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News Standard

As Public Relations na Aldeia Global

O contacto é permanente, a Comunicação instantânea. Com o nosso mundo transformado em Aldeia Global, as PR adaptam-se através da criação de novas ferramentas. Há disciplinas recentes, como o Online Reputation Management (ORM), que se tornam, rapidamente, em coqueluches dos novos tempos

A indústria das Public Relations foi redefinida com a proliferação da internet e dos media sociais e “trocou” o mercado da Influência pela Aldeia Global. 

Num mundo cada vez mais competitivo, a sobrevivência das organizações, das marcas e dos protagonistas depende da afirmação de identidades diferenciadoras.

As consultoras de Public Relations abandondam as técnicas tradicionais do Séc. XX, como a distribuição de comunicados de Imprensa, e evoluem para modelos de Comunicação adaptados ao novo ambiente da Aldeia Global.

Mas de onde surgiu o conceito de Aldeia Global?

O mundo é uma aldeia

A ideia de Aldeia Global nasceu, há meio século, na inteligência criativa do grande teórico da Comunicação Marshall McLuhan.

“These new media of ours … have made our world into a single unit. The world is now like a continually sounding tribal drum, where everybody gets the message… all the time.”

[«Estes novos media nossos… tornaram o nosso mundo numa única unidade. O mundo é agora como um tambor tribal contínuo, onde toda a gente recebe a mensagem… a toda a hora»].

As afirmações de Marshall McLuhan ribombam como um trovão na sociedade dos anos 60. Numa altura em que a televisão atravessava a sua infância e o computador pessoal não passava de um sonho distante, o investigador previa a conetividade do mundo.

Mas as ideias de McLuhan não se ficavam por aqui.

Ao afirmar que a figura do «livro» já não se encontrava num lugar predominante, o investigador previa igualmente como a juventude facilitaria a mudança do paradigma da imprensa para o plano eletrónico.

Na altura desta entrevista para a CBS, McLuhan trabalhava no seu primeiro livro, The Gutenberg Galaxy, que seria publicado em 1962.

Esta obra, juntamente com tantas outras, traria à luz várias teorias que mudariam para sempre a forma como vemos as tecnologias.

McLuhan dá o nome de media a todos os meios tradicionais que disseminam informação, como o discurso, a imprensa, ou as artes visuais.

Além disso, para o investigador, os Media são extensões dos sentidos humanos, como a roupa é uma extensão da pele e a roda uma extensão do pé.

Marshall McLuhan acabaria por ser o pai de expressões como «Aldeia Global» e «o meio é a mensagem».

Uma nova era

A invenção da imprensa de Gutenberg havia colocado a predominância do visual sobre a cultura oral. No entanto, o surgimento dos mediatecnológicos voltaria a substituir a cultura visual e do impresso pela cultura oral.

Para o teórico, as novas tecnologias – que iriam permitir a comunicação instantânea –iriam eliminar as barreiras geográficas e criar uma Aldeia Global.

Esta nova era permitiria que a Humanidade se organizasse em tribos, assistindo-se à passagem do individualismo para uma identidade coletiva – a chamada Aldeia Global.

Sem saber, McLuhan previa a comunicação instantânea e o advento da internet e da “world wide web”, cenários tão comuns nos dias de hoje.

“Today, after more than a century of electric technology, we have extended our central nervous system itself in a global embrace, abolishing both space and time as far as our planet is concerned.” , escreveu Marshall McLuhan, em Understanding Media, 1964.

[«Hoje, depois de mais de um século de tecnologia elétrica, estendemos o nosso sistema nervoso central num abraço global, abolindo o espaço e o tempo no que diz respeito ao nosso planeta»].

Os conceitos de McLuhan seriam revolucionários na sua altura.

O investigador baseou-se na televisão para sustentar que o meio em si tinha tanta influência no espetador quanto a mensagem que este transmitia.

Mais tarde, estudos científicos viriam confirmar a passividade dos telespetadores que assistem a programas de televisão.

O trabalho de McLuhan focar-se-ia no impacto das tecnologias de comunicação na cultura. Já a sua obra The Mechanical Bride: Folklore of Industrial Man, de 1951, constituiu-se como o estudo pioneiro do campo a que hoje chamamos cultura popular.

Os seus contributos para a teoria da comunicação valeram-lhe os títulos de «herói de culto» e «sumo-sacerdote da cultura pop».

A Aldeia Global tinha chegado para ficar.

RP em evolução

Com o mundo na palma da nossa mão, a questão que se impõe é como é que as disciplinas da Comunicação se apropriaram desta noção de McLuhan.

A frase «Think globally, act locally» nunca teve tanto impacto.

A pequenez do mundo fez mudar as formas de pensar das empresas e das organizações. A informação começou a fluir livremente, e o acesso a estes fluxos tornou-se possível em qualquer parte do mundo.

E as Public Relations adaptaram-se a estas novas correntes deste grande caudal que a Aldeia Global proporcionou.

«O que posso fazer para aparecer nos primeiros lugares da pesquisa do Google? Esta é já há algum tempo a pergunta de 1 milhão de euros no mundo do marketing digital», considera Luís Paixão Martins.

A Online Reputation Management (ORM) passou a ser um dos grandes enfoques, tentando responder às questões impostas pelo mundo acelerado da Internet.

Nunca os motores de busca como o Google tiveram tanta importância para as organizações.

Numa verdadeira procura pelo sucesso, não estar na rede significa ser esquecido, ou até simplesmente nem existir.

A disciplina de ORM consiste na monitorização de uma marca, organização, território, protagonista ou assunto no meio online, e respetiva intervenção, com o objetivo de contribuir para uma presença online factual, relevante e que vá ao encontro dos objetivos de Comunicação.

Uma importante evolução relativamente à forma como se praticava Relações Públicas antigamente.

Hoje em dia, o processo está tão naturalizado, que nos esquecemos que toda esta conceção da comunicação surgiu há muito tempo, quando ainda nem existia Internet.

As ideias de Marshall McLuhan penetraram na maneira como nós, na Aldeia Global, pensamos sobre a tecnologia e os mediade tal forma que, muitas vezes, não estamos conscientes do efeito revolucionador dos seus conceitos, aquando da sua primeira introdução.

O teórico criou esta ideia de um sistema nervoso planetário integrado que está tão enraizado na nossa cultura popular, que quando a Internet finalmente chegou à Aldeia Global, pareceu mais um acontecimento da ordem natural das coisas, e não o fantástico advento que realmente é.

As Relações Públicas têm evoluído para se adaptarem ao ritmo alucinante do atual sistema mediático.

Um sistema mediático desenvolvido num mundo onde as barreiras se esbatem e a informação viaja a uma velocidade nunca antes alcançada.

Bem-vindos à Aldeia Global.

A Propaganda através dos tempos

A Propaganda acompanha a Humanidade a par da Comunicação. A Igreja Católica batiza-a. Revoluções, guerras, ditaduras dão-lhe diferentes conotações ao longo do tempo, muitas vezes negativas. A própria Igreja Católica deixa cair a palavra. E a prática?

A Propaganda tem um problema de Reputação.  Já foi abençoada pelo Papa, já foi serviço público e objeto de carreiras respeitadas. Mas ganhou conotação negativa.

É, hoje em dia, sinónimo de manipulação. Nós recusamos ser objeto da Propaganda e ambicionamos ser-lhe imunes. Mas, se a palavra caiu em desgraça, as suas práticas desapareceram?

O primeiro uso conhecido de Propaganda remonta à Inscrição de Behistin, na Pérsia de 515 AC.

Existem ainda relatos de utilização das suas técnicas na Índia, Grécia Antiga e Império Romano.

O termo, propriamente dito, seria, no entanto, cunhado apenas muito mais tarde. É em 1622 que o Papa Gregório cria a Sacra Congregatio de Propaganda Fide.

Designada simplesmente como “Propaganda” e responsável pelo trabalho missionário da Igreja nos novos mundos.

Entretanto, no nosso velho continente, embaixadores, cronistas e políticos exaltam virtudes e feitos dos seus reinos.

Utilizam-se os primeiros “soundbites” e “keywords”, antes mesmo de as expressões anglo-saxónicas dominarem o léxico da Comunicação. São as primeiras técnicas de propaganda. Mas o termo de origem católica nunca é utilizado nesse contexto.

É com o surgimento e disseminação da Imprensa de Gutenberg, que a Propaganda ganha uma nova ferramenta e “industrializa” a propagação. Martinho Lutero é um dos precursores durante a Reforma.

A sensibilização da opinião pública torna-se determinante em momentos históricos como a Revolução Francesa, a Independência dos Estados Unidos ou a Abolição da Escravatura.

Quanto mais letrada e politicamente ativa é uma sociedade, mais necessária se torna a propaganda para “controlar” os meios de comunicação de massas e moldar a opinião pública.

Porém, a palavra “PROPAGANDA” só se banaliza durante a Primeira Guerra Mundial – e pela mão dos britânicos.

O primeiro-ministro Lloyde George ordena uma campanha oficial de recrutamento para as forças armadas e que, para aumentar a eficácia da mesma, se demonize o inimigo.

A campanha resulta. Milhares de jovens oferecem-se para morrer nas trincheiras da guerra contra o “inimigo demoníaco”.

A Propaganda é agora, oficialmente, um instrumento político de manipulação das massas. É aqui que começa a ganhar conotação negativa. Pouco depois, já na Segunda Guerra Mundial, as democracias aliadas evitavam utilizar a palavra.

Os serviços de Propaganda dos diferentes países aliados chamam-se agora Relações Públicas. Por recomendação dos próprios especialistas em Propaganda. Perdão, Relações Públicas.

Nos governos autoritários, continua a existir mais tolerância para o termo. Propaganda é nome de ministério e cargo para ministro. A Comunicação é vertical, totalitária. Os cidadãos convencem-se, não se ouvem.

A guerra divide a semântica mas não a essência. De um lado e do outro comunica-se para demonizar o inimigo e para alterar o comportamento dos civis.

Em Portugal, o que fica do Estado Novo deve-se à Propaganda. É a Propaganda que marca a agenda ideológica, social, histórica e cultural. Mesmo a marca “Estado Novo” fica a dever-se ao propagandista.

Após o 11 de Setembro (2001), a questão da Propaganda volta a ser seriamente debatida nos EUA. A campanha “Shared Values” procura mostrar uma imagem diferente do País aos muçulmanos de todo o mundo.

No presente, a Propaganda continua a impregnar as nossas vidas, através da TV, do Papel ou das Redes Sociais. E, se há países (como a Coreia do Norte) nos quais a sua manifestação continua a ser óbvia, nas democracias é bastante mais dissimulada.

A promiscuidade da Propaganda com o Jornalismo é um golpe fatal na isenção e no rigor. Mas existe um outro tipo de Propaganda que está, novamente, a assumir uma conotação positiva.

São as campanhas de carácter institucional, que procuram moldar a opinião pública para temas sociais. Os apelos ao exercício cívico, como as eleições, ao apoio a organizações da sociedade civil e a causas sociais.

A essência e as técnicas da Propaganda continuam vivas, mas a palavra apenas é usada, nos países democráticos, com conotação negativa.

Mesmo os seus criadores excluíram-na. Em 1988, o Papa João Paulo II faz desaparecer a polémica Sacra Congregatio de Propaganda Fide. Nasce a Congregação para a Evangelização dos Povos.

O edifício é, no entanto, o mesmo: na mesma Via di Propaganda (Roma).

Rádio

This exhibit showcases radio memorabilia and includes microphones, turntables, headphones and radios

This exhibit showcases radio memorabilia and includes microphones, turntables, headphones and radios

Instagram

Os filtros para fotografias são uma das grandes potencialidades desta rede social, que permite a partilha de momentos através de pequenos vídeos ou imagens. Criada em 2010, em apenas oito semanas, por Kevin Systrom e Mike Krieger, torna-se número 1 na categoria de fotografia da App Store, no dia do seu lançamento. 

Os filtros para fotografias são uma das grandes potencialidades desta rede social, que permite a partilha de momentos através de pequenos vídeos ou imagens. Criada em 2010, em apenas oito semanas, por Kevin Systrom e Mike Krieger, torna-se número 1 na categoria de fotografia da App Store, no dia do seu lançamento. 

Reel Séries do Jornalismo

Não só os filmes mas também as séries televisivas relatam as peripécias dos jornalistas que incessantemente buscam exercer a sua profissão livremente.

Não só os filmes mas também as séries televisivas relatam as peripécias dos jornalistas que incessantemente buscam exercer a sua profissão livremente.

Joshua Benoliel

Fotografa os grandes acontecimentos do seu tempo. Graças à sua obra podemos rever grandes momentos da história portuguesa do início do Séc. XX

Um fotojornalista não é um “bate-chapas”. Isso é evidente em Benoliel. Ele fotografa os principais acontecimentos do seu tempo, mas além do conteúdo, as suas fotografias são esteticamente belas. Momentos importantes da História de Portugal são recordados a partir ao seu trabalho

O fotojornalismo

A primeira fotografia de Joshua Benoliel foi publicada na revista Tiro Civil no ano de 1899. O fotógrafo nasce em 1873, no seio de uma família judaica estabelecida em Cabo Verde.

É nas primeiras duas décadas do século XX que o seu trabalho se faz notar. Acompanha a Casa Real, que gosta do seu trabalho e o convida para fotógrafo oficial das suas viagens. Era um apoiante da causa monárquica, embora à pergunta: «És monárquico ou republicano?» respondesse sempre da mesma forma: «Sou fotógrafo».

As suas fotografias caracterizavam-se pelo intimismo e humanismo com que abordava os temas.

Joshua Benoliel é considerado o criador da reportagem fotográfica em Portugal. Fez a cobertura jornalística de grandes acontecimentos da sua época, como as viagens dos reis D. Carlos e D. Manuel II ao estrangeiro. A Revolução de 1910 e as revoltas monárquicas durante a Primeira República foram acontecimentos que também não escaparam à lente de Joshua Benoliel.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o fotógrafo acompanhou o exército português que combateu na Flandres. Trabalhou para o jornal O Século e para a revista do mesmo jornal, a Illustração Portugueza. Colaborou ainda com as revistas O Occidente (1878-1915) e Panorama (1837-1868). O seu trabalho viu ainda luz no Brasil, nas publicações Atlantida (1915-1920) e Brasil-Portugal (1899-1914). A 13 de dezembro de 1921, foi condecorado com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Joshua Benoliel, através do seu trabalho, abriu caminho para que o Fotojornalismo em Portugal possa ter, hoje, o seu espaço de afirmação.

O fotojornalista Eduardo Gageiro disse em 2005, ao Jornal de Letras: «Um fotojornalista não é um “bate-chapas”. Isso é evidente em Benoliel. Ele fotografou os principais acontecimentos do seu tempo, mas além do conteúdo, as suas fotografias são esteticamente belas. É isso que aprecio muito na sua obra, sobretudo se pesarmos que na altura não havia máquinas digitais, nem automáticas, as películas eram muito lentas. Fico deslumbrado como é que ele – e outros, embora ele seja um expoente – conseguia fazer aquelas imagens espantosas».

Joshua Benoliel faleceu a 3 de fevereiro de 1932, aos 59 anos, deixando uma herança fotográfica de Portugal e das suas gentes.

Sons e momentos da Rádio Portuguesa

A Rádio portuguesa é cúmplice de momentos muito relevantes do Séc. XX. Recordamos reportagens que ficam na história. Do funeral do General Carmona à entrevista ao coveiro de Salazar, passando pelos populares folhetins e pela versão portuguesa da «Guerra dos Mundos»

Anúncio da Eleição do Papa Francisco

Viaje até à Praça de São Pedro, veja o fumo branco e ouça a icónica frase «Habemus papam». Em fevereiro de 2013, o argentino Jorge Bergoglio tornou-se o novo chefe máximo da Igreja Católica, depois de Bento XVI ter abdicado. Faça a cobertura televisiva da eleição do novo Papa, em direto do Vaticano

Viaje até à Praça de São Pedro, veja o fumo branco e ouça a icónica frase «Habemus papam». Em fevereiro de 2013, o argentino Jorge Bergoglio tornou-se o novo chefe máximo da Igreja Católica, depois de Bento XVI ter abdicado. Faça a cobertura televisiva da eleição do novo Papa, em direto do Vaticano

A Bola

Foi o grande resistente do Bairro Alto. A Bola viveu desde sempre na Travessa da Queimada nº33 onde nasceu, em 1945, como bissemanário, fundado por Cândido de Oliveira, António Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo. Em 1989 passa a 4 edições semanais e torna-se diário em 1995. Em 2012 acolhe a Bola TV.

Ich bin ein Berliner

Eu sou Alemão» é uma frase dita por John F.Kennedy, num dos seus discursos mais famosos. Em plena Guerra Fria, a 26 de junho de 1963, em Berlim Ocidental, o Presidente dos Estados Unidos tenta motivar e levar esperança aos cidadãos da RFA (República Federal Alemã) que temem uma possível ocupação soviética.
 

Eu sou Alemão» é uma frase dita por John F.Kennedy, num dos seus discursos mais famosos. Em plena Guerra Fria, a 26 de junho de 1963, em Berlim Ocidental, o Presidente dos Estados Unidos tenta motivar e levar esperança aos cidadãos da RFA (República Federal Alemã) que temem uma possível ocupação soviética.

Paulo Portas

Quando em 1995 inicia a carreira política, Paulo Portas já conta com um historial no Jornalismo. Passa por A Tarde e Semanário e, depois, funda o jornal O Independente – onde é muito crítico da política, políticos e governos vigentes, tornando-se um “enfant terrible” do cavaquismo.

Paulo Sacadura Cabral Portas nasceu em Lisboa, a 12 de setembro de 1962. Filho da economista, jornalista e escritora Helena Sacadura Cabral e do arquiteto Nuno Portas. É irmão de Miguel Portas, fundador do Bloco de Esquerda, falecido a 24 de abril de 2012, e meio-irmão de Catarina Portas, jornalista e empresária, filha de Margarida Maria Gomes de Sousa Lobo.

Artur Sacadura Cabral, o primeiro aviador a efetuar a travessia aérea do Atlântico Sul, juntamente com Gago Coutinho, em 1922 era tio-avô de Paulo Portas.

O início do Jornalista destemido

Aos 15 anos estreava-se no jornalismo como estagiário no Tempo, semanário fundado por Nuno Rocha a 29 de maio de 1975. Anos depois, a 27 de junho de 1981, o Expresso viria a publicar a crónica “Mercenários contra o ‘embaixador’”, baseada num documento de Nuno Rocha. Nela, os “mercenários” eram os jornalistas do Tempo que tinham faltado às festas do seu sexto aniversário. Paulo Portas era repreendido pelo seu diretor com 18 anos. Portas pertenceu ainda às redações dos jornais A Tarde e Semanário.

O percurso académico

Estudou no Colégio de São João de Brito, em Lisboa, de 1968 a 1979, e mais tarde licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, onde lecionou História do Pensamento Político em 1996. No mesmo ano, lecionou também a disciplina de História das Ideias Políticas na Universidade Moderna de Lisboa. Nesta instituição fundou e dirigiu em 1997 a Amostra, um polémico centro de sondagens.

O início da vida política

Em 1975, Paulo Portas iniciou a sua vida política na Juventude Social Democrata, onde foi diretor-adjunto do seu órgão oficial, Pelo Socialismo, de 01 de julho de 1979 a 16 de abril de 1980. O diretor era Manuel Moreira. No dia em que Paulo Portas fez 18 anos, a 12 de setembro de 1980, Sá Carneiro assinou a sua ficha de inscrição no PSD, onde viria a militante até 1982.

No ano de 1985, Portas empenhou-se na candidatura de Diogo Freitas do Amaral à presidência da República. Todavia, o jornalismo acabou por falar mais alto.

O Regresso ao Jornalismo

No dia 20 de maio de 1988, fundou com o escritor e jornalista Miguel Esteves Cardoso e o também jornalista e fotógrafo Manuel Falcão o semanário O Independente. A ideia surgiu do próprio Paulo Portas no jantar do seu 25º aniversário, a 12 de setembro de 1987, com Miguel Esteves Cardoso. O objetivo? Revolucionar a imprensa portuguesa que, na altura, era notoriamente marcada por tons mais de esquerda.

Assim, surge O Independente, um jornal de tom mais conservador e que viria a desempenhar um papel fundamental na evolução do partido Centro Democrático Social (CDS). Miguel Esteves Cardoso constituiu-se como primeiro diretor. Mais tarde, em maio de 1990, Paulo Portas assumiria o cargo até ao dia 28 de julho de 1995.

«Paulo Portas deixa a direção por considerar a política incompatível com o jornalismo, mas mantém a coluna de opinião», escreveu-se no semanário.

Paulo Portas destacava-se no semanário. Usava-o para tecer críticas muito duras ao governo do partido a que tinha pertencido (PSD), dirigido na altura por Aníbal Cavaco Silva.

Muitos dos que foram alvo de acusações por parte de O Independente, ao sentir a sua honra atacada, ripostaram. Por esse motivo, o jornal ver-se-ia obrigado a pagar pesadas indemnizações derivadas de processos de calúnias e de difamação. Além disso, uma redução drástica na venda de exemplares a partir de 2000 obrigaria a publicação a ser encerrada a 1 de setembro de 2006.

Na política, a todo o gás

Depois de ter deixado O Independenteem 1995, Paulo Portas dedica-se por inteiro à carreira política. Ingressou no CDS e foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Aveiro (1995, 1999, 2002, 2005, 2009 e 2011), tendo sido líder parlamentar de 1999 a 2001.

Em conjunto com o então líder do partido Manuel Monteiro, Paulo Portas revitalizou a imagem e a orientação política do CDS que passou a designar-se Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS/PP). No entanto, as divergências com Manuel Monteiro afastaram-no do Parlamento e da direção do partido. Em 1998, Manuel Monteiro renuncia à liderança e marca o XVI Congresso, no qual Paulo Portas é eleito presidente do partido, contra Maria José Nogueira Pinto (1998-2005 e desde 2007).

No papel de líder partidário, Paulo Portas começou a ir às feiras, romarias e eventos populares. Sempre preferiu o contacto direto com os eleitores e tal atitude destacou-o dos demais e valeu-lhe o epíteto de «Paulinho das feiras».

Em 2002, através da coligação do CDS/PP com o PSD, fez parte do XV Governo Constitucional, ocupando o cargo de ministro de Estado e da Defesa Nacional. Em 2004, após a demissão de Durão Barroso, que viria a ser presidente da Comissão Europeia, e a entrada de Santana Lopes no XVI Governo Constitucional, Paulo Portas mantém o mesmo cargo, sendo-lhe inesperadamente acrescentada a pasta dos Assuntos do Mar.

Nas legislativas de 2005, o CDS/PP não conseguiu obter 10% dos votos de forma a evitar a maioria absoluta do Partido Socialista (PS), Paulo Portas anuncia a sua retirada da presidência do partido e José Ribeiro e Castro sucede-lhe (2005-2006). No mesmo ano, 2005, recebia a medalha “Distinguished Public Service Award”, pelo secretário da Defesa dos Estados Unidos da América, Donald H. Rumsfeld.

Acabou por se dedicar à análise da atualidade política na SIC Notícias em 2005 e 2006 e no ano seguinte, em 2007, regressaria à vida política ativa com uma candidatura à Comissão Política Nacional do CDS/PP. Obteve cerca de 75% dos votos sobre Ribeiro e Castro, o que o levou de volta à liderança do partido.

Em 2011 toma posse como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no XIX Governo Constitucional ao lado de Pedro Passos Coelho, do PSD, como Primeiro-Ministro. Dois anos depois, após mais uma crise na coligação governamental, Paulo Portas é promovido a Vice-Primeiro-Ministro, ficando encarregue da coordenação das políticas económicas, do relacionamento com a Comissão de Credores e da reforma do Estado.

Antagonistas

No reverso da moeda da Propaganda há intelectuais que ensaiam, nos sótãos dispersos na história e no mundo, a crítica da ilusão de massas. Como George Orwell, Noam Chomsky, Pacheco Pereira.

Um instrumento injustificável ou uma necessidade incompreendida?

Estes homens não tiveram dúvidas: a Propaganda é nefasta e deve ser combatida a todo o custo – a bem do pensamento crítico e da expressão individual.

Noam Chomsky

Ativista político, linguista, professor

“A Propaganda é, para uma democracia, aquilo que o cassetete é para um estado totalitário”.

Nascido em 1928, Chomsky foi uma voz crítica do envolvimento dos Estados Unidos na guerra do Vietname, alertando para os perigos da Propaganda em democracia.

Chomsky considera os Media a ferramenta mais eficaz para exercer esse controlo, ficando assim ao serviço do poder e dos filtros que este cria.

George Orwell

Repórter, soldado, escritor

“Toda a Propaganda é mentira, mesmo quando alguém está a dizer a verdade”.

Nascido em 1903, Orwell foi um visionário. A sua obra mais popular, 1984, alertou em 1949 para uma sociedade fortemente controlada, com os meios de comunicação a espartilharem qualquer expressão individual.

A lição que retirámos daí? Ter dado o nome de “Big Brother”, o personagem que simbolizava este controlo, ao primeiro reality-show de 24 horas sobre 24 horas.

José Pacheco Pereira

Historiador, comentador, politólogo

“Já não há verdadeiramente atividade governativa a não ser sessões de Propaganda, uma a seguir às outras”.

Pacheco Pereira não tem dúvidas ao afirmar que a qualidade dos Media portugueses “é má” e que a maioria das perguntas não tem qualquer espécie de relevância, não são preparadas e não são pensadas”.

O aviso é claro: estamos perante “a espetacularização do espaço público, que é o terreno ideal dos manipuladores”.

Howard Zinn

Historiador, Politólogo, autor

“Se os responsáveis pela nossa sociedade conseguirem dominar as nossas ideias, eles vão estar seguros no seu poder”.

Para Zinn todos nós somos a peça-chave da Propaganda, já que praticamos a autocensura.

Zinn acreditava que os relatos da guerra do Vietname que chegavam à narrativa oficial eram deturpados. Acima de tudo, por serem pouco focados na real história das populações.

Gore Vidal

Escritor, ensaísta, ativista

“A imprensa americana existe com apenas um propósito: convencer os americanos que estão a viver no melhor e mais invejado país na História do mundo”

Foi opositor feroz não só da Guerra do Vietname como também da Guerra do Iraque. Denunciou o comportamento dos Media, que tanto o dececionavam, durante estes conflitos.

Informar deixou de ser uma prioridade? Gore Vidal vai mesmo mais longe e declara que é a última coisa que a América corporativa deseja fazer.