No período de 1981 a 1996, Augusto Abelaira publicou crónicas na secção «Ao pé das letras» do Jornal de Letras nas quais, mais uma vez, se confirmou o interesse pela interpretação do mundo literário e dos seus intervenientes.
Em dezembro de 1992, publicou um texto intitulado «A propósito do diário de Samuel Pepys», aqui afirmou não ser um leitor de diários, mas que, com a leitura da obra deste escritor inglês, descobriu uma série de curiosidades sobre a relação do escritor com a literatura: a razão da escrita, os motivos da publicação, o perfil do leitor.

Num outro artigo editado no Jornal de Letras, intitulado de «Saber Ler», Augusto Abelaira colocou as seguintes questões:
«Será que os Portugueses (a maioria dos portugueses) não gostam de ler porque, embora alfabetizados, não sabem ler? Será que a escola os ensinou a soletrar, mas não a compreender, para além de cada frase, uma a uma considerada, a sequência de frases que constituem um todo? (…) Dizem-me alguns professores liceais: muitos alunos chegam aos últimos anos sem compreender o que leem, sem saber resumir um texto, se ele não for uma simples notícia de jornal. Logo: que estiveram os alunos a fazer durante os primeiros anos? Ou: que estiveram os professores a fazer? Ou: que espécie de ensino é o nosso? Quero dizer: como classificar um ensino que não ensinou aos alunos o prazer da leitura, pouco importa se leitura de romances ou de livros de Física? Sem ensinar o prazer da leitura não haverá leitura, e sem leitura nunca ultrapassaremos a Grécia».
A alfabetização e a degradação da relação das demais gerações com a Literatura eram outras temáticas que Augusto Abelaira abordava nas suas crónicas.