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News Standard

CEE: Refazer o “puzzle”

A Grã-Bretanha, a República da Irlanda e a Dinamarca assinalaram na passada quinta-feira o décimo aniversário da sua permanência da Comunidade Europeia. É curioso notar que, entre várias correntes de opinião britânicas, a passagem destes dez anos não contribuiu para atenuar – talvez mesmo tivesse aumentado – as dúvidas e apreensões relativas aos benefícios que a CEE terá trazido, ou poderá ainda proporcionar, à economia nacional.

Comércio do Porto | 1982-11-28

CEE: Refazer o “puzzle”

Eanes na Bélgica – Europa à vista África na bagagem

O presidente Ramalho Eanes deslocou-se a Bruxelas para salientar as boas relações existentes entre Portugal e a Bélgica, mas, acima de tudo, para reafirmar a CEE o empenhamento português na próxima adesão. Por outro lado, levou aos europeus impressões de África, que lhes são cada vez mais importantes.

Ponto | 1982-04-29

Eanes na Bélgica – Europa à vista África na bagagem

1982

VISITA DO PAPA

Uma das figuras mais populares de 1982 era Tony Silva, um expoente da “música ró” encarnado por Herman José. Tão popular que levaria o Expresso a convidar logo no início do ano o humorista para os famosos “almoços no Pabe”, o restaurante situado ao lado do jornal onde todas as semanas levava um político, um economista ou outra personalidade de primeiro plano para uma entrevista durante o almoço.

Pela mesma altura, o Expresso publicou na primeira página uma notícia que hoje causaria estranheza. Fronteiras e alfândegas abertas 24 horas por dia? Foi o que aconteceu, para facilitar “a importação de produtos pecuários fundamentais” face à greve dos estivadores.

Dos acontecimentos internacionais mais marcantes destacou- se a Guerra das Malvinas/Falkland, a ilha do Atlântico Sul disputada pela Argentina e pelo Reino Unido. Iniciada em 2 de abril, terminou a 14 de junho, com o arquipélago a ser recuperado pelos britânicos, o que ajudaria a conservadora Margaret Thatcher a ganhar as eleições do ano seguinte e a Junta Militar argentina a cair. Para trás ficavam 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis mortos.

Foi, também, o ano da retirada da OLP de Beirute Ocidental, numa grande e complexa operação sob supervisão norte-americana. O Líbano era há muitos anos um Estado com vários Estados dentro, com atentados e confrontos diários entre dezenas de fações das mais variadas obediências políticas e religiosas. A OLP era um deles, depois de aí se ter instalado depois da expulsão da Jordânia.

O Papa João Paulo II fez a primeira visita a Portugal, cumprindo a promessa de vir a Fátima agradecer a Virgem Maria por ter escapado ao atentado de que fora alvo no ano anterior em Roma. Durante a procissão noturna das velas, o Sumo Pontífice seria aliás alvo de uma tentativa de agressão, com uma faca, pelo padre integrista espanhol Juan Maria Krohn.

A nível político, a primeira revisão da Constituição acabou com o Conselho da Revolução e criou o Conselho de Estado, e a Alternativa Democrática (AD), coligação de Governo entre o PSD e o CDS, entrou em convulsão. Na televisão, uma estreia: a primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia”.

Como seria a vida no ano 2000? Este foi um dos exercícios feitos pelo Expresso nesse longínquo ano que, a nível interno, ficaria marcado por uma eleição insólita para “Figura Nacional do Ano”. Não tendo os jornalistas considerado haver nesse ano uma figura nacional que se tivesse distinguido suficientemente, acabaram por eleger Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, cujo nome alguém tinha proposto na reunião da Redação ao olhar pela janela para a Praça Marquês de Pombal, visível das instalações que o Expresso ocupava então.

1982

CEE: outras alternativas estão abertas a Portugal – aviso de Gonçalves Pereira em Londres

O ministro dos Negócios Estrangeiros, André Gonçalves Pereira, reforçou anteontem, à noite, em Londres, a defesa da indústria têxtil portuguesa no processo de adesão de Portugal ao Mercado Comum.

Comércio do Porto | 1981-12-10

1981-ponto-final-1

Recessão é de temer se Copenhaga falhar

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, manifestou-se ontem optimista quanto à possibilidade de a próxima Cimeira Europeia de Copenhaga encontrar soluções para a crise financeira da CEE, mas advertiu que “se Copenhaga falhar, os agentes económicos ficarão falhos de confiança e será de temer uma recessão económica”.

Diário de Notícias | 1981-11-17

Recessão é de temer se Copenhaga falhar

Balsemão fez sentir a Thatcher como a adesão à CEE o preocupa

Quando esta edição estiver na rua, já Balsemão chegou a Lisboa vindo de Londres. Na capital Britânica esteve um primeiro-ministro impaciente com algumas arestas mal limadas do nosso “dossier” de adesão à CEE.

Ponto | 1981-10-29

1981

ATENTADOS AO PAPA E AO PRESIDENTE DOS EUA

Com a morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro no mês anterior, tomou posse logo no início de janeiro o VII Governo constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão. No Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa assumia funções de diretor efetivo.

No primeiro semestre assistiu-se a vários acontecimentos internacionais dramáticos. Logo em janeiro foram libertados 52 norte-americanos que tinham sido mantidos como reféns durante 444 dias na embaixada dos Estados Unidos no Irão, ocupada por um grupo de estudantes e de militantes islâmicos na sequência da tomada do poder pelo aiatola Khomeini, em 1979.

No mês seguinte, aqui ao lado, o tenente-coronel da Guarda Civil António Tejero Molina entrou no Parlamento espanhol de pistola em punho, à frente de 200 homens, sequestrando os deputados durante um dia e uma noite. A tentativa de golpe de Estado, que ficou conhecida como o 23-F (23 de fevereiro), falhou.

Pouco mais de um mês depois registar-se-ia um atentado contra o Presidente dos Estados Unidos. Ao sair de um hotel de Washington onde tinha discursado numa conferência, Ronald Reagan foi atingido a tiro por um atirador isolado, com problemas de ordem psíquica.

E, cerca de um mês depois, novo atentado inquietava grande parte do mundo: o Papa João Paulo II era atingido a tiro na Praça de São Pedro, sobrevivendo após delicada operação.

Por cá, viviam-se já problemas que continuam atuais — e hoje mais graves. Um deles era a seca, anunciando o Expresso que Balsemão ia fazer até uma comunicação ao país depois da reunião do Governo em que seriam decretadas medidas. O Fundo Monetário Internacional voltou, para preparar novo “pacote de ajudas”, e o correspondente apertar do cinto, com o Governo a garantir que ia conter a inflação anual nos 18,5%.

Datam deste ano as primeiras “borlas” na Ponte 25 de Abril. Nos domingos de julho e agosto quem quisesse entrar em Lisboa não pagava portagem. Em Nova Iorque foi descoberta uma “doença estranha”, que atingia sobretudo a comunidade homossexual – era a sida – e grande parte do mundo assistiu em direto a um conto de fadas, o casamento do Príncipe Carlos com Diana Spencer.

No Expresso, o ano foi de muitas novidades. No fim de janeiro, “atento ao Norte do país e, em muito especial, ao Porto”, arrancava “com uma delegação permanente, envolvendo um correspondente exclusivo”.

Em fevereiro anunciava uma remodelação, no âmbito da qual o escritor Vergílio Ferreira inaugurava uma nova secção, “Crónicas”. Duas semanas depois, passava a publicar na primeira página uma crónica de António Barreto.

Em meados de março, numa iniciativa inédita, eram inaugurados no restaurante Pabe (quase ao lado do jornal) os famosos “almoços no Pabe”: todas as terças-feiras o Expresso convidava para almoçar uma figura em destaque no meio político, económico e social, que era entrevistada durante o repasto. Os outros comensais do dia recebiam uma ementa autografada pelo convidado. O primeiro entrevistado foi o ex-primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos.

Datam também de 1981 as duas “incursões” do Expresso na rádio. A primeira foi uma colaboração Antena 1/Expresso para um programa semanal de uma hora às sextas-feiras à noite, em junho, julho e agosto. A outra, lançada no mês seguinte, era um programa bissemanal na Rádio Comercial chamado “Expresso da Meia-Noite” (quartas e sábados).

Ontem como hoje, não paravam entretanto de aumentar os preços dos bens alimentares de primeira necessidade. Em janeiro, o aumento médio seria de 17%, dizia o Expresso na última edição do ano.

1981

Morte de John Lennon

8 de Dezembro de 1980. Depois de um dia inteiro em gravações para o seu novo álbum, em Nova Iorque, o mediático cantor e ex-membro dos Beatles, John Lennon, regressava a casa acompanhado da sua mulher, a japonesa Yoko Ono, quando foi atingido a tiro pelas costas.

A 8 de dezembro de 1980, a ABC interrompe o relato de um jogo de futebol americano para revelar que John Lennon está morto. O mais medático ex-membro dos Beatles é assassinado à porta de casa em Nova York.

O cantor acabaria por morrer no Roosevelt Hospital, após perder grandes quantidades de sangue. O autor do assassinato, Mark Chapman, de apenas 25 anos, seria um religioso fanático que considerava blasfemas algumas das afirmações e letras musicais de John Lennon.

Uma das afirmações datava de 1966, quando, numa entrevista, Lennon afirmou: “o Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. Nós, Beatles, somos mais populares do que Jesus neste momento”.

A sua morte e a cobertura mediática da mesma comprovaram e exponenciaram esta popularidade, elevando-o ao estatuto de herói.

“A morte de um herói” e “Quando a música morreu” são títulos que espelham bem o tom das notícias em torno da morte de John Lennon, fazendo dele um símbolo e uma lenda.

Não tinha morrido “apenas” um homem.

Camarate

O desastre

«Francisco Sá Carneiro, Primeiro-Ministro de Portugal, faleceu há pouco mais de uma hora num desastre de aviação». São 21h29 do dia 4 de dezembro de 1980 e a RTP interrompe a emissão habitual para dar conta do desastre.

O bimotor Cessna C421 descola do Aeroporto Internacional de Lisboa com destino ao Porto. Menos de um minuto depois, despenha-se no Bairro das Fontainhas, em Camarate, mesmo junto ao aeroporto.

A bordo seguem o Primeiro-Ministro português, Francisco Sá Carneiro, a sua companheira, Snu Abecassis, Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa, e a sua mulher, o chefe de gabinete do Primeiro-Ministro, António Patrício Gouveia, e os dois pilotos do aparelho. A confirmação das notícias não tarda.

«O Ministro da Administração Interna, Eurico de Melo, já confirmou à RTP e aos jornalistas presentes que efetivamente aquele era a avioneta onde seguia o Primeiro-Ministro», anuncia estação pública.

Também as rádios estão em cima do acontecimento, com emissões especiais dedicadas ao desastre e o envio de repórteres para o local. A notícia atravessa a fronteira e faz eco na rádio espanhola.

Em Camarate, os jornalistas pressionam a deputada Helena Roseta. «E agora, o que é que vai acontecer?» «Continuamos. Portugal continua».

O rescaldo do acidente

Diogo Freitas do Amaral, vice Primeiro-Ministro do Governo de Sá Carneiro, faz uma comunicação ao país. «Portugueses, num horrível acidente de aviação, morreu hoje, ao princípio da noite, o Primeiro-Ministro de Portugal, Dr. Francisco Sá Carneiro».

As palavras de homenagem chegam até pela voz dos opositores políticos. «Esta é uma hora de consternação e de luto para todos os portugueses e para todos os democratas».

O destaque mediático

​Nos dias e semanas que se seguem, a história faz capas.

«Há ocasiões em que as palavras parecem escassas para exprimirem o sentimento trágico que se apodera da comunidade nacional», lê-se no editorial do Diário de Notícias, liderado por Mário Mesquita, numa segunda edição do dia 5 de dezembro. A frase ilustra o sentimento de incredulidade e emoção que se alastrou pelo país.

Em campanha presidencial

Na fatídica noite, a avioneta segue para o Porto, onde Sá Carneiro deve participar num comício da campanha presidencial. Faltavam três dias para decisão final dos eleitores nas segundas eleições presidenciais da democracia. De um lado, o Presidente da República em mandato, o general Ramalho Eanes. Do outro, o general Soares Carneiro, apoiado pela Aliança Democrática.

No dia da sua morte, o Primeiro-Ministro dá uma última conferência de imprensa e grava a derradeira mensagem aos Portugueses.

Na data do sufrágio, 7 de dezembro, as presidenciais dividem capas com o funeral de Sá Carneiro, decorrido no dia anterior. O cortejo sai dos Jerónimos para o Cemitério do Alto de São João, um percurso que dura cinco horas é acompanhado por milhares de pessoas.

Apesar da comoção nacional, Ramalho Eanes é reeleito com 56,44 por cento dos votos, colocando um fim ao sonho de «uma maioria, um governo e um presidente» de Sá Carneiro. Os resultados surpreendem alguns comentadores políticos, que esperam que a reação emocional do país em relação à tragédia pudesse inverter a tendência de vitória de Ramalho Eanes.

As suspeitas

Ainda nesse mês, é levantada a teoria que a queda da aeronave podia não ter-se tratado de um acidente.

Em Janeiro seguinte, o Expresso avança informações sobre as autópsias e detalhes sobre a queda da aeronave.

A especulação nunca foi travada. Ao longo das décadas, sucessivas Comissões Parlamentares analisaram as circunstâncias da tragédia de Camarate.

1980

MORTE DE SÁ CARNEIRO

O ano ficou marcado por um acontecimento trágico ocorrido no último mês do ano. No dia 4 de dezembro, quando ia para o Porto apoiar o candidato do centro-direita à Presidência, general Soares Carneiro, o primeiro-ministro, Sá Carneiro, morria na queda da avioneta que tinha acaba de levantar voo do aeroporto de Lisboa. Morreram todos os ocupantes: o chefe do Governo, a sua companheira, Snu Abecasis, o seu ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, outros dois passageiros e os dois pilotos.

As circunstâncias do desastre iriam ser tema de debate durante muitos e longos anos, com investigações, comissões parlamentares de inquérito sucessivas, polémicas, acusações, revelações, falsas ou verdadeiras, etc. Tudo em torno de uma dúvida: acidente ou atentado?

Voltando ao início do ano, logo no dia de Ano Novo houve um terramoto nos Açores, o mais destrutivo dos 200 anos anteriores em Portugal, que fez 73 mortos e 30 mil desalojados.

E, pela primeira vez desde a sua criação, o Expresso abria o ano deixando de ter no cabeçalho o nome de Francisco Pinto Balsemão como diretor — acabara de ser nomeado ministro-adjunto do primeiro-ministro, explicava o próprio em nota ao cimo da primeira página.

A Aliança Democrática, coligação entre o PSD, o CDS e o pequeno Partido Popular Monárquico, venceria as eleições de outubro, glosadas na semana anterior no primeiro cartoon de António a ser publicado numa primeira página do Expresso, no qual mimetava o quadro “O grito”, de Edvard Munch, pondo um zé-povinho a gritar.

Lá fora nascia um novo país em África (adeus Rodésia, olá Zimbabué), era assassinado em Nova Iorque o ex-Beatle John Lennon e os Jogos Olímpicos causavam grande agitação internacional. Organizados em Moscovo, foram boicotados pelos Estados Unidos e seus aliados, em protesto pela invasão soviética do Afeganistão, no ano anterior.

1980 foi também o ano do “piratinha do ar”, o adolescente que desviou um avião da TAP para Madrid. O serviço militar deixou de ser obrigatório, o Governo abriu concurso para a autoestrada Lisboa-Estoril e a GNR foi desenterrar à serra de Sintra, depois de um telefonema anónimo, 15 metralhadoras G-3 bem acondicionadas e prontas a disparar.

Antes, uma delegação do Governo português tinha ido ao Iraque comprar petróleo e deixado “apalavrado” um fornecimento suplementar, a troco do fornecimento de urânio nacional.

Antes ainda, logo a 25 de janeiro, o Presidente Ramalho Eanes tinha festejado 45 anos e recebido da sua equipa de trabalho na presidência uma bicicleta de corrida — para dar umas “pedaladas” num ano que seria politicamente duro.

1980

1979

INVASÃO DO AFEGANISTÃO, REVOLUÇÃO NO IRÃO

1979 foi um ano charneira da geopolítica mundial, com duas mudanças violentas que alteraram o quadro político internacional, com consequências que ainda hoje perduram.

A primeira foi a revolução islâmica do Irão, que derrubou o regime do xá Reza Pahlavi, aliado dos Estados Unidos, e instalou no poder a teocracia islâmica do aiatola Ruhollah Khomeini. A segunda foi a invasão do Afeganistão pela então União Soviética, que aí colocou no poder um regime fantoche e onde se manteve dez anos, antes de se retirar sem ter conseguido acabar com a guerra civil.

Ainda no âmbito internacional, a conservadora Margaret Thatcher venceu as eleições na Grã-Bretanha e tornou-se a primeira mulher a chefiar um Governo na Europa. Outro grande acontecimento foi a visita histórica do Papa João Paulo II ao seu país natal, a Polónia, onde na altura ainda vigorava um regime comunista. No fim do ano, mais um grande acontecimento para os católicos: madre Teresa de Calcutá recebia o Prémio Nobel da Paz.

Em Portugal, mal o ano tinha começado e já surgiam os primeiros nomes para a corrida presidencial de 1980, enquanto uma nova central sindical, fundada dois meses antes, a União Geral dos Trabalhadores (UGT, afeta ao PS e ao PSD) dava os primeiros passos.

No ano em que os correios lançaram o código postal e em que os televisores passaram a ter telecomando houve também uma grande novidade na política nacional: pela primeira vez, uma mulher chefiava o Governo.

Com a queda do Governo de iniciativa presidencial de Mota Pinto, em agosto, o Presidente Eanes convidou a engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo a formar um governo provisório — que ficou conhecido como “governo dos cem dias” — encarregado de gerir os assuntos correntes até haver eleições antecipadas. Realizadas em dezembro, seriam ganhas pela Aliança Democrática, uma coligação entre o PSD, o CDS e o PPM — e Sá Carneiro convidado dois dias antes do fim do ano a formar governo.

Dois atentados a tiro marcaram 1979, um contra o embaixador de Israel, que saiu ileso, o outro contra o industrial nortenho Ferreira Torres, um dos nomes associados à rede bombista de extrema-direita, abatido ao volante do seu carro.

Na Madeira, o ano foi de tragédia, com as cheias e aluimentos provocados pelo mau tempo a fazerem 14 mortos.

Portugal estabeleceu relações diplomáticas com a China (os Estados Unidos também o fizeram no mesmo ano) e acabou o passaporte entre Portugal e Espanha.

No fim do ano era abolido o teto salarial e concluída no Ministério do Trabalho “a difícil e morosa negociação” do contrato coletivo para o sector da construção civil, com um aumento de 19,5% para os cerca de 300 mil trabalhadores do sector.

1979

1978

TRÊS GOVERNOS

1978 foi um ano de crises sucessivas de (des)governo: três até ao fim do ano. Começou com as negociações para a formação do II Governo Constitucional, o primeiro e único entre o Partido Socialista e o Centro Democrático e Social (CDS), que tomou posse no fim de janeiro e durou até agosto.

No verão, o CDS retirou a confiança no Executivo, chefiado por Mário Soares, e surgiu o primeiro “Governo de iniciativa presidencial”. Depois de semanas de intrincadas negociações, tomou posse o III Governo Constitucional, que o Presidente Eanes tinha incumbido Nobre da Costa de formar.

O novo Executivo não chegou aos três meses de vida. Em novembro, novo Governo (o IV Constitucional) “de iniciativa presidencial”, chefiado por Mota Pinto.

No meio das crises de governo, mais vindas e idas de responsáveis do FMI, para preparar o terceiro “pacote” de ajuda financeira, que se saldaria por aumentos de transportes, eletricidade, gás, água, correios e outros serviços e produtos.

Lá fora, duas mortes comoveram e impressionaram o mundo. Uma delas foi a do Papa João Paulo I, que dirigiu a Igreja Católica durante apenas 33 dias, depois de ter sucedido a Paulo VI, falecido em agosto. A outra foi a do ex-primeiro-ministro italiano e presidente do Partido Democrata-Cristão Aldo Moro, assassinado a tiro pelo grupo de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas depois de ter sido mantido em cativeiro durante quase dois meses e de o Governo não ter cedido às suas exigências.

O rei Juan Carlos efetuou a primeira visita a Portugal de um chefe de Estado espanhol desde o estabelecimento da democracia nos dois países ibéricos, passou a ser proibido fumar em todas as repartições públicas e a escolaridade obrigatória passou de quatro para seis anos.

Nasceu o primeiro bebé fruto de fertilização artificial, Louise Brown, ao fim de 30 anos a Volkswagen deixou de fabricar o “carocha” e a escolaridade obrigatória passou de quatro para seis anos.

No Expresso, 1978 foi o ano em que, depois do êxito da secção ExpressoEmprego, foi criada a de Imobiliário.

O que nunca se concretizou foi o que o jornal publicara na primeira página de 4 de março. Sob uma foto da Praça de Espanha dizia-se que esse ponto nevrálgico de Lisboa podia mudar de face “muito em breve”. Um projeto de urbanização encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa previa para o local as sedes do Banco de Portugal e do Metropolitano, a Ordem dos Engenheiros e o Museu de Arte Moderna.

1978