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News Standard

Tolentino de Nóbrega

Madeirense, ficar eternamente conhecido como o jornalista que fez frente ao governo de Alberto João Jardim, apesar das tentativas de silenciar o repórter. Contra tudo e todos, Tolentino de Nóbrega persiste e mantém a sua coragem em nome de um jornalismo livre e independente

Tolentino de Nóbrega estreia-se no Jornalismo dos anos 70, consolidando a sua carreira no Público. Inconformado, enfrenta o poder regional e luta pela profissão e pela liberdade de expressão e informação.

A 7 de abril de 2015, o Público escrevia na sua edição online: «Morreu Tolentino de Nóbrega, jornalista sem medo».

Tolentino de Nóbrega, jornalista madeirense, ficaria eternamente conhecido como o jornalista que fez frente ao governo de Alberto João Jardim, apesar das tentativas de silenciar o repórter.

Contra tudo e todos, Tolentino de Nóbrega persistiu e manteve a sua coragem em nome de um jornalismo livre e independente.

Os primeiros passos

José Tolentino Oliveira Nóbrega nasceu no Machico, na Madeira, a 2 de fevereiro de 1952.

Iniciou a sua carreira jornalística como colaborador do Comércio do Funchal, em 1972. O semanário, impresso em papel cor de rosa, distinguiu-se como o melhor jornal da oposição ao regime salazarista na Madeira.

Entre 1974 e 1993 integrou a redação do Diário de Notícias do Funchal (sendo editor e coordenador de secções como Educação e Cultura).

Passou por vários periódicos como o Expresso e os desaparecidos A Lutae O Jornal, mas foi no jornal Público, aquando da sua fundação, que consolidou a sua carreira.

Licenciado na Escola Superior de Artes Plásticas da Madeira, Tolentino de Nóbrega, a par da sua atividade jornalística, ainda se dedicava às artes.

Além disto, o jornalista ainda tinha tempo para dar aulas de geometria descritiva na Escola Secundária Francisco Franco.

A luta pela liberdade

Mais tarde, em 1989, passou para os quadros do jornal Público como correspondente da Madeira.

Seria aqui que Tolentino de Nóbrega enfrentaria as discriminações, ameaças e perseguições do governo de Alberto João Jardim.

Estes seriam tempos conturbados. As tentativas de domesticar, amedrontar e silenciar o jornalista não se fizeram tardar.

Enfrentando um poder quase unipessoal do dirigente da Madeira, Tolentino viu-se alvo de vários atentados terroristas de uma autoproclamada Frente de Libertação da Madeira (FLAMA)… e não só.

O Jornal da Madeira, mantido por Alberto João Jardim, referia-se sempre a Tolentino como «tôlo entino» nos seus cartoons, além de o associar a um agente do «colonialismo» continental que trabalhava para o «pasquim do capitalista Belmiro».

Apesar de muitos madeirenses discordarem do dirigente do PSD, estas referências no Jornal da Madeira afetavam, de algum modo, a opinião pública madeirense, que chegou a condenar e censurar o jornalista.

Por seu turno, Tolentino retaliava através de uma dedicada e constante militância no Sindicato dos Jornalistas, tendo sido secretário suplente da Mesa da Assembleia-Geral (1983/84 e 85/86), vice-presidente da Assembleia Geral (1996/97) e membro do Conselho Geral (2002/12).

Embora Tolentino de Nóbrega incomodasse o poder regional com as suas críticas ao governo de Alberto João Jardim, o jornalista recebeu várias distinções pelo seu rigor e profissionalismo.

Em 1999, conquistou o Prémio Gazeta, o maior galardão do jornalismo português e em 2006 foi condecorado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Ordem do Infante D. Henrique no grau de Comendador.

«Não sou crítico do dr. Alberto João Jardim, sou crítico de todas as formas de autoritarismo e de todas as formas de governo que desrespeitem as liberdades, muito particularmente a liberdade de expressão. Sem uma imprensa livre não há democracia. Se há, numa região de Portugal, pressões e coações contra jornalistas, restrições ao acesso às fontes de informação, não há democracia plena, há défice democrático. Ele tem a legitimidade de um governante eleito, mas o Hitler também foi eleito…», afirmou o repórter ao jornal Record, aquando da receção do Prémio Gazeta.

Um jornalista sem medo

Tolentino de Nóbrega seria considerado, para muitos colegas de profissão, um verdadeiro herói do jornalismo, que enfrentou grandes desafios contra a sua liberdade de expressão num período pós-25 de Abril em que tal condicionante era impensável.

«Portugal perdeu esta terça-feira um dos seus melhores jornalistas. Aquele que, depois do 25 de Abril de 1974, mais teve de se bater, no dia a dia, com as armas da profissão, pelo direito e pela liberdade de imprensa e de informação. O país político e a opinião pública têm uma dívida para com Tolentino de Nóbrega. Justo seria que o Presidente da República o condecorasse, no próximo 10 de junho, com a Ordem da Liberdade».

José Pedro Castanheira

«Tolentino de Nóbrega soube ser, sem sombra para dúvidas, um intransigente e suave defensor da liberdade de expressão numa época e região do nosso país onde era muito difícil sê-lo».

Francisco Teixeira da Mota

Urbano Carrasco

Repórter com a reputação de improvisar e resolver qualquer situação, enviado especial do Diário Popular destaca-se pela cobertura, em 1957, da erupção do vulcão da ilha do Faial

Repórter por excelência, mestre do improviso e jornalista-aventureiro, Urbano Carrasco é um dos grandes nomes do Jornalismo português. Durante quatro décadas faz capas do Diário Popular, cobrindo os mais importantes acontecimentos do seu tempo

A 13 de outubro de 1957, o Diário Popular redigia na sua primeira página:

«O Enviado-especial do Diário Popular foi a primeira pessoa a desembarcar na Ilha do Vulcão onde implantou a Bandeira Portuguesa».

No final de setembro de 1957, após meses de sismos, um novo vulcão entrou em erupção junto ao Capelo, na ilha açoriana do Faial.

Nesta altura, o Diário Popular vivia um período áureo, e rivalizava com os jornais mais importantes do país.

Urbano Carrasco era o enviado especial do vespertino. Todos os dias telefonava para a redação com notícias atualizados dos Açores, chegando a cunhar o nome da ilha de areia e cinza formada pelo vulcão, que seria altamente reproduzido por todos os meios de comunicação: a Ilha do Desespero.

As notícias sobre o estado do vulcão variavam de dia para dia. Ao se registar um relato otimista, cientistas e investigadores organizavam uma missão científica à ilha, a bordo do navio-patrulha São Tomé.

Enquanto o vulcão expelia um grande espetáculo de explosões e cinzas, o repórter teve a sua ideia mais ousada de sempre.

Repórter-aventureiro

Ao conhecer Tomás Vargas, proprietário da casa abandonada onde a missão científica se instalara, Urbano Carrasco ouvia do idoso o seu desejo de «colocar a bandeira nacional na ilha».

É então assim que o jornalista decide procurar uma embarcação que o levasse à Ilha do Desespero. Eduíno Labescat, faialense descendente de franceses, prometeu-lhe o barco Quo Vadis, com a condição de se arranjarem quatro remadores, caso o motor falhasse.

Urbano mentiu ao dono da embarcação e disse-lhe que já tinha os quatro remadores, mas, na verdade, só o operador de câmara da RTP, Carlos Tudela, aderira à aventura.

Após uma viagem bastante atribulada, Tudela e Carrasco conseguiram chegar à ilha, e colocar a bandeira de Portugal na areia negra.

Esta proeza, no entanto, não ficaria registada em nenhuma máquina fotográfica ou câmara de filmar: as cinzas e as lamas provenientes do vulcão haviam avariado todos os dispositivos.

Mas a façanha galgava distâncias.

No Rádio Clube de Angra, João Afonso interrompeu a emissão para anunciar que «a ilha já não é só negra. A ilha recebeu as suas primeiras cores: verde e vermelho».

O Diário Popular redigia a sua famosa capa, com a ajuda de uma ilustração do sucedido por Stuart Carvalhais.

A façanha de Urbano Carrasco correu a imprensa e as televisões portuguesas nos dias que se seguiram.

Uma carreira dedicada ao Jornalismo

Urbano Carrasco nasceu na freguesia de Santo Agostinho, no concelho de Moura, no Alentejo, em 1921.

Membro de uma família muito ligada às letras, Urbano seguiria as pisadas do seu tio Urbano Rodrigues, célebre jornalista do Diário de Notícias, e do seu primo Miguel Urbano Rodrigues, também ele jornalista.

O repórter tinha a reputação de improvisar e resolver qualquer situação.

No dia em que os jornalistas portugueses foram convidados pela NATO para uma reportagem a bordo de um porta-aviões, Urbano causou sensação por entrar a bordo com gaiolas cheias de pombos.

À chegada ao destino, os jornalistas precipitaram-se para comunicar às suas redações os seus textos. Urbano não teve de se preocupar: os seus pombos-correio já tinham chegado muito antes à redação do Diário Popular.

Ao serviço do Diário Popular, Urbano Carrasco faria as primeiras páginas durante 40 anos.

Assinou reportagens memoráveis em Angola, Israel, no Vietname e até mesmo na então interdita União Soviética.

Distinguir-se-ia ainda nos conflitos da Índia no Natal de 1961, durante os quais foi feito prisioneiro de guerra num campo de concentração.

Jornalista identificado com o Estado Novo, Urbano Carrasco chegaria a servir de correio ao próprio Salazar durante os conflitos no Congo.

Faleceu na madrugada de 7 de dezembro de 1982.

Urbano Carrasco diferenciava-se dos demais pelas suas capacidades de escrita e, principalmente, pelo seu espírito pragmático.

Foi sobretudo um apaixonado pelo jornalismo, tornando-se um dos principais repórteres da imprensa escrita nacional da segunda metade do século XX.

«Urbano Carrasco foi um extraordinário profissional de Imprensa e um português de grande dimensão moral».

Baptista Bastos

Vítor Direito

Começa no Jornalismo desportivo na Rádio. Em 1951 entra para a redação do Diário de Lisboa. Em 1979 funda o jornal diário que se transforma no mais lido de Portugal, o Correio da Manhã

Correio da Manhã é, no Séc. XXI, o jornal diário mais lido em Portugal. O seu fundador… um licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa

Vítor Direito nasceu no Vimioso a 23 de novembro de 1931.

A sua carreira jornalística iniciou-se na rádio, no Porto, em jornalismo desportivo.

Em 1951, entrou na redação do Diário de Lisboa, onde trabalhou com grandes nomes como Assis Pacheco, Bessa Múrias, Joaquim Letria, José Carlos Vasconcelos e Mário Zambujal.

Jornalismo no Estado Novo

A 27 de abril de 1966, comemorava-se o 38.º aniversário da nomeação de António de Oliveira Salazar para o governo, e o telex enviava de forma incessante informação insípida aos jornalistas.

Vítor Direito vê algo que lhe chama a atenção na edição do dia do Diário de Governo, III série, e publica uma peculiar notícia no Diário de Lisboa

Na manhã do dia 28, a brigada da PIDE apresentou-se no Diário de Lisboae intimou Vítor Direito, chefe da redação, para interrogatório na sede. O jornalista não era desconhecido naquelas paragens, tendo já sido interrogado diversas vezes em outras ocasiões.

Entretanto, no Porto, os proprietários da empresa Luís de Oliveira Barros, Alfredo de Oliveira Barros e Joaquim Castro Feijó eram intimados pela PIDE, no dia mais surreal das suas vidas. Tinham aceite Miguel Thenaisie Salazar Coelho como quarto sócio, e este, em serviço militar, era conhecido como Miguel Coelho, pelo que ninguém o associaria à firma se o apelido intermédio fosse utilizado. Assim tinha nascido a empresa Oliveiras, Salazar & Cia, Lda.

O processo acabou por ser fechado, após 15 folhas de uma fervilhante e inútil atividade de inquérito, com a conclusão de que «não se averiguou que tivesse havido intenção malévola na publicação da notícia».

Quanto a Vítor Direito, descobriu que conseguia diminuir «a grande figura» do Presidente do Conselho com um texto de treze linhas, publicado na página 10 do Diário de Lisboa.

Mais tarde, Vítor Direito embarca num novo projeto, novamente com Raul Rego. O jornal A República nasce em 1972, tornando-se no baluarte das tradições da liberdade contra a ditadura do Estado Novo.

Seria também aqui que o jornalista viveria os dias conturbados e difíceis do PREC.

«Vítor Direito, muito rigoroso e independente, sofreu muito nessa fase difícil, porque era muito atacado e criticado como sendo de direita», recorda Arons de Carvalho, que na altura se iniciava como jornalista.

Mais tarde, com a extinção d’A República, continuou a acompanhar Raul Rego, desta vez na criação d’A Luta.

Nasce um novo projeto

Decorria o ano de 1979.

Saddam Hussein chegava ao poder no Iraque, e Margaret Thatcher ganhava as eleições em Inglaterra. João Paulo II visitava Fátima e a República Popular da China reconhecia Macau como território chinês sob administração portuguesa.

O país ainda sentia na pele os efeitos da nacionalização dos órgãos de comunicação, e Vítor Direito sentia a necessidade de um jornalismo independente do poder político, que abordasse os problemas do cidadão comum.

O Correio da Manhãdespontava nas mãos de Vítor Direito e Agostinho de Azevedo.

A ideia inicial do projeto era muito simples. Um jornal popular, sem combate político, com pouca opinião e muito informação noticiosa.

Manuela Silva Reis, jornalista da redação do então novo jornal, afirma:

«Não foi por acaso que Vítor Direito fundou o Correio da Manhã a 19 de março, data em que se celebra o Dia do Pai. Nesse dia, e durante os 18 anos em que escrevi para aquele jornal, o diretor do “CM” reunia a “família” em dia tradicionalmente comemorado… em família».

Rapidamente, a prosa de Vítor Direito enquanto bilhetista, publicada diariamente no «Bilhete Postal», torna-se a imagem de marca do Correio da Manhã.

O Correio da Manhãcrescia a olhos vistos, tornando-se o jornal mais lido e vendido no país.

Vítor Direito estaria à frente do diário até 1991. A partir daí ficar-lhe-ia reservado o título de Presidente Diretor Geral.

A marca no Jornalismo

Em 2000, o sucesso de Vítor Direito era reconhecido, quando o Presidente da República Jorge Sampaio lhe atribuiu o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em abril de 2004, Vítor Direito foi convidado pelo antigo diretor do Diário de Lisboa, António Ruella Ramos, para conceber uma edição especial do Diário de Notícias.

Para assinalar o 30.º aniversário da Revolução dos Cravos, o suplemento DNA faria uma edição submetida ao crivo da censura.

A ideia era criar graficamente um processo de cortar os textos que a censura, se ainda existisse, eliminaria.

O suplemento desse mês era publicado com «cortes» a lápis azul, feitos pela dupla de jornalistas que mais sofreu com a censura.

Vítor Direito faleceu a 1 de abril de 2009, aos 78 anos.

Atrás de si deixaria um legado inabalável, a que ainda hoje assistimos. O «CM», comummente chamado, delinearia o seu caminho próprio com a sua linguagem simples e concisa, tornando-se uma verdadeira marca popular em Portugal.

Eça de Queiroz

Em 1869, um jovem com ambições de ser jornalista assiste à inauguração do canal do Suez. No regresso a Lisboa é desafiado por Eduardo Coelho, fundador do DN, a publicar uma série de reportagens.

O seu nome está escrito na história da Literatura portuguesa, mas Eça de Queiroz também se destaca enquanto jornalista. Do Distrito de Évora ao Diário de Notícias, os seus textos marcam o Jornalismo do Séc. XIX

José Maria Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim.

Foi registado como filho de mãe incógnita, uma vez que, na altura, os seus pais, o magistrado José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e Carolina Augusta Pereira de Eça, não eram casados.

Frequentou o Colégio da Lapa, no Porto, onde faz a escolaridade obrigatória.

Em 1861, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde conheceu intelectuais como Teófilo Braga e Antero de Quental.

Já formado em Direito, instalou-se, em 1866, em Lisboa e começou a colaborar com periódicos da capital.

Ainda em 1886, Eça deu início à publicação de folhetins no jornal Gazeta de Portugal, onde conheceu Jaime Batalha Reis.

O final do ano de 1866 trouxe um novo desafio: Eça, então com 21 anos, partiu para Évora, onde fundou e coordenou o jornal da oposição Distrito de Évora.

Entre as rubricas do jornal contava-se a correspondência política e literária do Reino, a análise da conjuntura económica do País, a crónica de costumes, a correspondência internacional, a crítica de literatura e de arte, a resenha de «leituras modernas», a revista de imprensa e a produção de ficção própria.

No primeiro número, publicado a 1 de janeiro de 1867, Eça dissertava apaixonadamente sobre a sua conceção de jornalismo.

«É o grande dever do jornalismo fazer conhecer o estado das coisas públicas, ensinar ao povo os seus direitos e as garantias da sua segurança, estar atento às atitudes que toma a política estrangeira, protestar com justa violência contra os atos culposos, frouxos, nocivos, velar pelo poder interior da pátria, pela grandeza moral, intelectual e material em presença de outras nações, pelo progresso que fazem os espíritos, pela conservação da justiça, pelo respeito do direito, da família, do trabalho, pelo melhoramento das classes infelizes».

Em julho de 1867, abandonou o projeto e regressou a Lisboa, retomando a sua colaboração na Gazeta de Portugal.

O Cenáculo ganha vida

No final desse ano, forma-se o Cenáculo, um grupo de intelectuais do qual fazia parte Antero de Quental, Salomão Saragga, Jaime Batalha Reis, Augusto Fuschini, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e José Fontana.

Com os seus companheiros do Cenáculo, Eça partilhava a vontade de agitar a sociedade portuguesa, em particular nas vertentes política e social.

Um desejo que já tinha sido instigado no ambiente boémio de Coimbra onde o conjunto de jovens intelectuais debatia a vida política, social e cultural portuguesa.

Desapontados com o estado do país e defensores da mudança, chegaram a envolver-se num conflito literário com os ultrarromânticos, que ficou conhecido como a «questão coimbrã».

Cosmopolitas, liberais e progressistas, os jovens que integravam a chamada «Geração de 70» chegaram à capital com o intuito de revolucionar a literatura e a sociedade cultural portuguesa da época.

A imprensa era vista como um dos meios primordiais para instigar a mudança.

Em 1869, Eça criou, juntamente com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, o «poeta satânico» Carlos Fradique Mendes.

Este heterónimo coletivo publicou versos no jornal Revolução de Setembro.

Repórter internacional

No final do ano, Eça viajou pela Palestina, Síria e Egito com o conde de Resende, o seu futuro cunhado.

No regresso a Lisboa, foi desafiado por Eduardo Coelho, fundador do Diário de Notícias, a publicar as suas impressões sobre a inauguração do Canal de Suez.

Eça propôs-se a fazer uma «narração trivial, o relatório chato das festas de Port Said, Ismailia e Suez», mas, em vez disso, os leitores puderam disfrutar de um texto onde é notória a sua escrita inteligente e mordaz, intuindo os inícios de um estilo muito próprio que o imortalizaria na literatura portuguesa.

A 18 de janeiro de 1870, dois meses depois do evento, é publicado o primeiro de quatro folhetins, com o título «De Port-Said a Suez».

«A polícia egípcia tinha esquecido que trezentos convidados, ainda que não tenham a corpulência tradicional dos paxás e dos vizires, não podem caber em vinte lugares de vagões, estreitos como bancos de réus. Por isso, em volta das carruagens havia uma multidão tão ávida como no saque de uma cidade».

Após o regresso a Portugal, torna-se administrador do Concelho de Leiria.

A cidade é palco do romance O Crime do Padre Amaro.

A primeira versão do romance foi publicada na Revista Ocidental, dirigida por Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, em 1875.

Trata-se de uma das muitas obras de Eça que viram a luz do dia nas páginas dos periódicos e folhetins, cruzando as suas carreiras enquanto escritor e jornalista.

Em 1870, O Mistério da Estrada de Sintra foi publicado no Diário de Notícias,em colaboração com Ramalho Ortigão.

O conto Singularidades de Uma Rapariga Lourafoi lançado, em 1874, no Brinde aos senhores assinantes do «Diário de Notícias» para 1873.

A novela O Mandarimfoi publicada nos folhetins do Diário de Portugal, em 1880.

Os Maiastambém foi divulgado, em 1888, n’ O Repórter, com o título Os Maias (um passeio a Sintra).

Algumas Cartas de Fradique Mendesforam reunidas na mesma publicação.

Vários dos seus contos surgiram, ao longo das décadas, em periódicos como Diário de Portugal, O Atlântico, O Repórter, Gazeta de Notíciase Revista Moderna.

O realismo descritivo e a crítica social atravessam as suas obras, pautadas por um estilo e linguagem ricos e muito próprios.

Um espírito, aliás, comum aos seus contemporâneos que integravam o Cenáculo.

Afirmavam «recusar que Portugal continue mouco às novas ideias que circulam na Europa» e pretendiam «abrir uma tribuna onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este movimento do século».

Em 1871, o grupo organizou as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense,  uma reflexão sobre a sociedade portuguesa e de promoção ao debate dos grandes temas da época.

Eça de Queiroz apresentou a comunicação «A Nova Literatura ou O Realismo como Expressão de Arte».

A iniciativa foi interrompida depois de cinco conferências, devido a uma proibição governamental.

Também em 1871, foi publicado o primeiro número d’As Farpas,uma revista fundada por Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz.

O título surgiu com base no intuito dos coordenadores de «espicaçar a sociedade».

A revista, publicada em edições mensais até 1882 (apenas com Ramalho Ortigão, pois Eça abandonou o projeto em 1872), constituiu um marco na literatura e na cultura portuguesas, criando um inovador conceito de jornalismo crítico e de ideias.

«Estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito», lia-se num texto de Eça. As suas palavras foram recuperadas, mais de um século depois, por muitos jornalistas e internautas, referindo a sua atualidade face ao ambiente político e económico português.

O diplomata

Portugal tornava-se pequeno demais para Eça.

Em 1870, prestou provas para cônsul de 1.ª classe no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Dois anos depois, partiu para Havana, Cuba.

Durante os anos no consulado, viajou pelo Canadá, Estados Unidos e América Central, conhecendo novas realidades sociais, políticas e culturais.

A sua carreira internacional trá-lo de volta à Europa em 1874, estabelecendo-se em Newcastle-upon-Tyne, em Inglaterra.

Em 1878, foi transferido para Bristol, também em Inglaterra.

Em 1888, foi nomeado cônsul em Paris, França, onde viria a viver até ao final da sua vida.

Em 1877, escreveu a partir de Newcastle para o jornal portuense A Actualidade. As suas «Cartas de Inglaterra» são publicadas com regularidade até 1878.

Em 1878, o seu trabalho chega ao outro lado do Atlântico, escrevendo para o jornal Gazeta de Notícias, no Rio de Janeiro. A colaboração só terminaria em 1897.

Em 1886, Eça casou com Emília de Castro Pamplona (Resende), que conhecia desde a infância por ser irmã de um amigo de juventude.

O casal teve quatro filhos: Maria (1887), José Maria (1888), António (1889) e Alberto (1894).

Em 1888, a desilusão pelo insucesso do processo modernizador da «Geração de 70» levou à formação o grupo «Vencidos da Vida».

Mesmo a residir em Paris, Portugal continuava a estar na mente do romancista.

Eça fundou a Revista de Portugal, que dirigia a partir da capital francesa.

«Portugal é atualmente na Europa o único país que não possui uma REVISTA – uma publicação onde, além de se apresentarem criações da imaginação no Romance e na Poesia, resultados da investigação na Ciência e na História, trabalhos de Crítica Literária e de Crítica artística, se estudem, com desenvolvimento e adequada competência, os assuntos que genericamente se prendem com a Política, com a Economia, com as Instituições, com os Costumes, com todas as manifestações dum organismo social».

No verão de 1900, começam a chegar a Portugal ecos da doença de Eça de Queiroz.

O pior cenário vem a confirmar-se; o escritor morre a 16 de agosto de 1900, em Neully, em França.

As homenagens não se fizeram tardar. No mês seguinte, o seu corpo foi transladado para Portugal.

Muitos dos seus escritos só viram a luz do dia postumamente.

Pouco antes da sua morte, Eça preparava a publicação de três romances: A correspondência de Fradique MendesA Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires.

Em 1903, a cidade que acolhera Eça, quarenta anos antes, homenageou o escritor com a estátua «A Verdade».

O nº 26 da Praça D. Pedro IV ao Rossio, prédio onde viveu Eça de Queiroz, está assinalado com uma placa comemorativa.

Mais de um século depois da sua morte, a sua obra continua pejada de atualidade e pertinência.

De peças de teatro a filmes, passando por novelas, as obras de Eça de Queiroz serviram de inspiração a várias representações culturais.

O beijo de Times Square

O Dia da Vitória. V-J Day in Times Square é a fotografia de Alfred Eisenstaedt que retrata o beijo de um marinheiro e de uma enfermeira a 14 de agosto de 1945. Originalmente publicada na revista LIFE entre muitas das fotos do mesmo autor sobre as celebrações do fim da II Guerra Mundial

Autor: Alfred Eisenstaedt
Nacionalidade: Alemã/Norte-Americana
Ano: 1945
Publicação: LIFE

 

 

 

 

Aldeia do Japão

Sem ter em conta os riscos que corre, W. Eugene Smith fotografa, durante a II Guerra Mundial, várias cenas de combate. Nesta foto, conversa com crianças de uma aldeia japonesa

Autor: W. Eugene Smith
Nacionalidade: Norte-Americana
Ano: 1944
Publicação: LIFE

 

A bandeira de Iwo Jima

A fotografia de Joe Rosenthal, premiada com um Pulitzer, é um dos símbolos iconográficos da vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Será reproduzida em cartazes e selos comemorativos

Autor: Joe Rosenthal
Nacionalidade: Norte-Americana
Ano: 1944
Publicação: Associated Press

 

Desembarque em Omaha Beach

A fotografia retrata a chegada dos Aliados, em 1944, à França ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. É o início da Batalha da Normandia, que devolve a liberdade à Europa

Autor: Robert Capa
Nacionalidade: Húngara/Norte-Americana
Ano: 1944
Publicação: LIFE

 

 

Migrant Mother

1936. Período de grandes restrições económicas e de pobreza extrema nos EUA. A imagem da mãe migrante, captada por Dorothea Lange, torna-se num ícone da Grande Depressão

Autor: Dorothea Lange
Nacionalidade: Norte-Americana
Ano: 1936
Publicação:San Francisco News

 

 

 

 

Resgate no Vietname

Vietname. A primeira guerra a ser amplamente fotografada e televisionada torna-se devastadora para o poder dos EUA. São imagens como esta que afectam a opinião pública

Autor: Larry Burrows
Nacionalidade: Inglesa
Ano: 1965
Publicação: LIFE

 

 

Os Kennedy num veleiro

São vários os momentos imortalizados de John e Jackie Kennedy a bordo de veleiros. Esta fotografia, captada em Hyannis Port, Massachusetts, em 1953, retrata uma dessas ocasiões

Autor: Hyman Peskin
Nacionalidade:Norte-Americana
Ano: 1953
Publicação: LIFE

 

 

 

Os Beatles na piscina

Esta fotografia é captada em 1964, por John Loengard, na primeira viagem dos Beatles aos EUA. É inverno, a piscina está gelada, mas o «Quarteto de Liverpool» aceita ser fotografado para aparecer na capa da LIFE

Autor: John Loengard
Nacionalidade: Norte-americana
Ano: 1964
Publicação: LIFE