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News Standard

Cartazes & Vídeos, Lda

Os caminhos da Propaganda enchem-se de vídeos e de cartazes para espalharem ideologias, causas e propósitos. É o primado do visual – que marca sem explicar, que emociona sem racionalizar. Do Tio Sam à Juventude Hitleriana e a Che Guevara

A moda das pivôs

Desde os finais da década de 1950 que os e as pivôs da televisão portuguesa têm chegado às nossas casas com peças de roupa que marcam diferentes gerações. Lembra-se das calças à boca de sino dos anos 70 ou dos padrões garridos do anos 80?

Desde os finais da década de 1950 que os e as pivôs da televisão portuguesa têm chegado às nossas casas com peças de roupa que marcam diferentes gerações. Lembra-se das calças à boca de sino dos anos 70 ou dos padrões garridos do anos 80?

LinkedIn

Lançado a 5 de maio de 2003, o LinkedIn é uma rede social dedicada à área profissional e de negócios. A página conta com mais de 400 milhões de utilizadores, a maioria dos quais é norte-americana.

Lançado a 5 de maio de 2003, o LinkedIn é uma rede social dedicada à área profissional e de negócios. A página conta com mais de 400 milhões de utilizadores, a maioria dos quais é norte-americana.

Grândola Vila Morena, a senha

Vinte minutos depois da meia-noite do dia 25 de abril de 1974, a voz de Zeca Afonso passa na Rádio Renascença. “Grândola Vila Morena” é a segunda senha de uma revolução que traz a Portugal a democracia.

Passavam vinte minutos da meia-noite do de 25 de abril de 1974 e a voz de Zeca Afonso passava ao microfone da Rádio Renascença. “Grândola Vila Morena” era a segunda senha de uma revolução que iria trazer a Portugal a democracia.

 

 

Narrativas

O Jornalismo é feito de estórias. As figuras que ficam na memória, os casos que fizeram primeira página e abrem noticiários. Verifique se é um especialista nas grandes peças do mundo mediático

O Jornalismo é feito de estórias. As figuras que ficam na memória, os casos que fizeram primeira página e abrem noticiários. Verifique se é um especialista nas grandes peças do mundo mediático.

25 de abril: A Rádio ao comando

A Rádio transmite as senhas. Primeiro, João Paulo Diniz (EAL), depois Leite de Vasconcelos (RR). A meio da madrugada, Joaquim Furtado (RCP) torna-se na voz do Movimento das Forças Armadas

Libertação de Nelson Mandela

Depois de mais de 27 anos atrás das grades, Nelson Mandela voltou a ser um homem livre a 11 de fevereiro de 1990. Viaje até à África do Sul e faça a cobertura jornalística da libertação do ativista, que se tornou um símbolo da luta contra o racismo e a opressão

Depois de mais de 27 anos atrás das grades, Nelson Mandela voltou a ser um homem livre a 11 de fevereiro de 1990. Viaje até à África do Sul e faça a cobertura jornalística da libertação do ativista, que se tornou um símbolo da luta contra o racismo e a opressão

O «Grande Jornalzinho» da Rua dos Calafates

Os 150 anos do Diário de Notícias levam o jornalista Pedro Foyos a produzir um livro sobre os primórdios da publicação do jornal de Eduardo Coelho e o tipo de Jornalismo noticioso (por oposição ao panfletário) que começa a praticar-se na segunda metade de Séc. XIX

Pedro Foyos faz justiça ao papel pioneiro que o  Diário de Notícias desempenhou na nossa indústria dos Media ao valorizar o noticiário e ao criar um novo modelo de distribuição.

A notícia de última hora

Ao final da tarde de 1 de fevereiro de 1908, chegam à redação do Diário de Notícias relatos de um acontecimento que muda a História do país.

O Rei de Portugal tinha sido assassinado.

Ali, «mesmo ao lado» da redação do diário generalista, o monarca e o Príncipe Real D. Luís Filipe sucumbe perante os tiros de carabina.

A notícia causa o pânico no Diário de Notícias.

 

 

 

A primeira página que se antecipou à manchete

A capa da edição do dia seguinte já está fechada.

Sobra um canto na parte inferior da primeira página, dedicado a notícias de «Última Hora», mas indigno de um acontecimento de tal importância.

Refazer a página é inviável; o procedimento demora horas e atrasa a publicação do periódico, no momento em que o país mais anseia por novidades.

Um atraso de meros minutos pode pôr em causa metade da edição, pois os exemplares são transportados por via-férrea para as principais cidades do país.

 

 

Surge a ideia de publicar um «Supplemento»

Em situações extraordinariamente relevantes, o Diário de Notícias já tinha recorrido a este método, disponibilizando uma folha solta para informar os seus leitores.

A ideia acaba por ser posta de lado, por ser impossível imprimir, em simultâneo, a edição do dia e o «Supplemento».

Além disso, três horas volvidas sobre o regicídio, ainda não existe informação suficiente para preencher uma folha.

Os jornalistas do Diário de Notícias anteveem uma longa noite na redação.

 

Entre os relatos fantasiosos e os testemunhos emocionados da tragédia vivida horas antes no Terreiro do Paço, os repórteres correm as ruas da cidade em busca de informação credível.

Na febril atmosfera da redação, o redator Luiz Trigueiros agrupa os parcos factos: o Rei e o Príncipe-herdeiro morrem; a viúva Dona Amélia e o filho D. Manuel estão vivos e os autores do atentado, «possivelmente apenas dois», são abatidos no local e depositados no necrotério.

As horas avançam e urge tomar uma decisão.

 

 

Opta-se por um procedimento inédito. O texto em chumbo da capa, distribuído por oito colunas, desce em bloco. 

As linhas finais, ao fundo da página, são cortadas às cegas. Na tentativa de não se truncar grosseiramente as notícias, algumas acabam por ser excluídas.

Abre-se, assim, espaço, no topo da primeira página, para um título com três linhas, seguido de uma prosa introdutória. Todo o restante alinhamento permanece inalterado

O «Gravissimo attentado contra a Familia Real» divide, assim, a página com a habitual secção «Festas e diversões do dia» e com «Concurso de pobreza»

 

 

 

A informação sobre o regicídio encontra-se limitada exclusivamente ao título.

O texto, que se pensa ser da autoria do «redactor principal», Brito Aranha, é de natureza editorial, com um início peculiar: «À população de Lisboa não vamos certamente dar uma noticia que, na sua parte essencial, a surprohenda», pode ler-se.

 

 

A missão do Diário de Notícias é clara: «narrar, sem os commentarmos, os factos hontem ocorridos»

O leitor é encaminhado para a página 2, onde encontra «informação relativa ao attentado»: a narrativa possível, num rol de contradições e especulações.

Escolhida a primeira página; a redação não descansa. Afinal, da tipografia vêm rumores que a impressora do rival O Século trabalha a um ritmo nunca antes visto….

 

 

O novo rei

A 3 de fevereiro, dois dias depois do regicídio, é o novo Rei o protagonista da primeira página.

A D. Manuel II, o «joven principe que ainda ha dois dias ninguem supunha estar tão proximo a assentar-se no throno real», o Diário de Notícias deseja que seja tão «venturoso» como o primeiro monarca com esse nome.

A capa inclui imagens de arquivo, mostrando, além do novo Rei, o local do atentado, o patriarca resignatário de Lisboa e o conselheiro Ferreira do Amaral, a quem cabe formar o novo Ministério.

A cobertura de um acontecimento de tal importância e imprevisibilidade deixa a descoberto as dificuldades gráficas que, por esta altura, ainda se apresentam a um jornal diário.

 

Só três dias depois do atentado, a 4 de fevereiro, é que surgem fotografias, com destaque para os cadáveres dos assassinos e de outras vítimas.

Perante a inexistência de registos fotográficos do momento do assassinato, os ilustradores estrangeiros apostam em reconstituições, mais ou menos fantasiosas, que são publicadas nas páginas de diversas revistas mundiais.

Apesar da questionável interpretação dos factos, muitas são reproduzidas nos meios nacionais, dando cor a um dos acontecimentos mais sangrentos da história da Família Real Portuguesa.

 

 

A notícia que perdurou

Durante 20 dias, o regicídio está nas páginas do Diário de Notícias.

Os funerais de D. Carlos e D. Luís Filipe, aos quais assistem delegações estrangeiras, são tema de várias páginas, ilustradas por desenhos.

Começa a escrever-se uma estória que culmina dois anos depois, com a implantação da República em Portugal.

Para a história do Diário de Notícias fica aquele dia 1 de fevereiro, em que a notícia que não pode deixar de ser dada chega já depois do fecho da edição.

 

Diário Popular

Apresenta-se como «O jornal de maior expansão do mundo português». O Diário Popular é fundado a 22 de setembro de 1942, com sede na Rua Luz Soriano, e introduz muitas inovações na indústria da Imprensa. O vespertino cessa publicação em 1991

Evolução na Continuidade

Em 1969, Marcello Caetano, durante um discurso, torna público o slogan que caracteriza o período em que é Presidente do Conselho. A Primavera Marcelista tem como missão passar a mensagem de uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada em Portugal.

Em 1969, Marcello Caetano, durante um discurso, torna público o slogan que caracteriza o período em que é Presidente do Conselho. A Primavera Marcelista tem como missão passar a mensagem de uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada em Portugal.

Inglaterra vs. Alemanha

Das partidas disputadas pelos soldados das trincheiras às grandes competições internacionais, passando pela inesquecível final do Mundial de 1966. Será a rivalidade futebolística entre Inglaterra e Alemanha unilateral?

“Football is a simple game” [«O futebol é um jogo simples»], resumiu o antigo jogador inglês Gary Lineker. “22 men chase a ball for 90 minutes and, at the end, the Germans always win [«22 homens perseguem uma bola durante 90 minutos e, no final, os alemães ganham sempre]. Mas nem sempre foi assim.

A “finest hour” do futebol inglês

“They think it’s all over… it is now!” [«Eles pensam que está tudo terminado… agora está!»]

Estádio de Wembley, 30 de julho de 1966. Aos 120 minutos, Geoff Hurst marcava o quarto golo da Seleção Nacional de Inglaterra e carimbava a vitória sobre a Alemanha e o título de campeões do mundo de 1966.

As palavras de Kenneth Wolstenholme, comentador da BBC, ficaram imortalizadas na cultura popular inglesa como um símbolo do triunfo.

O capitão Bobby Moore recebeu o troféu das mãos da Rainha Isabel II, coroando o final de um jogo acompanhado em direto por 4000 milhões de pessoas de todo o mundo.

 

 

“Like Royalty, they stand on the balcony to hear the cheers of the great crowd” [“Como membros da Família Real, vêm à janela escutar os aplausos da grande multidão»], escreveu o Sunday Mirror, a 31 de julho de 1966. “This was the England team last night after their great 4-2 World Cup win against West Germany” [«Esta foi a equipa inglesa na noite passada, depois da sua grande vitória por 4-2 no Campeonato do Mundo frente à Alemanha Ocidental»].

O título mundial, o único conquistado até então pelos Three Lions, fez capas por todo o país.

A celebração ganhava ainda mais fulgor por se tratar de uma vitória contra um adversário com um historial de peso.

Um historial que não passava necessariamente pelo campo de futebol.

“West Germany may beat us at our national sport today, but that would be only fair. We beat them twice at theirs” [«A Alemanha Ocidental pode derrotar-nos hoje no nosso desporto nacional, mas seria apenas justo. Nós derrotamo-los duas vezes no deles»], escrevey Vincent Mulchrone, do Daily Mail, na manhã da final do Campeonato do Mundo.

Em 1966, as feridas das duas Guerras Mundiais ainda estavam por sarar e os antagonismos eram transpostos para o desporto-rei.

Foi aliás, durante uma guerra que Inglaterra e Alemanha disputaram um dos seus mais lendários jogos de futebol.

Em 1914, a trégua de Natal entre os soldados que combatiam na Primeira Guerra Mundial deu a origem a uma partida de futebol disputada em terra de ninguém.

“Every acre of meadow under any sort of cover in the rear of the lines was taken possession of for football” [«Cada acre de terreno debaixo de qualquer tipo de cobertura na retaguarda das linhas foi utilizado para futebol»] , escreveu o The Guardian.

Os fora-de-jogo, as faltas e os golos políticos

A primeira partida entre as duas nações numa competição oficial teve lugar em 1930. O jogo, que decorreu em Berlim, terminou com um empate a três bolas.

Uma vez que o encontro foi organizado em solo estrangeiro, a cobertura mediática dos meios ingleses foi escassa. O TheTimes publicou apenas uma nota a informar do resultado.

Em 1938, a história foi bem diferente: desporto e política cruzaram-se no relvado do Estádio Olímpico de Berlim.

“The English team immediately made a good impression by raising their arms in the German salute while the band, after playing ‘God Save the King’, played the German National Anthem” [«A equipa inglesa deixou imediatamente uma boa impressão ao levanter os seus braços na saudação alemã enquanto a banda, depois de tocar “God Save the King”, tocou o hino nacional alemão»], escreveu o The Times.

O gesto tinha sido promovido pela Football Association e a Embaixada Britânica na Alemanha, por uma questão de diplomacia e devido à política externa inglesa [“peace for our time” – «paz para o nosso tempo»].

 

 

A Alemanha anexara a Áustria dois meses antes; o partido nazi ganhava força e a partida amigável frente aos ingleses era vista como uma forma de propaganda.

Em campo, os Three Lions ganharam por 6-3. Na imprensa britânica, o destaque não foi apenas para os golos. Os jornais criticaram a saudação nazi, referindo que Hitler nem sequer estava presente no estádio.

No ano seguinte, começava a Segunda Guerra Mundial e os países voltavam a medir forças, desta vez no campo de batalha.

O conflito mundial ditou o fim dos jogos entre as duas nações durante mais de 15 anos.

À data do seu encontro seguinte, em 1954, a Alemanha tinha sido dividida em duas. O estádio de Wembley foi palco da partida amigável frente à Alemanha Ocidental, que os ingleses venceram por 3-1.

Apesar da rivalidade, só durante o Mundial de 1966 é que as equipas se defrontaram pela primeira vez na final de uma grande competição.

A vitória conquistada pelos ingleses na final de Wembley permanece o único título mundial dos Three Lions.

A Alemanha soma quatro títulos mundiais (1954, 1974, 1990 e 2014) e três europeus (1972, 1980 e 1996).

 

Os jornais em campo

As derrotas frente à Alemanha – especialmente em 1970 e nos penáltis, em 1990 – contribuíram para alimentar a rivalidade… pelo menos do lado dos ingleses.

 ”The so-called rivalry is quite obviously an illusion, existing only in the minds of those wishful to the point of insanity – which is to say, the English” [«A suposta rivalidade é, obviamente, uma ilusão, existindo apenas nas mentes daqueles iludidos a ponto de insanidade – o que quer dizer, os ingleses»], escreveu Marina Hyde do The Guardian.

Um antagonismo que ficou mais claro do que nunca durante o Europeu de 1996.

“Achtung! Surrender – For you Fritz, ze Euro 96 Championship is over” [«Achtung! Rendam-se – Para ti, Fritz, o Euro 96 está terminado»], publicou o Daily Mirror.

As referências à Segunda Guerra Mundial foram uma constante na cobertura dos media britânicos, que procuraram incendiar ainda mais a rivalidade com os alemães.

Uma ideia deixada clara pelo editorial de Piers Morgan, do Mirror. “Last night our ambassador in Berlin handed the German government a note” [«Na noite passada, o nosso embaixador em Berlim entregou uma nota ao Governo alemão»], escreveu, parafraseando a declaração de guerra de Neville Chamberlain, em  1939. “We are at soccer war with Germany” [«Estamos em Guerra futebolística com a Alemanha»].

 

 

A violência da cobertura não despoletou reações consensuais junto do público.  “Well that’s because of the nature of tabloid journalism in Britain. I’m afraid it doesn’t take itself too seriously and there is a lot of fun, a lot of imagination, goes into the presentation of our pages, and it’s all part and parcel of covering football in England” [«Bem isso é devido à natureza do jornalismo tabloide na Grã-Bretanha. Receio que não se leve muito a sério e que muita diversão, muita imaginação seja utilizada na apresentação das nossas capas, e é tudo parte da cobertura futebolística em Inglaterra»], explicou Phil Walker, editor do Daily Star.

Inglaterra volta a triunfar

Mais de trinta anos depois da vitória de 1966, os ingleses voltaram a protagonizar um mediático triunfo frente aos germânicos.

Em 2001, durante a qualificação para o Mundial, os Three Lions venceram por 5 a 1, um resultado histórico. Ambas as seleções ficaram qualificadas para a prova.

Para o Daily Mail, a vitória, foi “one of those moments you will always remember… like VE Day” [«um daqueles momentos que recordará para sempre… como o VE Day»].

 

 

 

Enquanto os adeptos britânicos celebravam, os olhos dos alemães estavam em Dublin, onde a equipa holandesa tinha sido derrotada e afastada do Mundial de 2002.

“Suddenly total strangers began to embrace and the pub where I had gone for the post-match drink shook with a defiant and heart-felt rendition of ‘We’re going to the World Cup without Holland!’” [«De repente, estranho começaram a abraçar-se e o pub onde tinha ido tomar uma bebida após o jogo abanou com uma desafiante e sentida versão de ‘Vamos ao Mundial sem a Holanda!»], descreveu o especialista alemão Uli Esse, num artigo publicado pelo Mirror.

Para os adeptos alemães, Inglaterra era vista como um adversário histórico, mas o verdadeiro rival era a vizinha Holanda.

Já em Inglaterra, com Escócia e País de Gales normalmente afastados das grandes competições internacionais, Alemanha era o inimigo futebolístico de eleição.

Afinal, escreve o Times, “England versus Germany has become a metaphor for our relative standing in the world” [«Inglaterra versus Alemanha tornou-se uma metáfora para a nossa posição relativa no mundo»].

Em 2010, novo Campeonato do Mundo… e mais polémica. Os ânimos aqueceram ainda antes do início da competição.

Um polvo, três leões e a vitória alemã

 “Germany is set to kick up a Reich stink at the World Cup by playing in Nazi-style black shirts” [«Alemanha prepara-se para ter um começo à moda do Reich no Mundial, ao vestir camisas negras ao estilo nazi» , escreveu o Daily Star, referindo-se ao novo equipamento dos alemães.

Durante a competição, as duas equipas defrontaram-se, uma partida antecipada fervorosamente pelos media.

“Job done… now for the Hun” [«Trabalho feito… agora para os Hunos»], publicou o Daily Star; “Herr we go again” [«Aqui vamos novamente»], lia-se no The Sun. O tabloide inglês fez capa com “Germans terrified of 3 lions” [«Alemanha aterrorizada com “3 lions”»].

A imprensa alemã não se deixou intimidar. “England, wir schlagen Euch!” [“Inglaterra, vamos arrasar-vos!”], publicou o jornal Bild. “England erklärt uns den Fußball-Krieg”[“Inglaterra declarou guerra de futebol contra nós”], escreveu o Berliner-Kurier.

A supremacia alemã voltou a verificar-se, como aliás, fora previsto pelo polvo Paul, também ele um verdadeiro fenómeno mediático. A Alemanha venceu por 4 a 1 e Inglaterra acabou por ficar pelo caminho, um resultado que não era inesperado.

 

 

Desde o Mundial de 1966, os Three Lions raramente venceram os germânicos nas principais competições internacionais e as partidas não tiveram consequências de maior para os alemães nas provas disputadas.

A Die Mannschaft, nome pelo qual é conhecida a equipa alemã, foi também a última equipa a derrotar Inglaterra no antigo Wembley Stadium e a primeira a vencer os anfitriões no estádio renovado.

A hegemonia germânica continuou a eclipsar os rivais ingleses, transformando este conflito numa rivalidade unilateral.

Marcas de Ferro

Os símbolos da identidade nacional criados, na década de 1930, à medida da Ditadura, ficam a cargo de António Ferro. O maior propagandista português desdobra-se em iniciativas de incentivo às artes e à promoção do regime. Deixa marca na Marca Portugal e muitas das suas criações sobrevivem ao fim do salazarismo

A ideia do fado enquanto música nacional, do galo de Barcelos como símbolo, do turismo enquanto produto, da cultural popular, da reconstrução dos castelos, do teatro e do cinema de rua ou a ideia do acesso aos livros nas aldeias de um país rural. Tudo isto tem a assinatura de António Ferro. Décadas antes de se falar sobre indústrias criativas, conteúdos turísticos, cultura pop ou da marca Portugal. Décadas antes destas definições terem sido sequer inventadas.

Jornalista, escritor, político, repórter, mecenas, propagandista, criativo. Homem das letras e da cultura. António Ferro reinterpretou e reinventou pequenas tradições culturais populares criando novos ícones e símbolos para o país. Ao mesmo tempo aproveitou o seu estatuto para promover uma nova geração de criadores que transformaram as artes em Portugal. Da música à escultura, da arquitetura à pintura, passando pelo cinema. António Ferro foi um contador de histórias e o grande mecenas de um período muito fértil de criação artística.

O seu legado sobreviveu ao regime, à passagem do século e marca ainda hoje a ideia que os portugueses têm de Portugal e a forma como os outros olham para o nosso país.

António Ferro nasceu em 1895. Cresceu no desassossegado período da primeira república. Tempos politicamente e socialmente conturbados onde se distinguiria como autor modernista, discípulo de Mário Sá-Carneiro.

Ficaria ligado ao movimento que incluía nomes como Fernando Pessoa, Almada Negreiros ou Santa-Rita.

Segue este movimento também nas ideias políticas evoluindo na crítica ao sobressalto e à instabilidade da Primeira República. Confesso admirador de Sidónio Paes segue para Angola como oficial miliciano acabando por tornar-se secretário-geral do Governo Provincial.

No regresso a Lisboa apaixona-se pelo jornalismo e afirma-se nas redações de O Jornal, Diário de Lisboa, o Século e da revista Ilustração Portuguesa. Continua a publicar prosa e verso confirmando a sua capacidade enquanto criador artístico.

É, no entanto, a vivência de repórter internacional do Diário de Notícias que lhe dá mundo e a oportunidade de entrevistar e conhecer personalidades marcantes e controversas do seu tempo: Adolf Hitler, Benito Mussolini, Primo de Rivera. Ferro deixa-se fascinar pelos regimes autoritários da época. Conduz uma série de entrevistas ao então Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar e aceita o convite para dirigir o Secretariado Nacional de Propaganda. Dá vida ao SNI, a uma central de comunicação que tem como objetivo de promover e consolidar o regime criado pela nova Constituição. Dá vida a uma ideia do próprio António Ferro.

Estávamos em 1933. Nascia o Estado Novo. Nascia a ditadura de Salazar.

Nos dezasseis anos seguintes António Ferro cria, reinventa e reinterpreta histórias e tradições portuguesas. A este movimento chama-lhe «Política de Espírito». Mais do que propaganda aos feitos do regime, a «Política de Espírito» tratava da total e completa reconstrução da identidade nacional.

«A Política do Espírito [explicou] não é apenas necessária, se bem que indispensável em tal aspeto, ao prestígio exterior da nação: é também necessária ao seu prestígio interior, à sua razão de existir».

Aliou esta recriação da identidade portuguesa com um fulgor único de fomento cultural apoiando, promovendo e projetando a criação e produção artísticas nas suas diferentes disciplinas. Num misto de contador de histórias com encantador de histórias.

Estes dois movimentos, aparentemente contraditórios, são a marca distinta do seu legado. O António Ferro dos ranchos folclóricos, das saias nazarenas e das pequenas tradições populares é o mesmo mecenas do bailado, da Arte Moderna e dos movimentos artísticos de vanguarda.

Como ninguém caldeou história, com futuro e até com destino. Criou palcos para a liberdade artística e criadora de escultores, pintores e cineastas. Foi assim como comissário das exposições internacionais de Paris e Nova Iorque, mas especialmente na exposição do mundo português, em Belém, em 1940.

Ao mesmo tempo eleva-se o anónimo galo de Barcelos à categoria de símbolo nacional. A desconhecida Monsanto ao estatuto de Aldeia mais portuguesa de Portugal. Promove-se a ourivesaria do Viana, os trajes e os ranchos folclóricos.

Criam-se as Pousadas de Portugal para afirmar o país como destino turístico. Reabilitam-se os castelos históricos como forma de afirmação da sua identidade. Cria-se a cinemateca nacional para promover a sétima arte. Criam-se bibliotecas itinerantes, cinemas de rua e o teatro do povo. Cria-se a Companhia de Bailado Verde Gaio. Muitos portugueses têm pela primeira vez contacto com livros e manifestações culturais e artísticas.

Consagram-se criadores como Almada Negreiros, Leitão de barros e Raul Lino e nascem outros nomes que o país também não esqueceria. A voz da jovem Amália Rodrigues torna-se numa embaixada itinerante da «alma da nação». Manoel de Oliveira inicia a sua carreira como realizador. Até o mal-amado Fernando Pessoa tem a sua primeira distinção pública.

Naqueles dezasseis anos reuniu e rodeou-se dos melhores em cada uma das áreas. A propaganda confundia-se com o turismo, o turismo confundia-se com a arte, a arte confundia-se com a cultura, a cultura confundia-se com a identidade e a identidade confundia-se com a política.7

É também esta mescla única que lhe permite conquistar o respeito da elite artística e intelectual do país. Um respeito que foi para além da ideologia do próprio regime que servia.

António Ferro recriou o país. E em boa medida Salazar usou tanto António Ferro como Ferro usou o ditador para materializar uma ideia de Portugal que dificilmente partilhavam.

Morreu em Lisboa, em 1956. Tinha 61 anos. Poucos dias mais tarde a revista Time escrevia: «O seu país deve deplorar profundamente a morte prematura de quem tanto fez por ele».

O contador de histórias, que é um homem do mundo, tinha mudado a forma como mundo olhava para aquele Portugal.