José Manuel Paquete de Oliveira nasceu em 1936, no Funchal (Madeira), e morreu em Lisboa, no dia 11 de Junho de 2016. Foi ordenado padre em 1960, depois de ter frequentado o Seminário do Funchal, onde foi professor e responsável pela área da Educação.
Foi, na ocasião, membro da direção do Clube Desportivo Nacional (o Nacional da Madeira), tendo, inclusive, dirigido o boletim então editado pelo clube e integrado, em 2010, a comissão de honra comemorativa do centenário.
Apaixonado desde cedo pelo Jornalismo (aos 23 anos, já padre, foi chefe de redação do Jornal da Madeira, um diário, então, ligado à diocese do Funchal) e, mais tarde, pela Sociologia, licenciou-se em 1973, em Ciências Sociais (ramo da Sociologia) na Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
Após a revolução de 25 de Abril, já desvinculado do sacerdócio, dirigiu o Diário de Notícias (da Madeira) e integrou a Junta de Planeamento, órgão de gestão governativa do Arquipélago até à criação das novas estruturas democráticas.
Em 1976, é convidado, por Adérito Sedas Nunes, a lecionar a disciplina de Sociologia da Comunicação no ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (hoje, ISCTE – IUL-Instituto Universitário de Lisboa), no curso que apenas viria a ser reconhecido no ano seguinte, já que, mercê da oposição reiterada do Estado Novo, “a sociologia portuguesa”, como escreveu Madureira Pinto, só começou verdadeiramente” depois de Abril de 74
Ao ISCTE, Paquete de Oliveira dedicou a vida, a ponto de, segundo José Rebelo, essa docência ter marcado a sua própria identidade. Com a importante curiosidade de, na opinião de Céu Neves, jornalista que foi sua aluna, mulher e mãe dos seus dois filhos, à prática do jornalismo, ter associado a prática do estudo e a prática da investigação.
Recorda, a propósito, que, logo no primeiro dia de aulas, «o José Manuel identificava todos os alunos pelo nome», porque, como o viria a “constatar mais tarde”, antes de iniciar o ano letivo, lia atentamente o currículo de cada aluno, debruçando-se particularmente sobre as fotos.
Foi ainda no ISCTE que se doutorou (1988), com uma tese que, sob o título de Formas de “Censura Oculta” na Imprensa Escrita em Portugal no Pós 25 de Abril (1974-1987), continua a constituir um documento indispensável ao entendimento das complexas relações dos media com a sociedade – em causa, as «censuras invisíveis». Naquele Instituto, assumiu também importantes cargos científicos e de gestão, tendo integrado, designadamente, o seu Conselho Executivo (1989-2006). Dirigiu, entre 1986 e 1989, Sociologia, Problemas e Práticas, revista de que foi um dos fundadores.
Atento à evolução e inovação da comunicação, criou, cerca de uma década depois, o pioneiro curso de mestrado na área da Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, onde, segundo António Firmino da Costa, investigador e sociólogo que foi professor catedrático no ISCTE-IUL, «adicionou às vertentes da sociedade, da cultura, da comunicação e do poder a modernidade das novas tecnologias». Com a importante vantagem de, no dizer de alguém, sempre ter pugnado pela abertura da universidade ao mundo e sempre ter recusado a restrição da «investigação à academia».
Lecionou ainda no Instituto Superior de Economia (atual ISEG) e no Centro de Estudos Judiciários. Foi um dos fundadores da SOPCOM, a Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, criada em 1998, com o objectivo de representar a investigação em Ciências da Comunicação junto do poder político, tendo integrado a sua primeira direcção e sido seu presidente, entre 2002 e 2005. Foi membro do Conselho Consultivo da Comissão Nacional da UNESCO (1999-2002), presidiu, entre 2002 e 2006 à direção da LUSOCOM, a Federação Lusófona de Ciências da Comunicação fundada em 1998, com o objetivo de promover o desenvolvimento de estudos das ciências e políticas da comunicação no espaço lusófono, e ao Conselho Geral da Universidade da Beira Interior.