MEDIA AGE EXPERIENCE
"INESPERADO, INTELIGENTE E DIVERTIDO"

News Standard

Carlos Lopes e Rosa Mota

Dois atletas de primeira água que puseram o atletismo português nas bocas do mundo. Cada um levou o ouro em diferentes edições dos Jogos Olímpicos – Carlos Lopes em 1984 e Rosa Mota em 1988.

Dois atletas de primeira água que puseram o atletismo português nas bocas do mundo. Cada um levou o ouro em diferentes edições dos Jogos Olímpicos – Carlos Lopes em 1984 e Rosa Mota em 1988.

Era para ser futebolista mas acabou como maratonista

Em criança sonhava ser jogador de futebol mas o pai achava-o demasiado franzino para tal modalidade. Por isto, tentou o atletismo para nunca mais deixar.

Correu as primeiras vezes pelos Lusitanos de Vildemoinhos – Viseu e de imediato as vitórias começaram. A primeira conquista foi aos 16 anos e, num ápice, passou de Campeão Regional a Campeão Nacional.

Estávamos em 1966 e Carlos Lopes é Campeão Nacional de Juniores nos 3000 metros. O seu talento destacou-se no panorama desportivo e um emissário do Sporting Clube de Portugal recrutou-o para o clube.

De Viseu para Lisboa, Carlos Lopes iniciou assim a carreira no atletismo profissional.

Ao serviço do Sporting foi 10 vezes Campeão Nacional de Corta-Mato, uma especialidade onde, quando estava em forma, era praticamente imbatível. Na Pista foi 5 vezes Campeão de Portugal.

Também nas pistas mundiais Carlos Lopes fez furor ao vencer três campeonatos mundiais de Corta-Mato. Muitos consideravam-no o único atleta capaz de fazer frente ao domínio que era exercido pelos atletas africanos.

Na Maratona foi Recordista da Europa, Recordista Mundial e em 1984 Campeão Olímpico. Nesta dura prova que tornou-se o primeiro português a conquistar uma Medalha de Ouro no maior evento desportivo do Mundo.

O primeiro Ouro para Portugal

Os Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, foram gloriosos para a equipa de atletismo portuguesa. Foram alcançadas três medalhas na competição. Na maratona, Carlos Lopes conseguiu o ouro e Rosa Mota o bronze. Na corrida dos 5000 metros, António Leitão alcançou o bronze.

O Diário de Notícias no dia 13 de Agosto de 1984 anunciava «Maratona de Carlos Lopes acompanhada com a maior expectativa», pois a corrida decorreu durante a madrugada em Portugal, já após o jornal ter seguido para a gráfica. Depois, surge uma segunda edição do DN, e o título a confirmar que desta vez tínhamos campeão: «Lopes traz para Portugal primeira medalha de ouro».

Oscar Mascarenhas, repórter do DN nos Jogos Olímpicos deste ano contou: «Foi impressionante de ver a parte final da corrida de Carlos Lopes, numa admirável demonstração de classe, num alarde de força que, nas condições em que a corrida foi disputada, sob uma temperatura de 29 graus, mais fazia avultar, por contraste com os seus perseguidores, a espantosa forma em que Carlos Lopes se apresentou nos Jogos Olímpicos».

O jornalista sublinhou ainda: «O que Carlos Lopes disse na ocasião e depois na conferência de imprensa já correu mundo. Não teme qualquer adversário, teme apenas as distâncias que tem de percorrer».

Portugal festejou o primeiro ouro olímpico da sua história, proeza de Carlos Lopes, de 37 anos, ainda hoje o mais veterano atleta a ter ganho a maratona olímpica e cuja marca em Los Angeles (2h09m21s) só foi batida em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim, pelo queniano Samuel Wanjiru.

A chegada de Lopes a Lisboa foi apoteótica e o primeiro campeão olímpico português teve direito a churrasco com o presidente Mário Soares em Belém.

Carlos Lopes recorda pedido feito a Mário Soares: «Se eu ganhar uma medalha, não tenho direito a um churrascozinho de cabrito, aqui no vosso quintal?», apontou para o jardim de São Bento.

Mário Soares: «Você tem uma lata do caneco, mas olhe… traga lá a medalha que não é um cabrito, é um boi».

Mais tarde foi recebido pelo presidente norte-americano Ronald Reagan na Casa Branca.

A vitória de Carlos Lopes em 1984 ficou perpetuada em vídeo mas também na literatura. Manuel Alegre dedicou-lhe um poema.

«Carlos Lopes

Mais do que ser primeiro

Herói é quem

Sabe dar-se inteiro

E dentro de si mesmo ir mais além» 

Rosa Mota, a incansável

Em criança, Rosa Mota nutria uma grande paixão pela natação e pelo ciclismo. No entanto enveredou pelo atletismo por ser a modalidade mais económica. Começou no FC Porto e depois passou para o CAP (Centro de Atletismo do Porto).

Em 1980 foi diagnosticada com asma de esforço. Doença a que não cedeu e com ajuda do seu amigo e médico José Pedrosa começou a treinar para correr a Maratona.

Em 1982, sagra-se campeã da Europa na Maratona de Atenas. Foi a 1ª vez que Rosa Mota correu na Maratona e foi a primeira grande vitória de Portugal nesta modalidade.

Antes da corrida, José Pedrosa disse: «Como médico fiz a reabilitação da Rosa para o Atletismo. Há ano e meio estava dada como condenada para o Atletismo. Sofria de asma do esforço».

No verão de 1987, em Roma, Rosa Mota compete no Campeonato Mundial de Atletismo. As condições climatéricas eram adversas para a atleta. José Pedrosa, agora seu treinador, gritara-lhe para abrandar o ritmo, o calor apertava e era arriscado correr tão rápido.

No fim, Rosa Mota abriu os braços e ouviu o público, que a aplaudiu de pé nas bancadas. O ouro já era dela.

«Foi, de facto, uma vitória fácil, mas, apesar de tudo, sofri bastante para suportar o calor, a humidade e algumas picadas nos tendões. O percurso era muito bonito, mas muito irregular».

Sobre as recomendações de José Pedrosa Rosa disse: «Eu abrandava quando o Pedrosa me dizia, mas 100 metros depois já ia outra vez mais rápida. Se me sentia bem, porquê abrandar?».

Cansada mas feliz confessou: «À passagem pela Praça de S. Pedro olhei lá para cima, para a janela do Papa. Sinceramente, pensei que ele lá estivesse, a ver passar a corrida. Não estava, paciência».

A Rosa que perfumou Seul

É agora ou nunca» foi a frase dirigida pelo treinador a Rosa Mota, na maratona dos Jogos Olímpicos de Seul, que marcou o início do ataque final à tão ambicionada medalha de ouro.

Portugal exigia o ouro e Rosa respondeu à demanda.

No fim revelou os conselhos do treinador e companheiro: «O Pedrosa tinha-me recomendado que, aos 38 quilómetros, se ainda fosse acompanhada, olhasse para ele. Olhei e ele disse-me – Rosa, é agora ou nunca – e eu fui-me embora… Foi mais difícil do que em Roma, os maratonistas gostam de dizer que a última maratona é sempre a melhor, mas esta…arre, parecia que nunca mais chegava o dia».

Os campeões depois dos Jogos Olímpicos

Carlos Lopes, após os Jogos Olímpicos de 1984 tinha 37 anos.

Apesar de veterano, a sua carreira continuou e em 1985, entra no Campeonato do Mundo de Corta-Mato que decorreu em Lisboa.

Antes da partida Carlos Lopes confessou «Isto vai ser…o que for. Mas, pelo menos hoje, não estou voltado para o sacrifício. Se der para o torto, marcho…vamos ver como se portam as pernas».

Lopes partiu cautelosamente, chegou-se à frente, afastou-se dos adversários e ganhou de forma majestosa. «Nunca esperei ganhar, isto para mim foi quase um milagre, foi a despedida em beleza, nunca mais voltarei a vestir a camisola da seleção Nacional».

Aos 38 anos, Lopes conquistou o terceiro título de campeão do Mundo de Corta-Mato.

Nas bancadas o Presidente da República, Ramalho Eanes, assistiu, sorridente, a mais esta vitória prestigiante de Carlos Lopes.

Carlos Lopes terminou a carreira neste ano. Deixou o Sporting e começou a correr com a camisola do Imortal de Albufeira.

Por esta equipa ganhou a Maratona de Roterdão, tendo batido o recorde existente. No final da prova Carlos Lopes desabafou: «Sinto-me satisfeito, pena foi não ter tido ajuda» e acrescenta que «Nos últimos quilómetros estive em dificuldade, cheguei a pensar que o que interessava já só era assegurar a vitória e que o record passasse muito bem. Consegui, enfim, o record do mundo que faltava no meu palmarés».

O jornal L’Équipereferiu: «Fantástico! Extraordinário! Não existem palavras suficientemente fortes para classificar a proeza de Carlos Lopes, em Roterdão. Em menos de três anos, tornou-se o primeiro homem a aproximar-se do irreal. Quem poderia pensar, há 20 anos, que um homem pudesse correr a Maratona a vinte quilómetros por hora?».

No final de 1985, já com a camisola do Imortal de Albufeira correu a São Silvestre da Amadora e voltou às vitórias. Pouco depois lesionou-se e despediu-se do Atletismo.

Em 2009, Carlos Lopes foi distinguido com prémio «atleta do centenário», pelo Comité Olímpico de Portugal.w

Em entrevista ao Jornal de Notícias na ocasião do prémio, Carlos Lopes afirmou: «É uma distinção importante, pelo que fiz no passado e pela mentalidade que ajudei a criar. Creio, também, que se deve ao que representei para o atletismo e ao meu contributo para ajudar à evolução do desporto em Portugal».

Depois do ouro nos Jogos Olímpicos de 1988, Rosa Mota voltou às Maratonas.

Em 1989, durante a Maratona de Osaka a atleta foi obrigada a desistir devido a uma lesão. Rosa Mota prometeu aos japoneses que no ano seguinte correria em boa forma. Cumpriu a promessa e ganhou.

«Cheguei a ter 400 metros de vantagem, mas, aos 25 Km fortes dores abdominais quase me obrigaram a parar. Senti medo, medo de voltar a desistir, outra vez», disse Rosa Mota.

As Desavenças entre Rosa Mota e a Federação Portuguesa de Atletismo

Apesar da vitória, acontecera algo que lhe perturbara a concentração. A RTP noticiou que a Federação Portuguesa de Atletismo (F.P.A) alegava, 48 horas antes da prova, que a corredora iria correr de forma «ilegal», pois a F.P.A ainda não tinha autorizado a inscrição da atleta. Assim sendo Rosa Mota não estava federada.

José Pedrosa indignado afirma: «A F.P.A., refugiando-se em decretos, legislações e artigos quis impedir a Rosa de correr. Foi uma forma deselegante de perturbá-la. A Rosa venceu a corrida mas estava nitidamente em baixo».

Os conflitos foram resolvidos e a 30 de março de 1990, por intermédio do ministro Roberto Carneiro, Rosa Mota voltou a inscrever-se na Federação Portuguesa de Atletismo.

N’ A Bola Magazine,em setembro de 1991, pôde ler-se que Rosa Mota desistiu durante a prova do Campeonato do Mundo de Atletismo, em Tóquio, porque se ressentiu de uma operação a que fora sujeita 3 meses antes.

«Tóquio foi a maior deceção da minha vida! Aos quatro quilómetros já me sentira mal. Senti uma tristeza muito grande, não por ter perdido o título Mundial mas por não ter podido fazer aquilo que parece tão natural, correr. Parecia ter as pernas presas por correntes de chumbo».

«Se estou arrependida de ter ido a Tóquio? Sabendo o que sei é obvio que sim. Mas não sou hipócrita, continuo a pensar que não foi por causa da operação que fiz há 3 meses que aconteceu o que aconteceu. A operação não foi uma precipitação, foi uma necessidade. Uma ecografia detetou um quisto nos ovários com quase…um punho! Tive de ser operada de urgência».

Meses antes tinha ganho a Maratona de Londres, uma das provas que lhe faltava até então no currículo.

Também a esta atleta, Manuel Alegre dedicou um poema:

«Como Rosa corremos contra o tempo

E longa é a Maratona longo é o espaço

Como Rosa tentamos ganhar tempo

Enquanto o tempo foge a cada passo

Como Rosa viver é ir levar

Um recado a Miltrades. E assim

Nosso (como de Rosa) é este andar

Buscando Maratona ou outro fim

E há sempre um corredor para partir

Todo o tempo é correr ficando à tona

Do tempo andado um tempo por andar

Porque de nós (como de Rosa) é ir

Levar este recado a Maratona»

Carlos Lopes e Rosa Mota foram ambos condecorados por Mário Soares, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Carlos Lopes em 1984 e Rosa Mota em 1987.

Dois atletas, de gerações concomitantes, que colocaram Portugal no pódio das competições de atletismo internacionais.

Spin Room

Em outubro de 1984, o debate entre os candidatos presidencias Reagan e Mondale leva à criação de uma das mais icónicas tradições da Comunicação política. “Spin room” é o nome dado ao local onde assessores das campanhas e dos partidos reúnem-se com um só objetivo: “vender narrativa”

No pós-debate, é na “spin room” que se trava o confronto político. Um espaço tão tradicional quanto polémico e que continua a dividir opiniões.

“Tonight at about 9:30, seconds after the Reagan-Mondale debate ends […] a dozen men in good suits and women in silk dresses will circulate smoothly among the reporters, spouting confident opinions”.

[«Esta noite, por volta das 21h30, segundos depois do fim do debate Reagan-Mondale […] uma dúzia de homens em bons fatos e de mulheres em vestidos de seda vão circular calmamente entre os repórteres, jorrando opiniões confiantes»].

“They’ll be the Spin Doctors, senior advisers to the candidates, and they’ll be playing for very high stakes. How well they do their work could be as important as how well the candidates do theirs”.

[«Ele serão os Spin Doctors, conselheiros seniores dos candidatos, e vão jogar um jogo muito duro. A forma como fazem o seu trabalho pode ser tão importante quanto a forma como os candidatos fazem o seu»].

As palavras são de Jack Rosenthal. Era outubro de 1984, o debate entre Reagan e Mondale acabava de terminar e o jornalista do The New York Times testemunhava o nascimento da spin room.

Nasce uma tradição

Spin room, ou spin alley, foi o nome dado ao local onde, após o debate, se juntaram os assessores da campanha, os representantes dos partidos e, por vezes, até os próprios candidatos, todos com um só objetivo: fazer spin.

Noutras palavras, promover a «deliberate shading of news perception; attempted control of political reaction» [«alteração deliberada da perceção noticiosa; tentativa de condução da reação política»].

O The Evening News publicava, a 13 de outubro de 1984, uma peça sobre o fenómeno.

“While it looked to most people as if Mondale had performed considerably better than Reagan, the main mission of the “spin patrol” was to spread the view that Mondale had not scored the ‘knock-out punch’ he needed to give new life to his underdog campaign”.

[«Embora parecesse à maioria das pessoas que Mondale tinha tido uma prestação consideravelmente melhor do que a de Reagan, a principal missão da “spin patrol” era difundir a visão de que Mondale não tinha conseguido o “murro de knock-out” que precisava para dar vida à sua campanha de underdog»].

O spin não nasceu com as presidenciais de 1984, mas a spin roomtornou-se, desde esse debate, uma tradição que acompanha a vida política norte-americana.

Na história do spin, destaca-se um nome: Lee Atwater.

Assessor de Reagan na campanha de 1984, Atwater é considerado uma das superestrelas do spin pela forma como se relacionava com os repórteres no frenesim do pós-debate.

Lyn Nofziger, que trabalhava com Atwater na equipa de Reagan, relembra os momentos que se seguiram ao primeiro debate presidencial:

“Lee was telling us: ‘now we’re gonna want to go out and spin this’ […] meaning making it look like Reagan had won the debate, which ordinarily would not have been hard to do, but […] that debate was kind of a disaster for Reagan. […] I must tell you, I was very uncomfortable spinning that.”

[«Lee disse-nos: “agora vamos querer ir lá fora e fazer spin disto” […] o que significava fazer parecer que Reagan tinha ganho. Em circunstâncias normais, isso não seria difícil, mas […] aquele debate foi uma espécie de desastre para Reagan. […] Devo confessar que, para mim, foi muito desconfortável fazerspin daquilo»].

O próprio candidato presidencial parecia pouco convencido do poder do spin.

Edward J. Rollins, diretor da campanha, conta que Reagan lhe disse que nenhum spin iria convencer os jornalistas de que a sua prestação no debate tinha sido boa; cabia a si próprio fazer melhor no próximo confronto com Mondale.

Duas semanas depois, Reagan brilhava no debate, com a famosa frase “I am not going to exploit, for political purposes, my opponent’s youth and inexperience” [«Não vou explorar, para propósitos políticos, a juventude e inexperiência do meu oponente»].

Um momento que, reconheceu Mondale, acabou com a sua campanha e contribuiu para a vitória da Reagan nas presidenciais.

O jogo político

Depois da experiência inicial de 1984, a spin room prometia tornar-se uma tradição no rescaldo dos debates presidenciais.

Nesses primeiros anos, o spin era considerado como parte do jogo político, onde os jornalistas eram, tal como os candidatos e os representantes dos partidos, participantes ativos.

“Even with the Spin Doctors at work, the printed page and the television screen offer a range of judgments, like the gymnastic judges at the Olympics”, escreveu Jack Rosenthal no The New York Times.

[«Mesmo com os Spin Doctors em ação, a imprensa e a televisão oferecem uma série de juízos, como os jurados de ginástica nos Jogos Olímpicos»].

Em 1996, nas presidenciais que opuseram Clinton e Dole, os jornalistas foram, pela primeira vez, obrigados a apresentar as suas credenciais para poder aceder à spin room.

Lá dentro, centenas de repórteres procuravam captar as melhores imagens e reações.

“Everywhere you looked there were clusters of media people surrounding spinners and surrogates, whose names were printed on laminated red signs held high above the crowd by aides. I felt like I was standing in the middle of one of my own damn cartoons come to life”, escreveu Tom Tomorrow, na Salon.

[«Para onde quer que se olhasse, existiam concentrações de pessoas dos media a rodear spinners e surrogates, cujos nomes estavam impressos em cartazes vermelhos laminados, levantados acima da multidão por assistentes. Senti que um dos meus malditos cartoons estava a ganhar vida e que eu estava lá no meio»].

Contudo, começavam a levantar-se algumas vozes críticas.

“Who won? Who lost? Who made the biggest gaffe? […] The news media base their judgment, in part, on the consensus of those semi-professional referees known as spin doctors. […] The spin meisters’ verdicts are just as predictable as their presence”, escreveu Deborah Potter no The Christian Science Monitor.

[«Quem ganhou? Quem perdeu? Quem cometeu a maior gaffe? […] Os meios noticiosos baseiam, em parte, o seu julgamento no consenso desses árbitros semi-profissionais conhecidos como spin doctors. […] Os vereditos dos mestres do spin são tão previsíveis como a sua presença»].

Onde se vencem as eleições

O ciclo eleitoral mudou, mas a atmosfera única e o ritmo alucinante da spin room mantiveram-se.

Em 2000, Al Gore e Bush batalhavam pelo lugar na Casa Branca.

“Five minutes before the debate ended, the spinners descended. Ed Rendell, Condi Rice, Karen Hughes, Andrew Cuomo worked the room full of reporters, cruising for interviews, soliciting interest, begging, essentially, for a chance to sell their guy”, relatou Jessica Reaves, da Time.

[«Cinco minutos antes de o debate terminar, os spinners desceram. Ed Rendell, Condi Rice, Karen Hughes, Andrew Cuomo circularam pela sala, à procura de entrevistas, solicitando interesse, suplicando, essencialmente, por uma oportunidade de promover o seu candidato»].

Também Chuck Raasch, da USA Today, manifestava o seu desagrado.

“The most absurd exercise in American politics always takes place in the hectic moments after a debate. It’s ‘Spin Alley,’ where talking heads dispense partisan patter in a roomful of hundreds of hectic, on-deadline journalists”.

[«O exercício mais absurdo na política americana decorre sempre nos frenéticos momentos que se seguem a um debate. É a “Spin Alley”, onde cabeças falantes debitam conversa fiada partidária, numa sala cheia de centenas de jornalistas frenéticos, a trabalhar em cima do prazo»].

Por entre as críticas, uma certeza: a spin room foi determinante para as eleições de 2000.

”They beat us after the debate in the spin room” [«Eles venceram-nos depois do debate, na spin room»], considera Tad Devine, da equipa de Al Gore para as presidenciais.

“Their spin was, ‘He lied and he sighed,’ and that took hold” [«O spin deles era: “Ele mentiu e suspirou” e aquilo pegou»], analisou, em entrevista ao The New York Times.

Sob escrutínio

Nos anos que seguiram, a spin room esteve nas bocas do mundo.

“The spin room – oily engine of the political meat grinder” [«O spin room – o motor oleado do triturador de carne político”], descreveu Jerry Lanson, num artigo do The Christian Science Monitor, em 2003.

Adam Nagourney, principal correspondente político do The New York Times, foi mais longe, boicotando a spin room.

Nagourney defendeu a sua decisão, afirmando que a spin room era “degradating” [«degradante»], “a waste of time” [«uma perda de tempo»] e “essentially a disingenuous exercise” [«essencialmente, um exercício de desonestidade»].

Em 2004, o comediante Jon Stewart fez uma das mais famosas críticas à spin room: “You’re literally walking to a place called deception lane” [«Estás literalmente a entrar num sítio chamado caminho para o engano»].

O ambiente frenético da spin roomtambém foi satirizado no Late Night with Conan O’Brien.

A personagem Triumph, the Insult Comic Dog acompanhou o pós-debate e inquiriu estrategas e representantes políticos.

Um fenómeno cultural

Apesar dos ataques vindos de várias frentes, a spin roomcontinua a reunir centenas de jornalistas e assessores e a ser uma tradição eleitoral de que o público norte-americano não abdica. Porquê?

“This is a whole cultural phenomenon», considera Mark McKinnon, que participou na campanha de Bush em 2004. «People understand that how this gets framed and filtered through the press is often as important as the debate itself.” [«É um fenómeno cultural. […] As pessoas percebem que a forma como isto é enquadrado e filtrado pela imprensa é, muitas vezes, tão importante quanto o debate em si»].

A função do spinner não é distorcer ou adulterar o resultado de um debate, mas sim ajudar o público a compreender os assuntos em questão e os pontos de vista – especialmente os do seu candidato, claro! – para que possa fazer uma escolha informada e consciente.

Uma vez que ambos os candidatos estão representados na spin room, o público tem oportunidade de conhecer os pontos de vista em debate, um confronto no qual a democracia é sempre a grande vencedora.

A imediaticidade e a diversidade de reações são alguns dos contributos trazidos pela spin roompara a comunicação política, caraterísticas que enriquecem a arena mediática.

Isabel Hardman, do The Spectator, aponta outra utilidade desta prática: analisar a estratégia política dos partidos.

“In the spin room we see quite clearly how the parties plan to attack one another and how they want to talk about themselves”.

[«Na spin room vemos com bastante clareza como os partidos planeiam atacar-se uns aos outros e como querem falar de si próprios»].

“Because we know that everything is scripted, we are not listening to the ministers and spinners in order to be persuaded, but to see what it is their party will likely spend the next few days at least saying”, considerou.

[«Uma vez que sabemos que tudo tem um guião, não estamos a ouvir os candidatos e os spinners para sermos persuadidos, mas para ver o que o seu partido vai, provavelmente, passar pelo menos os próximos dias a dizer»].

A spin room não se trata de uma mera extensão do debate; é, ela própria, uma importante ferramenta de comunicação política.

Ao analisar a posição dos candidatos, sumarizar e reiterar as suas principais mensagens, os spinners contribuem para aproximar a política dos cidadãos e transmitir com mais clareza as propostas eleitorais, contribuindo para a informação pública.

O ambiente dinâmico e surpreendente da spin room também ajuda a humanizar os confrontos disputados na arena política.

Foi precisamente nesse espaço que Rick Perry abordou, em 2011, uma gaffe cometida em pleno debate, momentos antes.

O candidato reagiu com humor ao facto de se ter esquecido do nome de uma das três agências governamentais que planeava extinguir.

Novas vozes

Na corrida às presidenciais de 2016, o democrata Bernie Sanders surpreendeu ao fazer-se representar na spin room por Killer Mike.

“How does a rapper end up supporting Senator Sanders?” [«Como é que um rapper acaba a apoiar o Senador Sanders?»], questionou um jornalista.

“Smokin’ a joint, reading his tweets” [«A fumar um charro, a ler os seus tuítes»], foi a resposta.

A presença de uma celebridade do mundo da música no pós-debate ilustra a capacidade de inovação da spin room e dos seus intervenientes.

Uma inovação tornada ainda mais evidente pelo facto de os restantes candidatos se terem feito representar por porta-vozes mais típicos da spin room, nomeadamente profissionais de Comunicação e figuras políticas.

Mas a Comunicação política e o hip hop nem sempre se encararam de frente.

Em 1992, o vice-Presidente Dan Quayle afirmou que o álbum do rapper Tupac era uma desgraça para a música americana.

“There is absolutely no reason for a record like this to be published” [«Não há razão absolutamente nenhuma para um álbum destes ser publicado»], referiu.

16 anos depois, o tom tinha mudado.

A campanha de Barack Obama para as presidenciais contou com o apoio de vários artistas deste género musical, como Will.i.am e Jay Z.

Uma relação entre política e hip hop levada ao extremo por Kanye West, que anunciou a intenção de se candidatar à Casa Branca em 2020.

A Comunicação política aprendeu a ajustar-se aos novos tempos, tornando o debate público mais diverso.

Na era do online

Tal como Killer Mike, muitos eleitores  cruzam-se com as mensagens políticas dos candidatos não através dos meios tradicionais, mas das redes sociais.

Os partidos e os candidatos veem-se obrigados a descobrir novas formas de chegar ao público, apostando na informação, na proximidade e na rapidez.

As redes sociais chegaram à política com a mediática campanha de Barack Obama para as presidenciais de 2008.

As plataformas online, em especial o Twitter, assumem-se como um espaço de circulação e oposição de ideias, tornando-se uma alternativa à spin room tradicional.

O seu maior trunfo? O tempo real.

Mas estará a spin room a tornar-se obsoleta?

“For many years, the post-debate ‘spin room’ was the place where campaigns could try to influence debate coverage. Now, there’s no delay – campaigns take their candidates’ key quotes and, just moments after they happen, push them out online in an attempt to generate momentum and that needed attention”, escreve Scott Detrow para a NPR.

[«Durante muitos anos, a “spin room” do pós-debate era o local onde as campanhas podiam tentar influenciar a cobertura do debate. Agora, não há delay – as campanhas promovem, online, as principais citações dos seus candidatos pouco depois de estas serem ditas, de forma a tentar gerar momentum e essa atenção necessária»].

Em 2004, apenas quatro anos antes da revolução digital de Obama, a comunicação política era muito diferente.

Após os debates Bush-Kerry, foram entregues aos jornalistas folhas de papel com as principais mensagens da campanha.

Uma estratégia hoje completamente ultrapassada, acredita Brian Jones, porta-voz de Mick Romney em 2012.

“I think with Twitter, and the way information now moves, the sense of how the debate is being played out occurs in almost real-time”, considera Jones, em entrevista ao The Huffington Post. “In years past, you may have had to wait until the debate concluded”.

[«Julgo que, com o Twitter, e com a forma como a informação se movimenta hoje, temos a sensação de como o debate está a correr quase em tempo real. Em anos anteriores, tinha de se esperar até o debate estar concluído»].

Apesar da evolução tecnológica, a spin room não se tornou obsoleta; bem pelo contrário.

Esta prática estende-se agora a outras plataformas, contribuindo para chamar mais público para a arena política e aumentar a diversidade do debate.

Nos dias de hoje, pode falar-se de um digital spin.

Na sua versão tradicional ou online, a spin room continua a ser considerada tão ou mais importante do que o debate em si para informar o público e promover o confronto de opiniões políticas.

Ao dar projeção a diferentes vozes associadas às várias campanhas, esta prática ajuda os eleitores a tomar uma decisão informada, tornando-se, no limite, num instrumento de democracia.

Sarah Palin

Antes de iniciar a carreira política em 1992, Sarah Palin é apresentadora de programas televisivos dedicados ao desporto, no Alasca

Sarah Louise Palin (Heath, nome de solteira) nasceu em Sandpoint, Idaho, nos EUA, a 11 de fevereiro de 1964. A  sua família mudou-se para uma cidade do Alasca quando Palin tinha poucos meses de idade. Em 1972 mudaram-se para Wasilla, no mesmo estado.

Na escola secundária fez parte da equipa de basquetebol, tendo ficado conhecida pela sua garra em jogo. Foi presidente da Sociedade dos Atletas Cristãos.

Em 1984, ganhou o concurso de Miss Beleza de Wasilla, tendo ficado em terceiro lugar no concurso Miss Alasca.

O início da carreira jornalística

A carreira universitária foi marcada pela instabilidade. Palin frequentou seis universidades diferentes, em cinco anos. Finalmente em 1987, na Universidade de Idaho, licenciou-se em comunicação e jornalismo e começou trabalhou como apresentadora de desporto nos canais de televisão KTUU-TV e KTVA-TV, ambos do Alasca.

Foi também jornalista de desporto para o Mat-Su Valley Frontiersman, um jornal do Alasca publicado às terças, sextas e domingos. Aos 24 anos casa-se com o namorado da escola, Todd Palin. No ano seguinte, nasce o primeiro dos seus atuais cinco filhos.

A escalada política

A carreira política começou em 1992, quando foi eleita para o Conselho Municipal de Wasilla. Em 1996 torna-se mayorda pequena cidade, antes de ser nomeada, em 2003, para a Comissão de Conservação do Gás e Petróleo do Alasca, entidade responsável pela gestão dos recursos naturais do estado. Torna-se a pessoa mais jovem e a primeira mulher a ser eleita governadora do Alasca. Sarah Palin ocupou o cargo desde dezembro de 2006 até à sua demissão, em julho de 2009.

Não obstante, apenas atingiu projeção naiconal e internacional quando foi candidata do Partido Republicano a Vice-Presidente nas eleções presidenciais de 2008.

Foi a primeira mulher do Alasca a ser candidata de um grande partido à presidência ou à vice-presidência e a primeira mulher republicana a ser nomeada para a vice-presidência.

No entanto, na memória ficou a controvérsia de algumas das suas declarações que demonstraram falhas graves de preparação. Segundo alguns assessores da campanha republicana, Sarah Palin «não sabia que África é um continente». «Havia uma grande preocupação na campanha de McCain que Sarah Palin não tivesse o nível de conhecimentos necessário».

Sabe-se também que Palin não terá aceitado qualquer preparação para a entrevista com Katie Couric, que se revelou desastrosa para a campanha republicana, com a governadora a não conseguir dizer o nome de um jornal que lesse diariamente. Tornou-se alvo de chacota.

A controvérsia das suas declarações, as polémicas em que tem estado envolvida, as revelações chocantes sobre o seu passado e os constantes ataques à sua capacidade e preparação política não parecem ser impedimento às aspirações de Sarah Palin e às especulações em torno do seu futuro.

A popularidade junto de uma determinada ala do eleitorado republicano continua em alta, nomeadamente no movimento ultra conservador Tea Party. Em 2010 foi considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do Mundo.

Desde que se demitiu do cargo de governadora do Alasca, em 2009, publicou os livros  Going Rogue, um best seller que já vendeu mais de dois milhões de cópias, America by Heart Good Tidings Great Joy.

De volta às câmaras de televisão

É comentadora na Fox News desde 2010 e protagonizou um reality show no canal TLC.

Em abril de 2014, Palin estreou o Amazing America with Sarah Palin no Sportsman Channel.

Em julho do mesmo ano, lançou um canal de notícias online, the Sarah Palin Channel.

A presença nos media e a projeção nacional que ganhou consolidaram o seu espaço como figura de destaque do Partido Republicano. Apesar das especulações o seu futuro político continua a ser um tema de discussão.

92 – Brasil

Os ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa duraram até o último dia do seu mandato, no fim de 2022. O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe o país de volta a um clima de estabilidade institucional nessa área.

Os ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa duraram até o último dia do seu mandato, no fim de 2022. O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe o país de volta a um clima de estabilidade institucional nessa área. Mas a violência estrutural contra os jornalistas, um cenário mediático marcado por uma forte concentração no setor privado e os efeitos da desinformação continuam a representar desafios para a liberdade de imprensa no país.

O cenário mediático brasileiro é marcado por uma alta concentração no setor privado, o que se traduz numa relação quase incestuosa entre os poderes políticos, económicos e religiosos. Dez grandes grupos corporativos, de propriedade de dez famílias, dividem o mercado, sendo os cinco maiores Globo, Record, SBT, Bandeirantes e Folha. A independência editorial dos meios de comunicação regionais e locais é seriamente comprometida pela publicidade governamental, e os meios públicos sofreram graves interferências editoriais durante o governo Bolsonaro.

A Constituição Federal de 1988 garante o direito à liberdade de imprensa no país e, em geral, o sistema legislativo brasileiro é bastante favorável ao livre exercício do jornalismo. A lei de radiodifusão e telecomunicações, porém, é antiga, permissiva e ineficaz. Repórteres e Média também são frequentemente alvos de processos judiciais abusivos por parte de políticos e empresários, que usam a sua influência para intimidar a imprensa.

O trabalho da imprensa brasileira tornou-se especialmente complexo durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). O presidente fazia ataques frequentes à imprensa, mobilizando exércitos de simpatizantes nas redes sociais. A sua estratégia bem coordenada de ataques com o objetivo de desacreditar os Média, rotulada como inimigos do Estado, continua até hoje, com o objetivo de manter os seus partidários incrédulos quanto às alegações de corrupção que pesam sobre ele e a sua família, quanto aos resultados das eleições que levaram Lula ao poder e quanto às ações do novo governo. Embora pretenda restabelecer os princípios democráticos de tratamento da imprensa, o presidente Lula enfrenta desafios constantes por parte dos simpatizantes do ex-presidente Bolsonaro e de partidos de extrema direita, que continuam a tentar desestabilizar o governo.

O Brasil permanece polarizado, e os ataques contra a imprensa, livremente expressos nas redes sociais, abriram caminho para práticas recorrentes de agressão física contra jornalistas, sobretudo nas eleições de 2022 e durante a invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

Os grandes grupos de Média têm tentando reinventar os seus modelos de negócio perante a crise global que o setor vive, causada pela chegada das plataformas digitais. Esses grupos também diversificam os seus investimentos em muitos outros setores, o que aumenta o risco de conflito de interesses e prejudica a já desgastada independência editorial. A imprensa local, por sua vez, está cada vez mais fragilizada, e os meios digitais independentes enfrentam problemas de viabilidade económica.

Na última década, pelo menos 30 jornalistas foram assassinados no Brasil, o segundo país mais perigoso da região para os profissionais da imprensa nesse período. Bloggers, radialistas e jornalistas independentes que trabalham em municípios de pequeno e médio porte e que cobrem questões de corrupção e política local são os mais vulneráveis. O assédio e a violência online contra jornalistas, especialmente mulheres, continuam a crescer. Em 2022, pelo menos três assassínios estão diretamente relacionados com o jornalismo, incluindo o do jornalista britânico Dom Phillips, morto na Amazónia durante uma investigação sobre crimes ambientais cometidos em terras indígenas.

Aldrin on the moon

No visor do capacete do astronauta Buzz Aldrin o reflexo do fotógrafo improvisado: Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua.O Mar da Tranquilidade como cenário. A ilustração do sucesso da missão espacial Apollo 11 

Autor: Neil A. Armstrong
Nacionalidade: Norte-americana
Ano: 1969
Publicação: LIFE

 

 

 

 

Fórmula 1

Em todas as gerações desta competição de alto risco há sempre atletas que fazem faísca para lá das pistas. Jackie Stewart vs. Emerson Fittipaldi ou Ayrton Senna vs Alain Prost são exemplo dessas «parelhas».

Em todas as gerações desta competição de alto risco há sempre atletas que fazem faísca para lá das pistas. Jackie Stewart vs. Emerson Fittipaldi ou Ayrton Senna vs Alain Prost são exemplo dessas «parelhas».

Jackie Stewart vs Emerson Fittipaldi

Jackie Stewart (1939)

 

Emerson Fittipaldi (1946)

  

 

O primeiro grande duelo entre os dois pilotos foi no Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1972. Emerson Fittipaldi venceu e roubou o título a Jackie Stweart que tinha sido campeão no ano anterior, 1971.

 

 

«Uma corrida perfeita: vitória de Emerson», «Emerson vence e é campeão por antecipação», anunciava a imprensa brasileira.

Emerson Fittipaldi foi o primeiro piloto brasileiro a sagrar-se Campeão Mundial de Fórmula 1. Os matutinos e vespertinos do Brasil celebraram todas as vitórias do piloto.

 

 

No ano seguinte, em 1973, Jackie Stweart recuperou o título de Campeão Mundial de Fórmula 1. Emerson Fittipaldi ficou em 2º lugar.

 

 

Mais uma vez os jornais brasileiros deram eco ao duelo entre Emerson Fittipaldi e Jackie Stweart.

 

Para a imprensa brasileira, Emerson Fittipaldi era sempre manchete. Ganhasse ou perdesse.

James Hunt vs Niki Lauda

James Hunt (1947–1993)

 

Niki Lauda (1949)

 

A rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda durante o campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1976 foi marcadamente mediatizada. O vencedor foi James Hunt e, em parte, deveu-se ao acidente de Niki Lauda, ocorrido em Nurburgring, que o afastou das pistas durante quase 2 meses.

 

 

 

 

 

Apesar das circunstâncias da vitória, James Hunt explodiu de felicidade e não escondeu a emoção. «Foi o dia mais feliz da minha vida», lia-se na edição do dia 30 de agosto de 1976 do jornal O Globo.

Este duelo ficou de tal forma conhecido que, em 2003, foi recriado para o cinema pela realização de Ron Howard. O filme chama-se Rush.

 

 

 

 

Para além do filme Rush, foram vários os trabalhos que que deram destaque ao Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1976.

Foi um campeonato atribulado. O vencedor, James Hunt, foi uma surpresa e Niki Lauda, apesar do aparatoso acidente, voltou às pistas ainda nessa competição.

 

 

 

 

 

Ayrton Senna vs Alain Prost

Ayrton Senna (1960-1994)

 

Alain Prost (1955)

 

1º CONFRONTO

O primeiro momento de tensão ocorreu em 1988, durante o Grande Prémio de Portugal. Senna bloqueou Prost, forçando-o a correr junto ao muro da pista. Prost conseguiu desviar-se e alcançou a liderança quando chegaram à primeira curva da corrida.

 

 

 

 

2º CONFRONTO

A rivalidade entre os dois intensificou-se em 1989, no Grande Prémio de San Marino. Os dois pilotos acordaram que nenhum deles se colocaria no caminho do outro pois corriam pela mesma equipa, a MacLaren – Honda.

Senna assumiu a liderança. No entanto, um acidente com outro piloto, Gerhard Berger, fez parar a corrida. No reinício, Prost tornou-se líder e Senna ficou insatisfeito. Em consequência, o piloto brasileiro quebrou o acordo e colocou-se à frente do caminho do rival. Prost ficou furioso pois Ayrton Senna acaba por ganhar a prova.

Outro facto que enfureceu Alain Prost foi o favoritismo atribuído a Ayrton Senna dentro da equipa da MacLaren – Honda. Por tudo isto, o piloto abandonou a equipa a meio da temporada e assinou um contrato com a Ferrari, na temporada seguinte.

 

 

 

 

Ainda em 1989, os dois pilotos tiveram mais um momento de tensão durante o Grande Prémio do Japão. Ambos colidiram, quando Alain Prost tentou bloquear Ayrton Senna numa tentativa de ultrapassagem de chicane (sequência de curvas em formato ‘S’ usada para diminuir a velocidade).

Prost saiu do carro no momento em que Senna pediu auxílio aos técnicos para que devolvessem o carro à pista. Contudo, Senna retornou às boxes enquanto Prost dirigiu-se aos árbitros reportando que a ultrapassagem de chicane, feita por Senna, era ilegal. Devido à queixa, Senna foi desqualificado e Prost ganhou o campeonato.

 

 

 

 

3º CONFRONTO

O Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1990 foi novamente uma pista de combate para Prost e Senna. O piloto brasileiro estava melhor colocado que o piloto francês, que corria agora pela Ferrari.

Sem explicação aparente, na penúltima corrida do campeonato, em Suzuka, no Japão, o lado ímpar das posições de largada foi trocado com o lado par.

Senna reclamou alegando que o lado ímpar estava sujo e que a aderência ao piso era menor. Mas na verdade, Senna não estava satisfeito porque Prost, devido à mudança, tinha ficado com um lugar preferencial para a largada, isto é, no lado mais protegido da pista. O apelo do piloto brasileiro foi rejeitado e no início da corrida, Prost estava à frente. Ayrton Senna não quis perder a liderança e no final da primeira curva colocou-se à frente de Prost colidindo no carro do rival.

Alain Prost ficou, mais uma vez, indignado com Ayrton Senna e no final da corrida afirmou a um jornalista da Eurosport: «What he did was very bad. He is a man without value. I am sure that he hit me on purpose».

Um ano depois, Senna admitiu que a manobra foi premeditada, foi uma vingança, pelo facto de Prost ter tentado retirar os dois da corrida no ano anterior.

 

 

 

 

4º CONFRONTO

No ano seguinte, em 1991, os dois rivais foram protagonistas de mais um incidente. A Ferrari de Prost era mecanicamente inferior à McLaren, equipa pela qual corria Ayrton Senna.

No Grande Prémio da Alemanha de 1991, Prost disputava o 4º lugar com Senna o que não o demoveu de defender-se agressivamente fazendo Prost desviar-se, logo na primeira chicane, pela rota de escape.

Fizeram 11 voltas em luta constante até que, quando faltavam apenas 8 voltas para terminar a corrida, Alain Prost tentou uma ultrapassagem perigosa, que foi executada sem sucesso e o afastou da corrida. Coincidentemente, Senna ficou sem combustível na última volta, exatamente naquele ponto. Ayrton Senna terminou a prova em 7º lugar.

Alain Prost decidiu fazer uma pausa em 1992 após ter sido dispensado pela Ferrari por ter criticado publicamente o carro e a equipa. Na temporada seguinte, Prost assinou um contrato com a Williams. Ayrton Senna quis também ir para a Williams pois alegava que a MacLaren já não era a equipa mais competitiva. Ainda assim, Prost tinha uma cláusula no contrato que proibia o rival de ser companheiro de equipa. Furioso, Senna chamou o Prost de cobarde durante uma conferência de imprensa no Estoril, em Lisboa.

Ayrton Senna entra na Williams em 1994 e em resposta Alain Prost retira-se da Formula 1, durante o Grande Prémio de Portugal.

 

 

 

 

Frank Williams, Fundador da Williams F1 comenta a técnica dos dois pilotos:

«You can call me unfair, but always suspected that Alain had a greater ability. I say this remembering that Ayrton defied more the limits than Alain. But Alain, never explored the extreme so consistently or successful way like Ayrton. Alain took calculated risks. Ayrton was all about courage. Despite the many differences, they also have similarities. The two pilots were very cerebral, great “thinkers”. But the manifestations of this mental control were different». [Podem chamar-me injusto, mas sempre suspentei que o Prost tinha uma grande abilidade. Eu digo isto lembrando que o Ayrton desafiava mais os limtes que o Alain. Mas o Alain nunca explorou o extremo tão conscientemente ou de uma forma tão bem sucedida como o Ayrton. Alain assumia riscos calculados. Apesar das demais diferenças, eles tinham grandes semelhanças. Eram dois pilotos muito cerebrais, grandes «pensadores». No entanto, as manifestações de controlo mental eram diferentes.]

 

Michael Schumacher vs Damon Hill

Michael Schumacher (1969)

Damon Hill (1960)

 

O estranho caso de Adelaide

Em 1994, Damon Hill corria pela Williams e era parceiro de equipa de Ayrton Senna. Após um aparatoso acidente, Senna morreu durante o Grande Prémio de San Marino e Damon Hill passou para piloto principal disputando a liderança do campeonato diretamente com Michael Schumacher que, nesta altura, corria pela Ferrari.

Durante este campeonato, no Grande Prémio da Bélgica, Schumacher ignorou a bandeira preta e foi impedido de correr nas duas provas seguintes. Hill aproveitou para somar pontos e diminuir a diferença que o separava de Michael Schumacher.

Quando Schumacher regressou apenas um ponto o separava de Damon Hill. O reencontro, na corrida final do campeonato, em Adelaide – Austrália – Hill via o pódio cada vez mais perto e no momento em que ia ultrapassar Schumacher, este embate no carro de  Hill, causando estragos que o impediram de vencer a corrida.

Michael Schumacher ganhou o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1994 e Damon Hill é empurrado para o 2º lugar.

 

 

 

 

 

Felipe Massa vs Lewis Hamilton

Felipe Massa (1981)

Lewis Hamilton (1985)


 

Os pilotos Felipe Massa e Lewis Hamilton protagonizaram uma das maiores estórias de rivalidade da Formula 1. A estreia foi na disputa do campeonato de 2008, no qual Lewis Hamilton venceu Felipe Massa por um ponto.

Não obstante, a época de maior tensão foi durante o campeonato mundial de 2011. Além de várias colisões em pista, os pilotos trocaram picardias através dos meios de Comunicação Social. O momento mais evidente foi após o GP de Singapura, durante uma conferência de imprensa, quando Felipe Massa interrompe Lewis Hamilton.

Hamilton e Massa colidiram quatro vezes durante a temporada de 2011. Primeiro no GP do Mónaco, depois GP de Inglaterra seguindo-se ainda mais dois acidentes com palco no GP do Japão e no GP da Índia.

 

 

 

 

 

 

 

A rivalidade entre os dois passou das pistas de corrida para os vários meios de comunicação e tornou-se de tal forma viral que surgiram cartoons sobre este caso.

 

Marcelo Rebelo de Sousa

Professor de Direito, comentador político, Presidente da República e…jornalista. Em 2016 é eleito para o Palácio de Belém mas, durante as décadas de 1970 e 1980, dirige o Expresso e funda o jornal Semanário, antes de iniciar uma carreira de sucesso como comentador de TV

«O Balsemão é lelé da cuca», lia-se na secção «Gente» no Expresso do dia 5 de agosto de 1978.

Balsemão, que não gosta de ser ridicularizado no próprio jornal e estando de férias no Algarve, ligou a Jorge Galamba Marques, diretor comercial do Expresso, que também tinha a incumbência de fechar as páginas do jornal na gráfica.

Perguntou-lhe se tinha lido a «Gente». Galamba Marques não se recordava daquele artigo. Como tal, releu o jornal com mais atenção e deu com a frase.

«Faça uma coisa, ó Jorge», disse-lhe Balsemão, «se isto não tem nada a ver com o Diário de Lisboa, vá lá acima procurar os originais e veja se é obra do Marcelo, mas acho isto muito estranho…»

Em resposta Galamba Marques disse a Balsemão: «Bom, tenho isto aqui à frente, estou a ler, e é a letra do Marcelo…» O estranho era a verdade, Marcelo era o autor da frase que Balsemão não achou piada.

Balsemão mandou-o chamar ao gabinete mas não o despediu do jornal. Marcelo era necessário ao Expresso.

A 12 de dezembro de 1948, em Lisboa, Maria das Neves Rebelo de Sousa foi para o hospital, para dar à luz o filho Marcelo, com o então Presidente da Comissão Executiva da União Nacional, Marcello Caetano, o sucessor de Salazar à frente dos destinos do País na época.

Marcelo Rebelo de Sousa nasceu no seio do poder, cresceu a conviver com ministros por via das funções políticas do pai, Baltasar Leite Rebelo de Sousa.

Em 1971 licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e mais tarde, em 1984, doutorou-se em Ciências Jurídico-Políticas pela mesma Universidade.

Antes de iniciar a sua carreira como professor catedrático nas Faculdades de Direito da Universidade Católica Portuguesa e Universidade Nova de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi jornalista.

Começou pelo Expresso, chegando mesmo a dirigi-lo entre 1980 a 1983 e, ainda neste ano, fundou o Semanário, juntamente com Daniel Proença de Carvalho, José Miguel Júdice, Victor Cunha Rego, João Amaral, entre outros.

O Jornalista

Ainda não tinha 30 anos e já era diretor-adjunto doExpresso. As suas crónicas e notícias brilhavam no jornal de Balsemão, mas enervavam Sá Carneiro, o fundador do PPD que era então Primeiro-Ministro. Não era nada de pessoal, com ele nunca era: as mesmas crónicas, notícias e intrigas passaram a enervar Balsemão (o dono e fundador do jornal) quando este subiu a ministro e depois primeiro-ministro.

Piedade não era a característica mais conhecida em Marcelo. Mas acabaria mesmo como diretor do Expresso, mostrando naquelas páginas em tamanho broadsheet que a sua independência era o seu maior trunfo. Custasse a quem custasse.

Balsemão percebeu isso e tentou uma estratégia diferente: chamou Marcelo para o Governo, com a ideia de o tirar do palco noticioso e acabar com as críticas ao Governo que saíam do seu próprio jornal.

E assim começou a vida dupla de Marcelo. Estreou-se como secretário de Estado, depois como Ministro dos Assuntos Parlamentares.

Marcelo entediou-se rapidamente. O poder que tinha no Governo era menor do que a influência com que contava no Expresso.

Rezam as crónicas que nessa altura, com pouco mais de trinta anos, Marcelo se transformou num «distribuidor» de notícias por vários jornais. Depois, quando saiu do Governo, em 1983, voltou ao jornalismo. Para criar o Semanário, o jornal que tinha a mensagem «política pura e dura».

Marcelo, o jornalista, foi sempre ácido e cru com a política e outros assuntos relacionados com o poder em Portugal. No Semanário, escreveu a dada altura, sobre a Maçonaria em Portugal, «o cidadão comum sabe pouco, muito pouco, acerca do que é a Maçonaria e em que consistem os ideais maçónicos… Não conhece mesmo aquilo que “maçons” públicos e notórios dedicados ao labor histórico vão publicando, e que abrange muitas das principais personalidades já falecidas e que pertenceram a essa realidade sempre tão presente na vida nacional». Um assunto de entrelinhas que ganhou destaque no Semanário ou «o jornal de culto», como alguns lhe chamavam.

Nas páginas do novo jornal, o cronista Marcelo escreveu contra o bloco central de Mário Soares e Mota Pinto, que tinha nascido do fim abrupto do Governo de Balsemão. E abria uma janela de combate dentro do próprio PSD para o seu grupo, a «Nova Esperança» que era dele, de Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Miguel Júdice e António Pinto Leite. Irritando Mário Soares, Marcelo usou o Semanário para imprimir uma data de validade ao governo PS-PSD e seguintes. «Estamos em Fevereiro de 1987. Os noventa dias em que se seguem servirão para revelar se o “wait and see” é a fórmula ideal para este partido (PSD), com este Governo, com este Primeiro-Ministro. E, de, Belém atento e repousado, o Dr. Mário Soares acompanha, feliz, a evolução dos acontecimentos».

Meses antes das eleições legislativas de 1987, que deram a maioria absoluta ao PPD/PSD e a permanência de Aníbal Cavaco Silva no cargo de Primeiro-Ministro, Marcelo escreveu uma crónica a apelar à atenção em outros temas que careciam de atenção em Portugal.

«Em vez de, como quase todos, prevermos eleições para 1987, preferimos seguir caminho diverso e sublinhar 5 outros grandes temas que estarão na ordem do dia neste tempo de transição.»

Um dos temas era a «Necessidade de Informar».

O Político

Marcelo Rebelo de Sousa aderiu ao Partido Social Democrata (PSD) após a sua fundação, em maio de 1974, e desde então foi sempre num jogo duplo acompanhando a vida do partido e dos jornais. Em 1987 deixou o Semanário e reforçou a sua presença na vida política tendo-se candidatado em 1990 a Presidente da Câmara de Lisboa e em 1996 tornou-se Presidente do PSD.

Durante a campanha para o município de Lisboa Marcelo mergulhou no Tejo, guiou um táxi e varreu o lixo.

Naquela altura, o estuário que banha Lisboa era um dos mais poluídos da Europa, com os esgotos de toda a cidade e dos seus arredores a desaguarem diretamente ali sem qualquer tratamento. Era um risco nadar naquelas águas.

Marcelo e a sua equipa inspirados no mergulho no rio de Walter Momped, aquando da sua candidatura à câmara de Berlim, fizeram do mergulho no Tejo o batismo da candidatura embora Marcelo tivesse aproveitado o momento para alertar para a «necessidade da requalificação da zona ribeirinha e a reconciliação dos lisboetas com o seu rio».

Marcelo não ganhou as eleições mas a sua campanha ficou marcada pela originalidade.

O professor e comentador televisivo

Ainda assim não largando a Comunicação Social, Marcelo tornou-se comentador político primeiro na rádio, na TSF, e depois na televisão, na TVI de 2000 a 2004 e de 2010 até 2015 e na RTP de 2005 a 2010. Paralelamente a estes percursos, Marcelo teve uma longa carreira no ensino universitário.

O seu percurso enquanto comentador tornou-o numa presença habitual e afável de grande maioria dos lares portugueses.

O Presidente da República

O professor Marcelo, o ex-jornalista ecomentadorapresentou a 9 de outubro a sua candidatura a Presidente da República.

A sua longa carreira mediática cruzada com o ensino e a política expandiram o seu grau de notoriedade para um nível fora do comum.

Marcelo apostou num baixo orçamento para a campanha afirmando que «é um escândalo» em período de crise gastar-se muito dinheiro em campanhas.

O candidato rejeitou ainda qualquer ligação desta decisão com a sua notoriedade acrescentando: «conheço muitos candidatos com notoriedade muito elevada que, no entanto, tiveram campanhas dispendiosas ao longo da vida, quer em campanhas legislativas, quer em campanhas presidenciais. E eram muito conhecidos, muito, muito conhecidos – tinham décadas de experiência política e de notoriedade pública e de exercício de cargos públicos».

No dia 24 de janeiro de 2016, os portugueses escolheram Marcelo Rebelo de Sousa para ser Presidente da República, nos próximos cinco anos.

D-Day na Normandia

Na nomenclatura militar, D-Day (o Dia D) significa o início de uma operação. A fotografia assinala o D-Day da Operação Neptuno, a 6 de junho de 1944, início da Batalha da Normandia. Iniciava-se a libertação da Europa na II Guerra Mundial

Autor: Robert Capa
Nacionalidade: Húngara/Norte-Americana
Ano:1944
Publicação: LIFE

Maria Lamas

Pioneira e combativa, Lamas, a par com o Jornalismo, é uma forte apoiante e lutadora dos Direitos das Mulheres durante o período do Estado Novo.

Diretora das revistas Moda & BordadosJoaninhaReino dos Miúdos, destaca-se nestas publicações. A par com o Jornalismo, Lamas é uma forte apoiante e lutadora dos Direitos das Mulheres durante o período do Estado Novo

Maria Lamas foi uma das primeiras mulheres jornalistas profissionais. Começou na Agência Americana de Notícias pela mão da jornalista Virgínia Quaresma – com salário, horário e hierarquia.

«Paladina dos Direitos Humanos e dos direitos da mulher, jornalista e escritora de elevado mérito» nasceu a 6 de outubro de 1893, em Torres Novas.

Oriunda de uma família burguesa viveu até aos 10 anos em Torres Novas, onde concluiu os estudos. Posteriormente aprendeu várias línguas, usando essa formação para trabalhar como tradutora.

Casou pela primeira vez em 1910 com Teófilo José Pignolet Ribeiro da Fonseca. Desta união teve duas filhas, Maria Emília (1911) e Maria Manuela (1913). Viveu em Luanda entre 1911 e 1913, acompanhando o marido em missão militar.

Em 1921 casou em segundas núpcias com o jornalista Alfredo da Cunha Lamas de quem teve uma filha, Maria Cândida.

A Pioneira

Na qualidade de jornalista dirigiu a revista Modas & Bordados (1928-1947), um suplemento semanal do jornal O Século.

Nesta época, o Bairro Alto, em Lisboa, era conhecido como o «Bairro da Imprensa» e foi aqui que Maria Lamas conheceu o escritor e jornalista Ferreira de Castro, que a convidou para colaborar na revista Civilização. Maria Lamas aceita e cria uma publicação suplementar, destinada ao público infantil, chamada Reino dos Miúdos. Em 1935, funda uma revista semanal para raparigas chamada Joaninha.

A Combativa

Maria Lamas foi uma defensora dos Direitos Humanos e dos direitos das mulheres. Inscrita desde 1936 na Associação Feminina para a Paz, foi um membro notável do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, do qual foi presidente em 1945. Mais tarde é obrigada a optar entre o Conselho e a revista Modas & Bordados. Em 1947 declara-se publicamente feminista.

A sua atividade libertadora de consciências e identidade desafiava os ideais do Antigo Regime. Não obstante, a sua oposição é intensificada quando, em 1949, ingressa nas organizações políticas Movimento Democrático Nacional (MDN) e Movimento de Unidade Democrática (MUD). Maria Lamas participa ativamente em algumas campanhas eleitorais, nomeadamente na campanha do General Norton de Matos à Presidência.

As suas atividades foram consideradas subversivas, motivo pelo qual foi perseguida e presa pela ditadura até que partiu o para o exílio em Paris, de onde voltou apenas em 1969.

No regresso, adere ao PCP (Partido Comunista Português) e torna-se Diretora Honorária da revista Modas & Bordadose da revistaMulheres.

Em 1980 é agraciada com o Grau de Oficial da Ordem da Liberdade e em 1982 é homenageada pela Assembleia da República.

Maria Lamas foi jornalista, escritora, tradutora – uma investigadora autodidata na História das Mulheres do Portugal contemporâneo.

Morreu a 6 de dezembro de 1983. Uma portuguesa notável e  uma cidadã europeia do século XX.

164 – Rússia

Desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quase todos os meios de comunicação independentes foram banidos, bloqueados e/ou declarados “agentes estrangeiros” ou “organizações indesejáveis”. Todos os outros estão sujeitos à censura militar.

Desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quase todos os meios de comunicação independentes foram banidos, bloqueados e/ou declarados “agentes estrangeiros” ou “organizações indesejáveis”. Todos os outros estão sujeitos à censura militar.

Todos os canais de televisão independentes e privados estão fora do ar, com exceção dos canais de entretenimento a cabo. Inúmeros meios de comunicação ocidentais, como Euronews, France 24 e BBC, já não são acessíveis no país. O Roskomnadzor, órgão regulador dos média, censurou a maioria dos sites de notícias independentes, incluindo Meduza, o mais lido, e Novaïa Gazeta, o mais emblemático. Aqueles que ainda se mantêm pertencem há vários anos a pessoas próximas do Kremlin, ou são forçados a uma autocensura muito rigorosa em relação aos temas e termos proibidos. A situação é a mesma para as rádios.

Desde o início da pandemia de Covid-19, o presidente Vladimir Putin parece estar cada vez mais isolado do mundo exterior, um fenómeno reforçado pela guerra que ele trava contra a Ucrânia. Apenas um círculo muito restrito lhe tem acesso. O Parlamento tornou-se definitivamente uma câmara de registo das decisões tomadas pelo Kremlin. O discurso oficial, imediatamente reproduzido por uma máquina de propaganda onipresente, baseia-se sobretudo numa narrativa de “queixas históricas” russas e teorias da conspiração.

Nenhum jornalista está a salvo de processos judiciais potencialmente graves, baseados em leis repressivas, de formulação ambígua e muitas vezes aprovadas às pressas. No início da pandemia de Covid-19, muitas leis relacionadas com a liberdade de expressão aprovadas nos anos anteriores foram alteradas para incluir figuras como a difamação e a divulgação de “informações falsas” no âmbito do Código Penal. Com a guerra na Ucrânia, esse processo ganhou um novo ímpeto: o Parlamento adotou rapidamente emendas que punem com penas de prisão a transmissão de “informações falsas” sobre o Exército russo e qualquer outro órgão estatal russo operando no estrangeiro. A pena máxima para esses crimes pode chegar a 15 anos de prisão em regime fechado.

As severas sanções impostas à Rússia pelas democracias ocidentais em resposta à invasão da Ucrânia levaram a uma súbita rutura da economia russa com as economias europeias, às quais estava intimamente ligada, o que ameaça mergulhar o país numa longa e profunda crise.

Embora o índice de conexão à internet seja muito alto no país, quase dois terços dos russos têm acesso às notícias principalmente através da televisão, sob controle do governo, e de redes sociais nacionais, como o VKontakte. Assuntos como homossexualidade e sentimentos religiosos tornaram-se gradualmente tabu nos média sob a presidência de Vladimir Putin, que incentivou um certo conservadorismo na sociedade russa.

Nos últimos anos, além das penas pesadas e da tortura sofrida por alguns jornalistas, principalmente ao nível regional, a imposição frequente de multas e detenções de curta duração sob diversos pretextos foi adicionada ao arsenal de intimidação sistemática contra os média. Os meios de comunicação também estão sob a ameaça de inclusão arbitrária na lista de “agentes estrangeiros”, um status que acarreta pesados entraves burocráticos e riscos jurídicos, e na lista de “organizações indesejáveis”, que criminaliza qualquer cooperação e qualquer menção ao meio de comunicação em questão. Diante dos perigos adicionais enfrentados desde o início da guerra na Ucrânia, muitos jornalistas que trabalhavam para meios de comunicação independentes optaram pelo exílio. Ainda assim, as autoridades mantêm a pressão sobre eles através de “visitas” aos seus familiares e amigos e até mesmo condenações à revelia.

Os Senhores deixaram Portugal de tanga!

Em 2002, a Assembleia da República é palco de um dos mais mediáticos “soundbites” de sempre. A discussão do programa de emergência dá azo a uma declaração polémica do então Primeiro-Ministro. Durão Barroso culpa o PS pelo estado das contas públicas.

Um mês depois das eleições legislativas de 2002, o Primeiro-Ministro, Durão Barroso, e o líder da Oposição, Ferro Rodrigues, protagonizaram um dos mais peculiares e mediáticos debates parlamentares.

 A 17 de abril, era apresentado e discutido na Assembleia da República o programa de emergência. Após o discurso de Durão Barroso, Ferro Rodrigues criticou o documento e reafirmou a posição do Partido Socialista relativamente à Execução Orçamental no primeiro trimestre do ano.

Durão Barroso foi perentório: «Os senhores deixaram Portugal de tanga!», afirmou o Primeiro-Ministro, culpando o anterior Governo pelo estado das contas públicas. Ferro Rodrigues respondeu, em nome da sua bancada, considerando que o líder do PSD «usa linguagem que não é própria de um primeiro-ministro».

Polémicas à parte, a expressão ficou na memória coletiva dos portugueses e continua a ser utilizada para aludir aos períodos de crise e dificuldades económicas que o país tem vindo a atravessar.

Nadia Comăneci

A ginasta tornou-se a primeira desportista da modalidade a conquistar a pontuação de 10 tendo-lhe valido grande destaque nos media. Em 1976, lia-se na Time ”She’s perfect” [Ela é perfeita].

Durante o ano de 1977, 790 bebés norte-americanas foram batizadas «Nadia». A razão do súbito salto de popularidade? Uma menina romena de 14 anos.

Em julho de 1976, a capa da Time, da Sports Illustrated e da Newsweek tinha a mesma protagonista: Nadia Comăneci.

Nos Jogos Olímpicos de Montreal, a atleta deslumbrara os media… e os jurados.

A ginasta tornou-se a primeira desportista da modalidade a conquistar a pontuação de 10. Saiu de Montreal com mais seis pontuações máximas, três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

O impacto foi tal que, em 1976, nove bebés foram batizados com o nome «Comaneci».

Nasce a «Nadiamania»

“No woman gymnast in the history of the Olympics has matched the achievement of this 14-year-old Romanian champion” [«Nenhuma ginasta na História dos Jogos Olímpicos conseguiu igualar as conquistas desta campeã romena de 14 anos»], anunciavam os media.

A atleta regressou à Roménia em plena «Nadiamania». Milhares de pessoas juntaram-se no aeroporto para lhe dar as boas-vindas.

 

 

A música batizada em sua homenagem tornou-se um sucesso internacional e conquistou um Grammy.

Celebridade por excelência na Roménia, a jovem Nadia tornou-se um ídolo internacional.

O Presidente Nicolai Ceaucescu recebeu-a pessoalmente e condecorou-a como heroína do social-trabalhismo, a mais jovem de sempre.

Mas a pressão do estrelato começava a ter consequências.

A sua relação com o regime deteriorava-se: a sua presença em eventos oficiais impedia-a de se dedicar devidamente aos treinos.

“Ceauscecu family used me to be involved in a lot of political events and I was not a political person, I was a sports person. […] And I didn’t have a private life. And I realized that I would never have a private life as long as that family would be alive” [«A família Ceauscecu usou-me para me envolver numa série de envetos politicos e eu não era uma pessoa da política, era uma pessoa do desporto. […] E não tinha uma vida privada. E apercebi-me de que nunca teria uma vida priva enquanto aquela família vivesse»], confessou a atleta.

O regime receava que a sua estrela mais brilhante se deixasse conquistar pelo estilo de vida ocidental.

Por detrás da Cortina de Ferro

Na ginástica, Nadia continuava a triunfar, conquistando mais quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de 1980.

No ano seguinte, anunciou a sua retirada da competição.

 

 

Por detrás da cortina de ferro, começavam a circular rumores sobre a sua vida privada, desde o seu suposto relacionamento com o filho do Presidente romeno até à sua alegada tentativa de suicídio.

A vigilância intensificou-se ainda mais com a fuga do seu treinador, Bela Károlyi, para os Estados Unidos.

Em 1984, Nadia viajou até ao continente americano enquanto convidada para os Jogos Olímpicos, sob apertado escrutínio dos seus acompanhantes.

No seu regresso, o cerco apertava-se: foi proibida de viajar para fora da Europa de Leste.

“My life drastically changed after the Károlyi defection. I was no longer allowed to travel outside Romania. […] I started to feel like a prisoner. In reality, I’d always been one” [«A minha vida mudou drasticamente depois da fuga de Károlyi. Já não tinha permissão para viajar para fora da Roménia. […] Comecei a sentir-me como uma prisioneira. Na verdade, sempre tinha sido uma»], contou Nadia.

Em novembro de 1989, decidiu escapar clandestinamente.

“Walked in the middle of the night, six hours. Dangers, snow, ice and mines. […] It was very hard” [«Caminhámos a meio da noite, seis horas. Perigos, neve, gelo e minas. […] Foi muito difícil], afirmou, em entrevista.

O sonho americano

A 1 de dezembro de 1989, Nadia Comăneci aterrava em Nova Iorque, escapando às malhas apertadas do regime comunista romeno.

”I am very happy because I am here in America, and I wanted for a long time to come here” [«Estou muito feliz porque estou aqui na América, e queria há muito tempo vir para cá»], contou aos media, ainda no aeroporto.

Nesse mesmo mês, o Presidente Ceausescu era executado e a Roménia libertava-se do seu regime opressor.

No seu mediático regresso à América, já pouco havia em Nadia da menina de rabo de cavalo que, 13 anos antes, encantara o mundo do desporto.

“Nadia was the leaping, socialist princess, perfect in every way, getting 10s for dancing on a rail. She was Cinderella in Iron Curtain tights. This one needs a good vacuuming, and Cinderella’s prince did not already have four children” [«Nadia era a princesa socialista dos saltos, perfeita de todas as formas, a conquistar 10 por dançar na barra. Era a Cinderela em collants da Cortina de Ferro. Esta precisa de uma boa limpeza e o Príncipe da Cinderela não tinha já quatro filhos»] , escreveu o jornalista Bernie Lincicome, em dezembro de 1989.

A natureza da sua relação com Constantine Panait, que a ajudara a escapar da Roménia e que se tornara seu agente, levantou especulação e manchou a sua reputação junto dos norte-americanos.

“The strange and terrible story of the Olympic angel who won our hearts at the 1976 Games – and went to hell in Ceaucescu‘s Romania” [«A estranha e terrível história do anjo olímpico que conquistou os nossos corações nos Jogos de 1976 – e desceu ao inferno na Roménia de Ceaucescu»], escreveu a Life, a 1 de março de 1990.

Da sua nova vida nos Estados Unidos ao pesadelo vivido na Roménia, multiplicavam-se as manchetes sobre a vida pessoal de Nadia.

Os escândalos mediáticos não impediram o seu regresso ao mundo do desporto.

No início dos anos 90, voltou a dedicar-se à ginástica, promovendo digressões e apoiando a prática desportiva.

O regresso à Roménia

Nadia Comăneci voltou a Bucareste em 1994, com a equipa romena, que tinha acabado de vencer o título mundial.

 

 

“I’m very happy to be back after five years since I left […] I couldn’t believe how many people were at the airport waiting for me» [«Estou muito feliz por estar de volta, cinco anos depois de ter partido […] Nem acredito no número de pessoas que estavam no aeroporto à minha espera”], revelou, em conferência de imprensa.

A acompanhar Nadia na visita à Roménia estava Bart Conner.

Os dois antigos atletas olímpicos tinham participado – e saído vitoriosos – da American Cup, em 1976.

Em 1996, duas décadas depois dessa vitória, casaram-se em Bucareste, uma cerimónia transmitida ao vivo na televisão do país.

“When I got married in Bucharest there were 10,000 people on the street. People didn’t go to work that day” [«Quando me casei, em Bucareste, estavam 10.000 pessoas na rua. As pessoas não foram trabalhar nesse dia», revelou a atleta.

Nadia voltava a ser uma heroína nacional. A «Nadiamania» estava de volta à Roménia – ou talvez nunca tivesse  realmente terminado.