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Evolução na Continuidade

Em 1969, Marcello Caetano, durante um discurso, torna público o slogan que caracteriza o período em que é Presidente do Conselho. A Primavera Marcelista tem como missão passar a mensagem de uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada em Portugal.

Em 1969, Marcello Caetano, durante um discurso, torna público o slogan que caracteriza o período em que é Presidente do Conselho. A Primavera Marcelista tem como missão passar a mensagem de uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada em Portugal.

Inglaterra vs. Alemanha

Das partidas disputadas pelos soldados das trincheiras às grandes competições internacionais, passando pela inesquecível final do Mundial de 1966. Será a rivalidade futebolística entre Inglaterra e Alemanha unilateral?

“Football is a simple game” [«O futebol é um jogo simples»], resumiu o antigo jogador inglês Gary Lineker. “22 men chase a ball for 90 minutes and, at the end, the Germans always win [«22 homens perseguem uma bola durante 90 minutos e, no final, os alemães ganham sempre]. Mas nem sempre foi assim.

A “finest hour” do futebol inglês

“They think it’s all over… it is now!” [«Eles pensam que está tudo terminado… agora está!»]

Estádio de Wembley, 30 de julho de 1966. Aos 120 minutos, Geoff Hurst marcava o quarto golo da Seleção Nacional de Inglaterra e carimbava a vitória sobre a Alemanha e o título de campeões do mundo de 1966.

As palavras de Kenneth Wolstenholme, comentador da BBC, ficaram imortalizadas na cultura popular inglesa como um símbolo do triunfo.

O capitão Bobby Moore recebeu o troféu das mãos da Rainha Isabel II, coroando o final de um jogo acompanhado em direto por 4000 milhões de pessoas de todo o mundo.

 

 

“Like Royalty, they stand on the balcony to hear the cheers of the great crowd” [“Como membros da Família Real, vêm à janela escutar os aplausos da grande multidão»], escreveu o Sunday Mirror, a 31 de julho de 1966. “This was the England team last night after their great 4-2 World Cup win against West Germany” [«Esta foi a equipa inglesa na noite passada, depois da sua grande vitória por 4-2 no Campeonato do Mundo frente à Alemanha Ocidental»].

O título mundial, o único conquistado até então pelos Three Lions, fez capas por todo o país.

A celebração ganhava ainda mais fulgor por se tratar de uma vitória contra um adversário com um historial de peso.

Um historial que não passava necessariamente pelo campo de futebol.

“West Germany may beat us at our national sport today, but that would be only fair. We beat them twice at theirs” [«A Alemanha Ocidental pode derrotar-nos hoje no nosso desporto nacional, mas seria apenas justo. Nós derrotamo-los duas vezes no deles»], escrevey Vincent Mulchrone, do Daily Mail, na manhã da final do Campeonato do Mundo.

Em 1966, as feridas das duas Guerras Mundiais ainda estavam por sarar e os antagonismos eram transpostos para o desporto-rei.

Foi aliás, durante uma guerra que Inglaterra e Alemanha disputaram um dos seus mais lendários jogos de futebol.

Em 1914, a trégua de Natal entre os soldados que combatiam na Primeira Guerra Mundial deu a origem a uma partida de futebol disputada em terra de ninguém.

“Every acre of meadow under any sort of cover in the rear of the lines was taken possession of for football” [«Cada acre de terreno debaixo de qualquer tipo de cobertura na retaguarda das linhas foi utilizado para futebol»] , escreveu o The Guardian.

Os fora-de-jogo, as faltas e os golos políticos

A primeira partida entre as duas nações numa competição oficial teve lugar em 1930. O jogo, que decorreu em Berlim, terminou com um empate a três bolas.

Uma vez que o encontro foi organizado em solo estrangeiro, a cobertura mediática dos meios ingleses foi escassa. O TheTimes publicou apenas uma nota a informar do resultado.

Em 1938, a história foi bem diferente: desporto e política cruzaram-se no relvado do Estádio Olímpico de Berlim.

“The English team immediately made a good impression by raising their arms in the German salute while the band, after playing ‘God Save the King’, played the German National Anthem” [«A equipa inglesa deixou imediatamente uma boa impressão ao levanter os seus braços na saudação alemã enquanto a banda, depois de tocar “God Save the King”, tocou o hino nacional alemão»], escreveu o The Times.

O gesto tinha sido promovido pela Football Association e a Embaixada Britânica na Alemanha, por uma questão de diplomacia e devido à política externa inglesa [“peace for our time” – «paz para o nosso tempo»].

 

 

A Alemanha anexara a Áustria dois meses antes; o partido nazi ganhava força e a partida amigável frente aos ingleses era vista como uma forma de propaganda.

Em campo, os Three Lions ganharam por 6-3. Na imprensa britânica, o destaque não foi apenas para os golos. Os jornais criticaram a saudação nazi, referindo que Hitler nem sequer estava presente no estádio.

No ano seguinte, começava a Segunda Guerra Mundial e os países voltavam a medir forças, desta vez no campo de batalha.

O conflito mundial ditou o fim dos jogos entre as duas nações durante mais de 15 anos.

À data do seu encontro seguinte, em 1954, a Alemanha tinha sido dividida em duas. O estádio de Wembley foi palco da partida amigável frente à Alemanha Ocidental, que os ingleses venceram por 3-1.

Apesar da rivalidade, só durante o Mundial de 1966 é que as equipas se defrontaram pela primeira vez na final de uma grande competição.

A vitória conquistada pelos ingleses na final de Wembley permanece o único título mundial dos Three Lions.

A Alemanha soma quatro títulos mundiais (1954, 1974, 1990 e 2014) e três europeus (1972, 1980 e 1996).

 

Os jornais em campo

As derrotas frente à Alemanha – especialmente em 1970 e nos penáltis, em 1990 – contribuíram para alimentar a rivalidade… pelo menos do lado dos ingleses.

 ”The so-called rivalry is quite obviously an illusion, existing only in the minds of those wishful to the point of insanity – which is to say, the English” [«A suposta rivalidade é, obviamente, uma ilusão, existindo apenas nas mentes daqueles iludidos a ponto de insanidade – o que quer dizer, os ingleses»], escreveu Marina Hyde do The Guardian.

Um antagonismo que ficou mais claro do que nunca durante o Europeu de 1996.

“Achtung! Surrender – For you Fritz, ze Euro 96 Championship is over” [«Achtung! Rendam-se – Para ti, Fritz, o Euro 96 está terminado»], publicou o Daily Mirror.

As referências à Segunda Guerra Mundial foram uma constante na cobertura dos media britânicos, que procuraram incendiar ainda mais a rivalidade com os alemães.

Uma ideia deixada clara pelo editorial de Piers Morgan, do Mirror. “Last night our ambassador in Berlin handed the German government a note” [«Na noite passada, o nosso embaixador em Berlim entregou uma nota ao Governo alemão»], escreveu, parafraseando a declaração de guerra de Neville Chamberlain, em  1939. “We are at soccer war with Germany” [«Estamos em Guerra futebolística com a Alemanha»].

 

 

A violência da cobertura não despoletou reações consensuais junto do público.  “Well that’s because of the nature of tabloid journalism in Britain. I’m afraid it doesn’t take itself too seriously and there is a lot of fun, a lot of imagination, goes into the presentation of our pages, and it’s all part and parcel of covering football in England” [«Bem isso é devido à natureza do jornalismo tabloide na Grã-Bretanha. Receio que não se leve muito a sério e que muita diversão, muita imaginação seja utilizada na apresentação das nossas capas, e é tudo parte da cobertura futebolística em Inglaterra»], explicou Phil Walker, editor do Daily Star.

Inglaterra volta a triunfar

Mais de trinta anos depois da vitória de 1966, os ingleses voltaram a protagonizar um mediático triunfo frente aos germânicos.

Em 2001, durante a qualificação para o Mundial, os Three Lions venceram por 5 a 1, um resultado histórico. Ambas as seleções ficaram qualificadas para a prova.

Para o Daily Mail, a vitória, foi “one of those moments you will always remember… like VE Day” [«um daqueles momentos que recordará para sempre… como o VE Day»].

 

 

 

Enquanto os adeptos britânicos celebravam, os olhos dos alemães estavam em Dublin, onde a equipa holandesa tinha sido derrotada e afastada do Mundial de 2002.

“Suddenly total strangers began to embrace and the pub where I had gone for the post-match drink shook with a defiant and heart-felt rendition of ‘We’re going to the World Cup without Holland!’” [«De repente, estranho começaram a abraçar-se e o pub onde tinha ido tomar uma bebida após o jogo abanou com uma desafiante e sentida versão de ‘Vamos ao Mundial sem a Holanda!»], descreveu o especialista alemão Uli Esse, num artigo publicado pelo Mirror.

Para os adeptos alemães, Inglaterra era vista como um adversário histórico, mas o verdadeiro rival era a vizinha Holanda.

Já em Inglaterra, com Escócia e País de Gales normalmente afastados das grandes competições internacionais, Alemanha era o inimigo futebolístico de eleição.

Afinal, escreve o Times, “England versus Germany has become a metaphor for our relative standing in the world” [«Inglaterra versus Alemanha tornou-se uma metáfora para a nossa posição relativa no mundo»].

Em 2010, novo Campeonato do Mundo… e mais polémica. Os ânimos aqueceram ainda antes do início da competição.

Um polvo, três leões e a vitória alemã

 “Germany is set to kick up a Reich stink at the World Cup by playing in Nazi-style black shirts” [«Alemanha prepara-se para ter um começo à moda do Reich no Mundial, ao vestir camisas negras ao estilo nazi» , escreveu o Daily Star, referindo-se ao novo equipamento dos alemães.

Durante a competição, as duas equipas defrontaram-se, uma partida antecipada fervorosamente pelos media.

“Job done… now for the Hun” [«Trabalho feito… agora para os Hunos»], publicou o Daily Star; “Herr we go again” [«Aqui vamos novamente»], lia-se no The Sun. O tabloide inglês fez capa com “Germans terrified of 3 lions” [«Alemanha aterrorizada com “3 lions”»].

A imprensa alemã não se deixou intimidar. “England, wir schlagen Euch!” [“Inglaterra, vamos arrasar-vos!”], publicou o jornal Bild. “England erklärt uns den Fußball-Krieg”[“Inglaterra declarou guerra de futebol contra nós”], escreveu o Berliner-Kurier.

A supremacia alemã voltou a verificar-se, como aliás, fora previsto pelo polvo Paul, também ele um verdadeiro fenómeno mediático. A Alemanha venceu por 4 a 1 e Inglaterra acabou por ficar pelo caminho, um resultado que não era inesperado.

 

 

Desde o Mundial de 1966, os Three Lions raramente venceram os germânicos nas principais competições internacionais e as partidas não tiveram consequências de maior para os alemães nas provas disputadas.

A Die Mannschaft, nome pelo qual é conhecida a equipa alemã, foi também a última equipa a derrotar Inglaterra no antigo Wembley Stadium e a primeira a vencer os anfitriões no estádio renovado.

A hegemonia germânica continuou a eclipsar os rivais ingleses, transformando este conflito numa rivalidade unilateral.

Marcas de Ferro

Os símbolos da identidade nacional criados, na década de 1930, à medida da Ditadura, ficam a cargo de António Ferro. O maior propagandista português desdobra-se em iniciativas de incentivo às artes e à promoção do regime. Deixa marca na Marca Portugal e muitas das suas criações sobrevivem ao fim do salazarismo

A ideia do fado enquanto música nacional, do galo de Barcelos como símbolo, do turismo enquanto produto, da cultural popular, da reconstrução dos castelos, do teatro e do cinema de rua ou a ideia do acesso aos livros nas aldeias de um país rural. Tudo isto tem a assinatura de António Ferro. Décadas antes de se falar sobre indústrias criativas, conteúdos turísticos, cultura pop ou da marca Portugal. Décadas antes destas definições terem sido sequer inventadas.

Jornalista, escritor, político, repórter, mecenas, propagandista, criativo. Homem das letras e da cultura. António Ferro reinterpretou e reinventou pequenas tradições culturais populares criando novos ícones e símbolos para o país. Ao mesmo tempo aproveitou o seu estatuto para promover uma nova geração de criadores que transformaram as artes em Portugal. Da música à escultura, da arquitetura à pintura, passando pelo cinema. António Ferro foi um contador de histórias e o grande mecenas de um período muito fértil de criação artística.

O seu legado sobreviveu ao regime, à passagem do século e marca ainda hoje a ideia que os portugueses têm de Portugal e a forma como os outros olham para o nosso país.

António Ferro nasceu em 1895. Cresceu no desassossegado período da primeira república. Tempos politicamente e socialmente conturbados onde se distinguiria como autor modernista, discípulo de Mário Sá-Carneiro.

Ficaria ligado ao movimento que incluía nomes como Fernando Pessoa, Almada Negreiros ou Santa-Rita.

Segue este movimento também nas ideias políticas evoluindo na crítica ao sobressalto e à instabilidade da Primeira República. Confesso admirador de Sidónio Paes segue para Angola como oficial miliciano acabando por tornar-se secretário-geral do Governo Provincial.

No regresso a Lisboa apaixona-se pelo jornalismo e afirma-se nas redações de O Jornal, Diário de Lisboa, o Século e da revista Ilustração Portuguesa. Continua a publicar prosa e verso confirmando a sua capacidade enquanto criador artístico.

É, no entanto, a vivência de repórter internacional do Diário de Notícias que lhe dá mundo e a oportunidade de entrevistar e conhecer personalidades marcantes e controversas do seu tempo: Adolf Hitler, Benito Mussolini, Primo de Rivera. Ferro deixa-se fascinar pelos regimes autoritários da época. Conduz uma série de entrevistas ao então Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar e aceita o convite para dirigir o Secretariado Nacional de Propaganda. Dá vida ao SNI, a uma central de comunicação que tem como objetivo de promover e consolidar o regime criado pela nova Constituição. Dá vida a uma ideia do próprio António Ferro.

Estávamos em 1933. Nascia o Estado Novo. Nascia a ditadura de Salazar.

Nos dezasseis anos seguintes António Ferro cria, reinventa e reinterpreta histórias e tradições portuguesas. A este movimento chama-lhe «Política de Espírito». Mais do que propaganda aos feitos do regime, a «Política de Espírito» tratava da total e completa reconstrução da identidade nacional.

«A Política do Espírito [explicou] não é apenas necessária, se bem que indispensável em tal aspeto, ao prestígio exterior da nação: é também necessária ao seu prestígio interior, à sua razão de existir».

Aliou esta recriação da identidade portuguesa com um fulgor único de fomento cultural apoiando, promovendo e projetando a criação e produção artísticas nas suas diferentes disciplinas. Num misto de contador de histórias com encantador de histórias.

Estes dois movimentos, aparentemente contraditórios, são a marca distinta do seu legado. O António Ferro dos ranchos folclóricos, das saias nazarenas e das pequenas tradições populares é o mesmo mecenas do bailado, da Arte Moderna e dos movimentos artísticos de vanguarda.

Como ninguém caldeou história, com futuro e até com destino. Criou palcos para a liberdade artística e criadora de escultores, pintores e cineastas. Foi assim como comissário das exposições internacionais de Paris e Nova Iorque, mas especialmente na exposição do mundo português, em Belém, em 1940.

Ao mesmo tempo eleva-se o anónimo galo de Barcelos à categoria de símbolo nacional. A desconhecida Monsanto ao estatuto de Aldeia mais portuguesa de Portugal. Promove-se a ourivesaria do Viana, os trajes e os ranchos folclóricos.

Criam-se as Pousadas de Portugal para afirmar o país como destino turístico. Reabilitam-se os castelos históricos como forma de afirmação da sua identidade. Cria-se a cinemateca nacional para promover a sétima arte. Criam-se bibliotecas itinerantes, cinemas de rua e o teatro do povo. Cria-se a Companhia de Bailado Verde Gaio. Muitos portugueses têm pela primeira vez contacto com livros e manifestações culturais e artísticas.

Consagram-se criadores como Almada Negreiros, Leitão de barros e Raul Lino e nascem outros nomes que o país também não esqueceria. A voz da jovem Amália Rodrigues torna-se numa embaixada itinerante da «alma da nação». Manoel de Oliveira inicia a sua carreira como realizador. Até o mal-amado Fernando Pessoa tem a sua primeira distinção pública.

Naqueles dezasseis anos reuniu e rodeou-se dos melhores em cada uma das áreas. A propaganda confundia-se com o turismo, o turismo confundia-se com a arte, a arte confundia-se com a cultura, a cultura confundia-se com a identidade e a identidade confundia-se com a política.7

É também esta mescla única que lhe permite conquistar o respeito da elite artística e intelectual do país. Um respeito que foi para além da ideologia do próprio regime que servia.

António Ferro recriou o país. E em boa medida Salazar usou tanto António Ferro como Ferro usou o ditador para materializar uma ideia de Portugal que dificilmente partilhavam.

Morreu em Lisboa, em 1956. Tinha 61 anos. Poucos dias mais tarde a revista Time escrevia: «O seu país deve deplorar profundamente a morte prematura de quem tanto fez por ele».

O contador de histórias, que é um homem do mundo, tinha mudado a forma como mundo olhava para aquele Portugal.

Agências Noticiosas

Produzem a matéria-prima da informação que nos chega através dos Media e, durante um século, detiveram o quase monopólio do tráfico de notícias através do mundo. Apresentamos equipamentos cedidos pelas Agências Lusa e EFE: Telex, telefoto e as saudosas máquinas de escrever

Produzem a matéria-prima da informação que nos chega através dos Media e, durante um século, detiveram o quase monopólio do tráfico de notícias através do mundo. Apresentamos equipamentos cedidos pelas Agências Lusa e EFE: Telex, telefoto e as saudosas máquinas de escrever

YouTube

Uma página de partilha de vídeos; uma plataforma de distribuição de conteúdos originais; um fórum de inspiração global. Fundado em 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, o YouTube tem mais de um milhar de milhão de utilizadores.

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Pêro Vaz de Caminha

Pêro Vaz Caminha testemunha – e relata ao monarca português – a descoberta do Brasil. Guiado pela missão de informar, o escrivão que acompanha a armada do navegador Pedro Álvares Cabral, é um dos «narradores do pré-jornalismo»

Protojornalista por excelência, o escrivão Pêro Vaz de Caminha descreve a D. Manuel I a chegada a um novo território. O relato do escrivão torna-se o primeiro documento escrito da História do Brasil

«Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500. Pêro Vaz de Caminha».

Assim terminava a carta enviada ao rei D. Manuel I, testemunho de uma descoberta que mudou verdadeiramente o rumo da História.

Era comunicada ao monarca a existência de territórios até então desconhecidos, batizados «Terra de Vera Cruz» – nem mais, nem menos do que o atual Brasil.

A missiva foi assinada por Pêro Vaz Caminha, escrivão que acompanhava a armada do navegador Pedro Álvares Cabral.

O documento informativo, celebrizado como «a carta de Pêro Vaz de Caminha», relata a descoberta do novo território e descreve os costumes dos indígenas.

Pela pena de Caminha, o rei D. Manuel acompanhou os momentos centrais da aventura da armada de Álvares Cabral.

O Brasil em palavras

Com a incumbência de transmitir ao monarca todas as ocorrências, o escrivão narrou a descoberta do território com tal admiração e riqueza de detalhe, que chegou a pedir perdão ao rei «se a algum pouco alonguei».

A carta imortalizou o nome de Caminha nos Descobrimentos Portugueses, sendo considerada o primeiro documento escrito da História do Brasil.

Mas o destino final da armada – e de Pêro Vaz de Caminha – não eram as terras de Vera Cruz.

As naus dirigiam-se para a Índia, onde Caminha tinha sido nomeado escrivão da Feitoria de Calecute, um importante e valioso cargo no Oriente.

Tinha, na altura, 50 anos.

À época, cabia aos escrivães redigir os documentos que relatavam as ocorrências de relevo, informando o Rei sobre os acontecimentos do seu vasto império.

O seu cargo revelava prestígio e confiança junto da Corte portuguesa, resultado de várias décadas ao serviço da Casa Real e dos reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I.

Em 1476, Caminha ocupara o cargo de mestre da balança da Casa da Moeda, julga-se que herdado do seu pai, o também escrivão Vasco Fernandes de Caminha.

No ano anterior, terá participado, à semelhança de muitos outros jovens, na Batalha de Toro, um conflito contra Castela onde vários portugueses perderam a vida.

Teria, na altura, cerca de 25 anos, acreditando-se que tenha nascido por volta de 1450, no Porto.

A sua formação cultural era sólida para a época, com uma escrita que revelava erudição e conhecimento, características reconhecidas pela Casa Real através da nomeação para diversos cargos públicos.

Em 1497, enquanto Vereador, assumiu a responsabilidade de redigir os Capítulos da Câmara Municipal do Porto a serem apresentados às Cortes de Lisboa.

Três anos depois, chegava a oportunidade de viajar com a armada de Pedro Álvares Cabral.

Embora se trate de um dos mais importantes documentos dos Descobrimentos Portugueses, a carta de Pêro Vaz de Caminha permaneceu desconhecida do público durante mais de dois séculos.

Encontrada no século XVIII, na Torre do Tombo, foi publicada pela primeira vez no século XIX.

O último parágrafo da missiva assume, aos olhos da sociedade atual, contornos curiosos.

«A Ela [Vossa Alteza] peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê».

Caminha apelava ao rei que perdoasse o seu genro, detido em São Tomé por assalto à mão armada.

Jorge de Osório era marido de Isabel de Caminha, que terá sido a única filha do escrivão com a sua esposa, Catarina Vaz.

D. Manuel I acedeu ao pedido, mas Pêro Vaz de Caminha não o chegou a saber.

Morreu num ataque à Feitoria de Calecute, em dezembro de 1500.

Mais de quinhentos anos depois, permanecem os seus relatos – pejados de assombro e admiração, é certo, mas fiéis e informativos – dos novos mundos que os portugueses deram ao mundo.

Jornalismo do «vi claramente visto»

Pêro Vaz de Caminha personifica a figura dos «narradores do pré-jornalismo», sinalizando os primórdios de uma atividade de cariz informativo que iria culminar, séculos depois, no nascimento do jornalismo moderno.

Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Padre António Vieira, Ramalho Ortigão, Fialho de Almeida, Ferreira de Castro, narradores do «vi claramente visto», são outros dos nomes que, ao longo dos séculos, se destacaram pelo seu contributo para o processo evolutivo do jornalismo.

Estes «protojornalistas», muitos ainda carecendo das técnicas e métodos hoje associados à prática do jornalismo, possuem algo em comum: a missão de informar.

Uma missão que constitui a base e o dever maior da prática jornalística.

As ondas globais da Rádio

É o inglês James Clerk Maxwell quem demonstra, em 1863, a existência teórica das ondas eletromagnéticas. E é o italiano Guglielmo Marconi quem, em 1894, emite os primeiros sinais da Rádio. De então para cá este meio de Comunicação faz muitas ondas em todo o mundo

Locução – João David Nunes

Placa comemorativa do Grand Hotel Miramare, em Génova, que assinala o momento em que Guglielmo Marconi transmitiu, naquele local e pela primeira vez, sinais de rádio a uma distância de 150 quilómetros.

 

De Samuel Morse à confirmação teórica das ondas eletromagnéticas
  • 1838 – Samuel Morse Solicitou, nos registos americanos, a patente para um telégrafo.
  • 1842 – O inglês Alexander Bain Inventa o telégrafo de gravação eletroquímica que estabeleceu os princípios de gravação do fac-simile.
  • 1844 – Samuel Morse transmitiu, por telégrafo, de Washington para Baltimore, a sua célebre mensagem «What hath God wrought» (O que Deus forjou), a 24 de maio.
– Nasceu em França Edouard Brandly, inventor do radiocondutor (cohesor), ou seja, o primeiro aparelho detetor de ondas de rádio. Em colaboração com o conde George Von Arco, que fora seu assistente em Charlottenburg, fundou a Slaby-Arco, que acabou por se fundir com a Braun e a Siemens dando origem à empresa alemã Telefunken.
  • 1849 – John Walker Wilkins, um inglês pioneiro da telegrafia, anteviu a possibilidade da telegrafia «sem fios».
  • – Nasceu em Lancaster, Inglaterra, John Ambrose Fleming, inventor da válvula termiónica, o primeiro detetor eletrónico de ondas eletromagnéticas.
  • 1857 – Nasce, na Alemanha, Heirich Rudolph Hertz, um brilhante sábio da física e o fundador da T.S.F.
  • 1858 Entrada em Funcionamento do Primeiro Cabo Submarino Transatlântico. Este cabo falhou após algumas semanas. O primeiro cabo com sucesso foi lançado em 1966.
  • 1863 – O cientista Inglês James Clerk Maxwell apresenta a existência teórica das ondas eletromagnéticas (Rádio).
Da União Telegráfica Internacional ao envio dos primeiros sinais radiofónicos
  • 1865 – A 17 de maio institui-se a União Telegráfica Internacional. É nesta data que se comemora o Dia Mundial das Telecomunicações.
  • 1874 Nasce em Bolonha, Itália, Guglielmo Marconi, conhecido pelas suas experiências com a telegrafia sem fios.
  • 1876 Alexander Graham Bell recebeu a patente americana para o telefone.
  • 1877/1878 – Thomas Edison faz a primeira gravação de som, dizendo as seguintes palavras: Mary Had a Little Lamb
  • 1887 – Heirich Rudolph Hertz, físico Alemão, baseia-se nas teorias de James C. Maxwell e faz a demonstração das ondas eletromagnéticas através de uma experiência.
  • 1890 – O professor Édouard Brandly inventa, em França, um aparelho que deteta ondas de rádio. Chamou-lhe «Radioconductor», mas tornou-se conhecido como «Cohesor».
  • 1893 – É feito o primeiro noticiário para vários telefones pelo húngaro Tuvadar Puskas.
  • 1894 – O inglês Olivier Lodge consegue captar ondas hertezianas a 36 metros de distância.
– A primeira antena para a receção e emissão de ondas eletromagnéticas é idealizada por Nathan Stribblefied, nos EUA. – Em Itália, um jovem de 20 anos, Guglielmo Marconi, junta as descobertas anteriores e envia os primeiros sinais de rádio através do quarto. De Alexander Popov à Marconi Wireless Telegraph
  • 1895 – Alexander Popov, físico russo, construiu um detetor de sinais eletromagnéticos, parecido com o de Brandly, e ensaia uma transmissão de T.S.F. perante a Sociedade de Física de S. Petersburgo. Era considerado, na URSS, o pai da Rádio.
– Marconi vai para Inglaterra e regista as patentes das suas experiências. Neste ano consegue enviar sinais a 3 quilómetros de distânacia, em Salisbury. Em 1896, Marconi faz uma transmissão com uma distância de 2400 metros na propriedade do seu pai em Bolonha, Itália.
  • 1897 – É instalada a primeira estação emissora em Spezia, Itália, que estabelecia a comunicação com os navios da armada italiana.
– Marconi recebe a patente americana do sistema de telegrafia sem fios.
  • 1899 – Marconi, que consegue o apoio dos correios ingleses três anos antes, envia as primeiras mensagens através do canal da Mancha.
– É lançado o primeiro “sinal de socorro” marítimo através da rádio. – É criada a primeira empresa de rádio americana, a “American Wireless Telephone and Telegraph Co”. – A “Marconi Wireless Telegraph Co. of America” é criada a 22 de novembro. De 1900 ao Super-heterónio
  • 1900 – Reginald Fessenden transmite as primeiras palavras via rádio.
– Marconi inventa a sintonização do comprimento de onda.
  • 1901 – Em dezembro Marconi consegue com sucesso emitir a Letra S do código morse, o primeiro sinal transatlântico com origem em Poldhu, Cornwall, Inglaterra. Este foi captado em St. John, Terra Nova (Canadá).
  • 1902 O Kaiser Guilherme da Alemanha propõe a realização de uma conferência internacional de rádio.
– Henry B. Jackson, na altura capitão da armada britânica, publica as primeiras medidas quantitativas da propagação em terra e no mar na transmissão de ondas de rádio.
  • 1903 – É transmitida a primeira mensagem via rádio dos E.U.A. para o Reino Unido.
– Realiza-se a primeira Conferência Internacional Preliminar de Telegrafia sem Fios, em Berlim.
  • 1906 Em Janeiro, Fessenden conseguiu transmitir mensagens nos dois sentidos entre Massachussets, EUA e Machrihanish, Escócia.
– O cientista norte-americano H. C. Dunwoody descobre que cristais como a Galena (Sulfureto de Chumbo) podiam «detetar» ondas eletromagnéticas de forma mais eficaz do que o cohesor de Brandly. – A 24 de dezembro, Reginald Fessenden constrói um transmissor constituído por um alternador especial de alta frequência e transmite o que é considerado o primeiro programa de Rádio. Fessenden leu algumas palavras da Bíblia, tocou violino e desejou bom Natal a todos os ouvintes. Esta emissão foi efetuada numa estação de Telegrafia Sem Fios (T.S.F.) no Massachusetts, Estados Unidos. A sua emissão musical foi escutada por operadores de rádio em navios ao largo da costa.
  • 1908 – Lee DeForest fez a primeira transmissão experimental do alto da torre Eiffel com voz e música.
  • 1909 Marconi e Braun recebem o prémio Nobel da física pelo contributo para o desenvolvimento da telegrafia sem fios.
  • 1915 – A voz humana atravessa, via rádio, o Atlântico pela primeira vez. A transmissão é efetuada pela American Telephone and Telegraph Company, a partir de uma estação de T.S.F. da marinha de guerra dos Estados Unidos, situada na Virgínia, e é recebida pela estação militar francesa da Torre Eiffel.
  • 1916 É publicado o primeiro regulamento dos Postos Amadores de T.S.F. em Portugal.
  • 1917 – Marconi faz experiências com transmissões em V.H.F. Este comprimento de onda seria experimental até 1936, altura em que se iniciou a primeira difusão de televisão.
  • 1918 – Edwin Armstrong, major do exército norte-americano, inventa o Super-heterónio, um tipo de recetor de Rádio que é praticamente o único utilizado hoje em dia na Rádio analógica.
– Realiza-se a primeira comunicação entre Inglaterra e a Austrália. Da primeira emissão programada à descoberta do FM
  • 1919 – Emissão da primeira emissão programada de Rádio pela estação 9XM na Universidade de Wisconsin, EUA.
– É criada, a 17 de outubro, a empresa RCA – Radio Corporation of America. Em 1921 a empresa já detinha mais de duas mil patentes relacionadas com o meio rádio.
  • 1920 – A 2 de novembro, a Westinghouse foi a primeira companhia a estabelecer uma estação de Rádio importante, a KDKA.
  • 1921 – Surge o emissor da torre Eiffel com emissões regulares.
– A 2 de julho foi transmitido o primeiro relato de boxe pela Old Post Road Garage Radio Station de New Jersey, EUA.
  • 1922 – Um consórcio de seis firmas, incluindo a Marconi, começou a British Broadcasting Company (BBC). Tornou-se empresa pública em 1927 como British Broadcast Corporation.
– A estação emissora WEAF, de Nova Iorque, começa a ser financiada com publicidade. – Warren G. Harding torna-se o primeiro Presidente Norte Americano a discursar através do meio rádio, primeiro na estação NSF da marinha norte-americana e, duas semanas depois, na rádio comercial WEAR em Baltimore.
  • 1923 – Hans Bredow monta o primeiro emissor de Rádio em Berlim.
– Reconhecidas as Ondas Curtas como sendo as mais eficazes para comunicações de longa distância. Um programa da estação KDKA foi enviado em O.C. para a KDPM a cerca de 160 Km de distância em Cleveland, Ohio. Neste mesmo ano, a KDKA transmite para Londres, Inglaterra, o primeiro programa de Ondas Curtas a atravessar o Atlântico. – C. Francis Jenkis transmite via rádio as primeiras fotografias entre Washington e Filadélfia.
  • 1924 Transmissão da primeira fotografia transatlântica de Nova Iorque para Londres.
  • 1925 O Laboratório Naval de Pesquisa dos EUA desenvolve um equipamento utilizando ondas contínuas compulsórias. Este equipamento viria a ser importante para o desenvolvimento do Radar.
  • 1926 Fundação da NBC – Nacional Broadcasting Co. a 9 de setembro. Esta arrancou com 24 estações em pleno funcionamento a partir de 15 de novembro do mesmo ano.
  • 1927 – Realiza-se a primeira conferência mundial de radiodifusão.
– É estabelecido, a partir de 7 de janeiro, o serviço radiotelefónico entre Londres e Nova Iorque. – É aprovada a primeira Lei da Rádio (Radio Act 1927) nos EUA, com a validade de um ano.
  • 1930 Primeira transmissão de rádio a nível mundial, a partir de Nova Iorque, EUA. Esta emissão foi possível através de vários pontos de retransmissão.
  • 1932 – A Blaupunkt concebe o primeiro autorrádio. O primeiro automóvel equipado com rádio foi um Studebaker norte-americano.
  • 1933 Transmissão a nível internacional da tomada de posse do presidente Franklin D. Roosevelt, via Rádio.
– Edwin Armstrong descobre a modulação de frequência (FM, UKW). Antes desta data toda a emissão de rádio era em Amplitude Modulada (O.M., MW; O.C., SW; O.L., LW). Do primeiro radar à Guerra dos Mundos
  • 1934 O Laboratório Naval de Pesquisa dos EUA constrói o primeiro Radar.
  • 1937 – Inauguração, em Salamanca, do primeiro emissor da Rádio Nacional de Espanha.
  • 1938 – A 30 de outubro, é transmitida em direto pela rádio CBS, a partir do teatro Mercury, uma versão de A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, relatada por Orson Welles. O impacto foi tal, que os americanos acreditaram que estavam realmente a ser invadidos por extraterrestres. O programa teve de ser interrompido. Foi a primeira vez que a rádio mostrou verdadeiramente a influência que pode ter.
Instalação do primeiro radar num navio da Marinha Norte-Americana. Do «anúncio» da Segunda Guerra Mundial ao «Echo 1»
  • 1939 – Edwing Armstrong inicia emissões em Frequência Modulada em Alpine New Jersey, EUA.
– É noticiado pela rádio a Invasão da Polónia pelas tropas alemãs, acontecimento que viria a dar início à 2ª Guerra Mundial.
  • 1942 O National Bureau of Standarts inicia os primeiros testes com Placas de Circuito Impresso. Estas entram em produção de larga escala em 1945.
  • 1948 Bardeen e Brattain anunciam a descoberta do Transístor, a partir dos laboratórios da Bell Telephone.
  • 1949 É apresentado o primeiro relógio atómico do mundo pelo “National Bureau of Standarts”.
  • 1954 – Alan Freed, um disc-jockey da rádio WINS em Nova Iorque, inventa as palavras Rock N’ Roll.
– A empresa Regency desenvolve, nos Estados Unidos, o primeiro rádio de transístores, logo seguido pela Sony em 1955. Os primeiros aparelhos captavam apenas ondas longas e médias.
  • 1956 William Shockley, John Bardeen e Walter Houser são agraciados com o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho os Semicondutores e Transístores.
  • 1957 O Laboratório da Bell Telephone desenvolve o primeiro amplificador paramétrico e oscilador que tinha como principal caraterística produzirem um ruído muito baixo.
  • 1960 – Lançado o «Echo 1», o primeiro satélite destinado a retransmitir sinais de rádio.
– A Marinha dos EUA demonstra publicamente a possibilidade de usar a Lua como refletor do sinal de rádio enviado a partir da Terra. Da primeira emissão estereofónica à pluralização das estações no Reino Unido
  • 1961 – É feita, nos Estados Unidos, a primeira emissão estereofónica. O sistema foi desenvolvido pelas firmas Zenith e General Electric.
  • 1964 – Surgem, em Inglaterra, as primeiras rádios piratas em velhos barcos fundeados fora das águas territoriais do Reino Unido. A mais famosa foi a Radio Caroline. Esta estação emissora inovou o modo de fazer Rádio, cortando com o formalismo que se ouvia na BBC.
  • 1970 – Nesta década surgem rádios piratas em Itália, França, Holanda, etc.
  • 1972 – A BBC deixa de ser a única estação de rádio a emitir legalmente no Reino Unido.
Das rádios piratas à France Info – 24h de transmissão de informação
  • 1977 – A conferência Administrativa Mundial de Radiocomunicações decide liberalizar a banda destinada à Frequência Modulada. Esta decisão provoca o aparecimento de rádios piratas por toda a Europa.
  • 1982 – É autorizada a radiodifusão estereofónica em A.M. nos EUA.
  • 1987 – É criada a France Info, a única rádio em França com informação em 24 horas por dia.
– O R.D.S. (Radio Data System) começa a ser comercializado. Do rádio gerador ao iTunes
  • 1991 – O inglês Trevor Baylis inventa o rádio gerador, um aparelho que gera a sua própria energia sem necessidade de pilhas ou ligação elétrica.
  • 1996 – São dados os primeiros passos para o D.R.M. (Digital Radio Mondiale), um sistema que prevê a digitalização da A.M. (Onda Média, Onda Longa e Onda Curta).
– A mais importante rádio pirata no Reino Unido, a Kiss FM, é legalizada.
  • 1997 – Surgem as primeiras licenças de radiodifusão digital nos EUA. O sistema – F.M. Digital – é bastante diferente do usado na Europa e no Japão.
– Aparece o D.A.B. (Digital Audio Broadcast), o sistema digital de rádio com vista a substituir as emissões analógicas de F.M..
  • 2003 – A 16 de junho, o mundo assistiu à primeira emissão em D.R.M. (Digital Radio Mondiale), durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC 2003) da União Internacional de Telecomunicações, na cidade de Genebra.
  • 2004 – Num artigo no jornal “The Guardian” o jornalista Ben Hammersley utiliza o termo “podcast” para definir a utilização de leitores de MP3 para ouvir conteúdos de rádio produzidos online por amadores. O autor do artigo não se inspirou no produto da apple (Ipod) para esta definição.
– Adam Curry desenvolve um método para agregar o RSS feed ao Itunes, através de um script criado anteriormente por Kevin Marks.
  • 2005Uma nova atualização do programa de reprodução de música iTunes permite fazer uploads e downloads de Podcasts diretamente para os dispositivos da Apple.

História

Da imprensa de Gutenberg às transmissões do Periscope. Avalie se é um perito na evolução dos meios de comunicação ao longo dos séculos e se ainda recorda os protagonistas que lhe deram vida

Da imprensa de Gutenberg às transmissões do Periscope. Avalie se é um perito na evolução dos meios de comunicação ao longo dos séculos e se ainda recorda os protagonistas que lhe deram vida.

Casamento D. Duarte

A 13 de maio de 1995, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, foi palco do primeiro casamento de um membro da Família Real portuguesa em mais de um século. Dom Duarte Pio de Bragança e Dona Isabel de Herédia celebraram a sua união perante membros da nobreza, Chefes de Estado e… repórteres. Junte-se a eles e cubra este acontecimento

A 13 de maio de 1995, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, foi palco do primeiro casamento de um membro da Família Real portuguesa em mais de um século. Dom Duarte Pio de Bragança e Dona Isabel de Herédia celebraram a sua união perante membros da nobreza, Chefes de Estado e… repórteres. Junte-se a eles e cubra este acontecimento

Observador

Jornal digital, cuja primeira edição é a 19 de maio de 2014, o Observador foi localizado na Rua Luz Soriano, onde outrora morou o Diário Popular. António Carrapatoso, José Manuel Fernandes e Rui Ramos encontram-se entre os fundadores

Obviamente demito-o!

Em pleno Estado Novo, Humberto Delgado revoluciona a política portuguesa ao candidatar-se às presidenciais de 1958. Quando questionado sobre o futuro de Salazar caso vencesse as eleições, profere a célebre frase que o imortaliza como o «General Sem Medo».

Em pleno Estado Novo, Humberto Delgadorevoluciona a política portuguesa ao candidatar-se às presidenciais de 1958. Quando questionado sobre o futuro de Salazar caso vencesse as eleições, profere a célebre frase que o imortaliza como o «General Sem Medo».

Manuela Azevedo

A primeira jornalista a obter a carteira profissional em Portugal.

Manuela de Azevedo (1911-2017) foi uma figura central na história do jornalismo português, celebrizando-se como a primeira mulher a receber a carteira profissional de jornalista em Portugal.

Nascida a 31 de agosto de 1911, herdou a paixão pela escrita do seu pai, que foi diretor do Diário da Beira Alta e correspondente de O Século. Para perseguir o seu sonho, Manuela abandonou o ensino em Viseu e regressou a Lisboa, estreando-se no jornal República em 1934.

A sua trajetória foi marcada por uma postura audaz e de constante oposição ao regime de Salazar e à censura. Nos anos 30, afirmou o seu lugar numa profissão dominada por homens, rejeitando terminantemente a criação de uma secção feminina — a «Tribuna de Mulher» — no jornal República, defendendo que na redação havia apenas jornalistas, independentemente do género.

Ao longo da sua carreira, passou por diversos órgãos de comunicação.

Vida Mundial Ilustrada, onde foi chefe de redação durante quatro anos, a partir de 1941. Diário de Lisboa (DL), ingressou em 1945, sob a direção de Joaquim Manso, cujo lema de “liberdade máxima e responsabilidade máxima” guiou o seu trabalho. Diário Ilustrado, deu continuidade à sua carreira onze anos após as suas reportagens mais emblemáticas no DL. Diário de Notícias (DN), entrou em 1958 e lá permaneceu até à reforma, com um breve interregno após a Revolução de Abril de 1974. O Dia, Jornal fundado por ela e outros dissidentes do DN em 1975, após incompatibilidades com a direção da época, composta por Luís de Barros e José Saramago.

Devido às suas convicções políticas e participação em manifestos republicanos, Manuela Azevedo foi vigiada pela PIDE desde 1945 e teve inúmeros artigos censurados, incluindo investigações polémicas sobre a Eutanásia e a Sociedade das Nações.

Manuela de Azevedo ficou conhecida pela sua irreverência e capacidade de conseguir o impossível. Entre os seus feitos mais notáveis destacam-se:

Humberto II de Itália: em 1946, disfarçou-se de criada para conseguir entrevistar o rei exilado em Sintra, uma proeza que teve eco internacional através da Reuters.

Ernest Hemingway: Conseguiu travar a partida de um navio transatlântico durante uma hora para entrevistar o escritor.

Evita Perón: Durante a visita da líder argentina a Portugal, assumiu as rédeas da conversa, sendo elogiada pelo escritor Ferreira de Castro pela sua malícia e perspicácia como entrevistadora.

Caça à Baleia: Passou 13 horas no mar na Madeira a acompanhar a caça à baleia, mesmo sem saber nadar, resultando numa série de reportagens para o DN.

Para além do jornalismo, dedicou-se à literatura, publicando poesia, contos, romances e crónicas, como as obras Claridade, Filhos do Diabo e Guerra Junqueiro: a obra e o homem.

Fora das redações, dedicou mais de 40 anos à fundação e presidência da Associação para a Reconstrução e Instalação da Casa-Memória de Camões, em Constância.

Reformou-se do jornalismo em 1996, aos 85 anos. O seu percurso foi reconhecido com diversas condecorações, incluindo a Ordem da Liberdade (2015), a Medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa (2016) e a Ordem da Instrução Pública, entregue por Marcelo Rebelo de Sousa no seu 105.º aniversário.

Faleceu em 2017, deixando como último livro publicado O pão que o Diabo Amassou.