thing. Then I knew I must record it for the world to see”.

Apesar de não estarem presentes no local, as televisões rapidamente deram a notícia. Devido à hora (ao mesmo tempo que as notícias da noite), muitos pivôs receberam a informação em direto, o que originou algumas incorreções.

A programação habitual foi interrompida assim que se confirmou a morte de Martin Luther King. Apesar das cadeias de televisão terem jornalistas em Memphis, estes não se deslocaram ao local devido às imposições oficiais decretadas na cidade para prevenir violência.

A cobertura mediática da morte e dos motins que se seguiram prosseguiu por vários dias. A vida de Martin Luther King serviu de mote a programas matinais, programas da tarde e especiais de informação.

Cancelando uma viagem ao Havai, o presidente Lyndon Johnson dirigiu-se nessa mesma noite à nação para expressar o choque e tristeza pela morte de Martin Luther King. O discurso foi transmitido em direto pelas três televisões existentes.

“America is shocked and saddened by the brutal slaying tonight of Dr. Martin Luther King.

I ask every citizen to reject the blind violence that has struck Dr. King, who lived by nonviolence.

(…) I know that every American of good will joins me in mourning the death of this outstanding leader and in praying for peace and understanding throughout this land”.

Mas a morte de Luther King chocou e fragilizou uma nação ferida, dividida e abalada por motins e manifestações, conflitos sociais e uma guerra controversa.

Desencadeou protestos violentos, incendiou um país já em ebulição e originou uma caça ao homem que durou dois meses. Moldou uma geração.

Imortalizou o homem e fez nascer o símbolo dos direitos civis, da igualdade, paz e justiça para todos. Teria sido assim de outra forma?

Se a morte de Martin Luther King o eternizou aos 39 anos (numa altura em que registava até uma quebra de popularidade), a luta da sua vida levou a mudanças drásticas na cobertura dos media sobre os direitos dos negros e até sobre assuntos sociais.

O carisma e a singular capacidade oratória de Luther King faziam dele uma apetecível figura mediática, o que lhe permitiu conquistar espaço de antena e marcar a agenda.

Em agosto de 1963, Martin Luther King promovou a famosa Marcha em Washington. Um espetacular evento mediático, segundo Walter Cronkite, um dos mais populares pivôs da TV norte-Americana de sempre.

Transmitida em direto através da radio e das três televisões que existiam na altura tornou mainstream a luta pelos direitos civis, com uma marca e assinatura: “I have a dream”.

“Technology shapes the way a story is covered, the way it’s presented (…) Television during the 1960s presented narratives. It allowed people to be in front of the camera and allowed them to be seen and for their voices to literally be heard”, William Thomas, chairman of the Department of History at the University of Nebraska-Lincoln.

Mas o mais icónico discurso de King quase não aconteceu. King e os seus assessores trabalharam no texto durante uma semana e o reverendo continuou a refazer o discurso até ao último minuto, eliminando palavras e introduzindo novas frases. Na véspera do discurso, o rascunho não continha qualquer referência a um “sonho”. Martin Luther King procurava sempre um final perfeito para os seus discursos. Como sofria constantes ameaças à sua vida, insistia num tom profético quando estava a terminar um discurso, como se estivesse a dizer as suas últimas palavras.

Na véspera da Marcha em Washington, ponderou se deveria falar do “sonho” e se este seria um final emotivo para o seu discurso. Há meses que vinha falando do seu “sonho” em discursos por todo o país, defendendo a sua visão de uma coexistência racial harmoniosa. Pediu a opinião de dois dos seus assessores. Um deles, Wyatt Tee Walker, aconselhou-o a não mencionar a frase “I have a dream”. 

Era demasiado cliché. King já a tinha usado demasiadas vezes, disse. O segundo assessor, Andrew Young, concordou. King não disse nada. Mas nessa noite alguém o ouviu repetir as mesmas palavras uma e outra vez no seu quarto de hotel, depois de toda a gente se deitar: “Eu tenho um sonho… Eu tenho um sonho… Eu tenho um sonho…”

O ritmo e musicalidade, a cadência e entoação do discurso remetem para o passado de Martin Luther King como pastor na igreja Baptista. Como a maior parte dos americanos que estavam a seguir a Marcha em Washington através da televisão, o Presidente John F. Kennedy ouviu um discurso integral de Martin Luther King pela primeira vez nesse dia. Terá comentado com um dos seus assistentes na Casa Branca que ele era “damn good”.

Para a perpetuação do mito contribuíram também as teorias da conspiração em torno da morte de Martin Luther King, envolvendo o governo e a CIA.

Narrativas que ainda hoje apaixonam os media e a opinião pública.

A eleição de Barack Obama avivou a memória de Martin Luther King e dos seus discursos. Apaixonantes. Mobilizadores. Fraturantes. Históricos. As comparações foram inevitáveis, como se o novo presidente dos EUA cumprisse finalmente o “sonho”.

Mais de 40 anos depois de “I have a dream”, um outro líder negro entoou e repetiu num mesmo discurso uma frase que também ganharia um lugar na história: “Yes we can”.

E se na década de 60 a televisão foi o medium que catapultou Luther King e lhe deu visibilidade – pelo papel preponderante que tinha como formador de opiniões -, em 2007 foram as redes sociais a desempenhar um papel fundamental na eleição de Barack Obama.

A partir do discurso proferido em New Hampshire, o cantor will.i.am juntou cerca de trinta atores e músicos num video de apoio (supostamente não oficial) divulgado no YouTube e que correu mundo.

Não surpreendeu, portanto, que na tomada de posse de Barack Obama os U2 tenham cantado em direto, com transmissão para todo o mundo, a partir de Washington, na mesma escadaria onde Martin Luther King proferiu o emblemático discurso, a canção que lhe é dedicada “Pride, in the name of love”.

A luta pelos direitos civis dos negros nos anos 60 e a vida de Martin Luther King tem servido de inspiração a canções, livros, documentários e filmes, até porque a questão do preconceito racial está longe de estar sanada nos EUA.

Em 2014 chegou às salas de cinema “Selma”, um filme que mostrava um lado mais humano do líder. Um herói com dúvidas e contradições, que somou pequenas vitórias mas também muitas derrotas. Imediatamente se relacionou o filme com protestos que tinham ocorrido em Ferguson dando a entender que, na verdade, o sonho não acabou.

Assassinato de JKF

A 22 de novembro de 1963, John F. Kennedy é assassinado e a América fica órfã. A morte da estrela mediática que se tornara Presidente dá origem a uma emissão televisiva ininterrupta de 71 horas.

“In Dallas, Texas, three shots were fired at President Kennedy’s motorcade in downtown Dallas. The first reports say that President Kennedy has been seriously wounded by this shooting.” [Em Dallas, Texas, foram disparados três tiros sobre o cortejo do Presidente Kennedy. As primeiras informações dão conta que o Presidente Kennedy ficou gravemente ferido no tiroteio]

A notícia que não queria ser dada

Estamos a 22 de novembro de 1963, o relógio marca 12h40 e pela voz de Walter Cronkite (CBS) a América é informada do atentado a John F. Kennedy. A CBS antecipa-se à concorrente NBC por menos de um minuto.

Nessa sexta-feira, Walter Cronkite prepara mais uma emissão do seu noticiário da tarde enquanto a telenovela “As the World Turns” está no ar. A informação sobre o tiroteio apanha a equipa de surpresa. O primeiro anúncio é feito através da leitura de um boletim por cima de uma imagem fixa de um placard CBS News.

A emissão volta à programação normal. Mas a redação da CBS está ao rubro. As informações continuam a chegar e a telenovela é interrompida para mais boletins especiais que dão conta dos últimos desenvolvimentos.

Depois de múltiplos boletins, a notícia ganha imagem. Em vez de utilizar os estúdios habituais, que se assemelham a uma sala de estar, Cronkite conduz a emissão diretamente a partir da redação. Foi aí que informa os norte-americanos da morte do seu Presidente.

Uma hora depois do tiroteio, 68 por cento da população nacional já sabe da notícia. Duas horas depois, o valor ascende aos 92 por cento. Metade descobre através da TV ou da rádio. Apesar da tecnologia incipiente de 1963, os jornalistas intuem a necessidade de transmitir em direto do local. As emissoras enviam jornalistas para fazer a cobertura e deixam as imagens falar sempre que possível.

Um país em agitação

A cobertura mediática não se limitou ao local do crime. Em Washington, os repórteres aguardam a chegada do corpo de Kennedy e da comitiva presidencial. O Air Force One, que essa manhã transporta Kennedy para Dallas, traz agora outro Presidente de volta a Washington. Poucas horas depois da morte de Kennedy, a bordo do Air Force One, Lyndon B. Johnson é oficializado como o 36.º Presidente dos Estados Unidos da América. A seu lado, ainda com as roupas manchadas de sangue que usa no cortejo, a agora viúva Jacqueline Kennedy.

A rivalidade entre JFK e Lyndon B. Johnson

A relação entre os dois democratas nem sempre é pacífica. Ambos competem nas Primárias que definem o candidato presidencial para as eleições de 1960. Apesar da sua experiência, Johnson perde para JFK, que é o candidato nomeado pelo partido.

A possível tensão entre os políticos é ocultada pela aparente cordialidade, culminando com o convite a Johnson para a vice-presidência. Com a morte de Kennedy, Johnson assumiu a liderança do país.

À chegada a Washington, Lyndon B. Johnson faz as suas primeiras declarações na qualidade de novo Presidente dos Estados Unidos da América.

«Esta é uma data triste para todos. Sofremos uma perda que não pode ser colmatada. Para mim, é uma profunda tragédia pessoal»

Em Dallas, o crime já tem um rosto. Lee Harvey Oswald, de 24 anos, é detido pelo alegado assassinato de um polícia e descobrem-se provas que o ligavam aos disparos sobre Kennedy. Ao final da tarde, os telespetadores podem observar a marcha de Oswald, algemado, para a sede da polícia de Dallas. Ainda nessa noite, é formalmente acusado do assassinato do Presidente dos Estados Unidos.

O suspeito é exibido em permanência perante os jornalistas, que o questionavam diretamente. No entanto, o suspeito nega, em todos os momentos, ter disparado sobre Kennedy.

O círculo mediático é tão apertado que a televisão ganha contornos de sala de tribunal, com os seus culpados, vítimas e acusadores.

A manchete universal

No sábado, dia seguinte ao assassinato, a notícia torna-se global. Os jornais fazem capa com a morte do Presidente, os últimos desenvolvimentos da investigação e as reações de líderes e autoridades mundiais. Portugal não é exceção. A morte de Kennedy faz capas dos periódicos nacionais, depois da necessária aprovação da Censura.

Apesar de, em 1960, se estimar que 88 a 90% dos lares norte-americanos têm um aparelho de televisão, os jornais e a rádio continuam a ser a principal fonte de notícias. Isso está prestes a mudar. A televisão leva a tragédia às casas dos Americanos. Foi com o assassinato de Kennedy que os Estados Unidos se tornam verdadeiramente numa nação televisiva. Ao longo desse fim-de-semana de novembro, os olhos da nação estão colados ao aparelho, onde a cobertura se centrava nas cerimónias fúnebres.

O assassinato do alegado assassínio

No domingo, a NBC está prestes a concluir uma reportagem de dois minutos a partir do Massachusetts, terra natal de Kennedy, quando Tom Pettit, que cobre a esquadra de Dallas, grita «Coloquem-me no ar! Coloquem-me no ar!» As câmaras da NBC voam para Dallas, onde o alegado assassino Lee Oswald é escoltado para uma carrinha na garagem da sede da polícia. Do lado inferior direito da televisão, um homem precipita-se sobre Oswald. Ouve-se um tiro. Oswald cai. A voz de Tom Pettit sobrepõe-se ao caos.

O assassínio de Oswald é transmitido em direto para todo o país. A sua versão dos factos fica perdida para sempre. Jack Ruby é o homem misterioso que dispara sobre Oswald. Detido e acusado de homicídio, Ruby é condenado à pena capital, mas acaba por morrer de cancro enquanto aguarda novo julgamento. Não sem antes deixar a sua versão da história, numa entrevista feita pelo seu advogado e pelo seu irmão.

A cobertura mediática do funeral de JFK

Nos três dias que se seguem ao assassínio, as cerimónias fúnebres de JFK são alvo de intensa cobertura mediática. A América assiste incrédula aos últimos desenvolvimentos enquanto o mundo chorava a morte do Presidente.

Na segunda-feira, 25 de novembro, o funeral é acompanhado ao minuto e conquista uma das mais elevadas audiências jamais registadas nos Estados Unidos.

O rescaldo

Desde o momento do tiroteio até ao funeral em Washington, os principais canais norte-americanos suspendem a programação habitual, privilegiando a transmissão em direto. A CBS tem um total de 55 horas de emissão. A ABC chega às 60 horas. A NBC atinge as 71 horas.

Uma semana depois da morte de Kennedy, é instaurada a Warren Commission para investigar os acontecimentos. O relatório final é apresentado em setembro de 1964. Oswald é apontado como o culpado pela morte de Kennedy, considerando-se que tanto ele como Ruby agiram sozinhos.

Os resultados da investigação trouxeram o tema de volta para os meios de comunicação. Contudo, as conclusões têm sido questionadas ao longo dos anos.

Kennedy, um fenómeno mediático

A intensidade da cobertura mediática da morte de Kennedy não teve precedentes na História norte-americana. Afinal JFK era, ele próprio, um produto dos meios de comunicação.

Em 1960, o icónico debate que opõe o então senador Kennedy a Richard Nixon é o primeiro a ser transmitido na televisão. Nixon, a recuperar de uma recente hospitalização, apareceu no ecrã pálido e fragilizado. Kennedy, em contraste, parecia confiante e calmo.

Nesta fase da carreira política de Kennedy, a fronteira entre político e estrela televisiva esbate-se. Acompanhado pela esposa Jacqueline, JFK conquistou os votos da América ao conquistar os seus televisores. A criação de uma figura mítica, que não se apagou com a sua morte.

Uma semana depois do assassínio, o jornalista Theodore White recebe uma chamada de Jacqueline Kennedy. A antiga Primeira Dama escolhe White, vencedor de um prémio Pulitzer, para fazer chegar as suas palavras ao mundo. White liga aos editores a informar do exclusivo, mas a edição da Life estava prestes a fechar. Esperar pelo artigo ia custar 30 mil dólares por hora. A entrevista avança. O objetivo de Jacqueline Kennedy? «Que o Jack não seja esquecido pela História».

A fechar a entrevista, a antiga Primeira-dama alude à banda sonora do musical sobre Camelot, que costumava ouvir com JFK. «Não deixem que seja esquecido que houve, uma vez, um lugar, por um breve, brilhante momento, conhecido como Camelot», cita. «Haverão ótimos presidentes novamente, mas nunca haverá outro Camelot». As palavras fazem eco pelo país.

A Primeira-dama

Esta não é a primeira vez que Jacqueline Kennedy assume o protagonismo. A Primeira-dama conquista um papel de destaque na carreira política de JFK.

Ao longo da campanha para as presidenciais de 1960, Jacqueline Kennedy dá entrevistas, grava anúncios e contribui para fortalecer a imagem e reputação de JFK. Durante a gravidez, por conselho médico, deixa de acompanhar o marido nas viagens. Receando o efeito que a sua ausência pudesse ter na campanha, Jacqueline é aconselhada a escrever uma coluna diária que apelasse ao voto feminino. Assim surge “Campaign Wife”, publicada em jornais pelo país fora.