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News Standard

O fracasso da CEE em Atenas

Se Portugal e Espanha têm razões de sobra para estarem cada vez mais impacientes com as demoras na sua entrada para a CEE, a Grã-Bretanha, por outros motivos, também não esconde a sua insatisfação com os atrasos que tem observado na resolução do problema dos desequilíbrios orçamentais no seio da CEE.

Comércio do Porto | 1983-12-11

Ainda e sempre a CEE com África pelo meio

O ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama, encontra-se hoje de visita a Londres para contractos com o seu homólogo britânico Sir Jeoffrew Howe, com o ministro da Defesa Michel Hefeltime e para uma breve encontro hoje ao fim da tarde, com a chefe do Governo Margaret Thatcher.

Comércio do Porto | 1983-09-22

Ainda e sempre a CEE com África pelo meio

1983

ATENTADOS INTERNACIONAIS CHEGAM A PORTUGAL

O ano começou com a crise do Governo Balsemão e as hesitações do Presidente Eanes em decidir se aceitava um novo primeiro-ministro ou decretava eleições antecipadas. Optou por esta última solução, no início de fevereiro, e marcou-as para 25 de abril. Em junho tomava posse o primeiro governo de coligação PS/PSD.

No mês seguinte aumentou o preço do gasóleo, para o equivalente a 20 cêntimos o litro, e prosseguiam as negociações sobre a adesão de Portugal à CEE.

1983 foi o ano da estreia em Portugal de atentados internacionais.

Primeiro foi uma figura destacada da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Issam Sartawi, abatido a tiro por um atirador de um grupo radical palestiniano no hall do hotel do Algarve aonde tinha vindo participar na reunião da Internacional Socialista.

Depois foi o ataque de um comando de cinco arménios à embaixada da Turquia em Portugal. O Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP pôs termo à ocupação da missão diplomática, naquela que seria a sua primeira operação em contexto real, que se saldou por sete mortos: os cinco arménios, a mulher de um diplomata turco e um polícia português.

Na outra ponta da Europa, um caça soviético abatia um avião de passageiros sul-coreano que teria entrado inadvertidamente no espaço aéreo da URSS: 269 mortos.

Um “monumento marítimo” que já tinha entrado no anedotário nacional e no léxico, como sinónimo de desleixo e imobilidade, mexeu-se finalmente. Especialistas alemães tinham conseguido endireitar finalmente o cargueiro “Tollan”, que se tinha virado três anos antes e ficado encalhado de casco para cima em frente ao Terreiro do Paço. E lá se ia o neologismo sinónimo de imóvel — “é um ‘Tollan’, não se mexe”.

Para este ano, mais duas notas. Foi anunciado que o Serviço Militar Obrigatório passava a abranger as mulheres, mas… “em momento oportuno”, por questões financeiras. E foi proibido um espetáculo de Julio Iglesias, para “evitar a saída de divisas do país”, que passava por uma grave situação financeira, como o atesta a criação de um “imposto de salvação nacional”.

No Expresso, em outubro, mudava o diretor. Saía Augusto de Carvalho, entrava José António Saraiva.

1983

Cimeira dos “dez”

Com as principais preocupações dirigidas para as questões de ordem económica, reúne hoje e amanhã, em Bruxelas, o Conselho Europeu, com a presença dos dirigentes dos dez países membros da CEE.

Comércio do Porto | 1983-03-21

Cimeira dos “dez”

CEE: Refazer o “puzzle”

A Grã-Bretanha, a República da Irlanda e a Dinamarca assinalaram na passada quinta-feira o décimo aniversário da sua permanência da Comunidade Europeia. É curioso notar que, entre várias correntes de opinião britânicas, a passagem destes dez anos não contribuiu para atenuar – talvez mesmo tivesse aumentado – as dúvidas e apreensões relativas aos benefícios que a CEE terá trazido, ou poderá ainda proporcionar, à economia nacional.

Comércio do Porto | 1982-11-28

CEE: Refazer o “puzzle”

Eanes na Bélgica – Europa à vista África na bagagem

O presidente Ramalho Eanes deslocou-se a Bruxelas para salientar as boas relações existentes entre Portugal e a Bélgica, mas, acima de tudo, para reafirmar a CEE o empenhamento português na próxima adesão. Por outro lado, levou aos europeus impressões de África, que lhes são cada vez mais importantes.

Ponto | 1982-04-29

Eanes na Bélgica – Europa à vista África na bagagem

1982

VISITA DO PAPA

Uma das figuras mais populares de 1982 era Tony Silva, um expoente da “música ró” encarnado por Herman José. Tão popular que levaria o Expresso a convidar logo no início do ano o humorista para os famosos “almoços no Pabe”, o restaurante situado ao lado do jornal onde todas as semanas levava um político, um economista ou outra personalidade de primeiro plano para uma entrevista durante o almoço.

Pela mesma altura, o Expresso publicou na primeira página uma notícia que hoje causaria estranheza. Fronteiras e alfândegas abertas 24 horas por dia? Foi o que aconteceu, para facilitar “a importação de produtos pecuários fundamentais” face à greve dos estivadores.

Dos acontecimentos internacionais mais marcantes destacou- se a Guerra das Malvinas/Falkland, a ilha do Atlântico Sul disputada pela Argentina e pelo Reino Unido. Iniciada em 2 de abril, terminou a 14 de junho, com o arquipélago a ser recuperado pelos britânicos, o que ajudaria a conservadora Margaret Thatcher a ganhar as eleições do ano seguinte e a Junta Militar argentina a cair. Para trás ficavam 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis mortos.

Foi, também, o ano da retirada da OLP de Beirute Ocidental, numa grande e complexa operação sob supervisão norte-americana. O Líbano era há muitos anos um Estado com vários Estados dentro, com atentados e confrontos diários entre dezenas de fações das mais variadas obediências políticas e religiosas. A OLP era um deles, depois de aí se ter instalado depois da expulsão da Jordânia.

O Papa João Paulo II fez a primeira visita a Portugal, cumprindo a promessa de vir a Fátima agradecer a Virgem Maria por ter escapado ao atentado de que fora alvo no ano anterior em Roma. Durante a procissão noturna das velas, o Sumo Pontífice seria aliás alvo de uma tentativa de agressão, com uma faca, pelo padre integrista espanhol Juan Maria Krohn.

A nível político, a primeira revisão da Constituição acabou com o Conselho da Revolução e criou o Conselho de Estado, e a Alternativa Democrática (AD), coligação de Governo entre o PSD e o CDS, entrou em convulsão. Na televisão, uma estreia: a primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia”.

Como seria a vida no ano 2000? Este foi um dos exercícios feitos pelo Expresso nesse longínquo ano que, a nível interno, ficaria marcado por uma eleição insólita para “Figura Nacional do Ano”. Não tendo os jornalistas considerado haver nesse ano uma figura nacional que se tivesse distinguido suficientemente, acabaram por eleger Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, cujo nome alguém tinha proposto na reunião da Redação ao olhar pela janela para a Praça Marquês de Pombal, visível das instalações que o Expresso ocupava então.

1982

CEE: outras alternativas estão abertas a Portugal – aviso de Gonçalves Pereira em Londres

O ministro dos Negócios Estrangeiros, André Gonçalves Pereira, reforçou anteontem, à noite, em Londres, a defesa da indústria têxtil portuguesa no processo de adesão de Portugal ao Mercado Comum.

Comércio do Porto | 1981-12-10

1981-ponto-final-1

Recessão é de temer se Copenhaga falhar

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, manifestou-se ontem optimista quanto à possibilidade de a próxima Cimeira Europeia de Copenhaga encontrar soluções para a crise financeira da CEE, mas advertiu que “se Copenhaga falhar, os agentes económicos ficarão falhos de confiança e será de temer uma recessão económica”.

Diário de Notícias | 1981-11-17

Recessão é de temer se Copenhaga falhar

Balsemão fez sentir a Thatcher como a adesão à CEE o preocupa

Quando esta edição estiver na rua, já Balsemão chegou a Lisboa vindo de Londres. Na capital Britânica esteve um primeiro-ministro impaciente com algumas arestas mal limadas do nosso “dossier” de adesão à CEE.

Ponto | 1981-10-29

1981

ATENTADOS AO PAPA E AO PRESIDENTE DOS EUA

Com a morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro no mês anterior, tomou posse logo no início de janeiro o VII Governo constitucional, chefiado por Francisco Pinto Balsemão. No Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa assumia funções de diretor efetivo.

No primeiro semestre assistiu-se a vários acontecimentos internacionais dramáticos. Logo em janeiro foram libertados 52 norte-americanos que tinham sido mantidos como reféns durante 444 dias na embaixada dos Estados Unidos no Irão, ocupada por um grupo de estudantes e de militantes islâmicos na sequência da tomada do poder pelo aiatola Khomeini, em 1979.

No mês seguinte, aqui ao lado, o tenente-coronel da Guarda Civil António Tejero Molina entrou no Parlamento espanhol de pistola em punho, à frente de 200 homens, sequestrando os deputados durante um dia e uma noite. A tentativa de golpe de Estado, que ficou conhecida como o 23-F (23 de fevereiro), falhou.

Pouco mais de um mês depois registar-se-ia um atentado contra o Presidente dos Estados Unidos. Ao sair de um hotel de Washington onde tinha discursado numa conferência, Ronald Reagan foi atingido a tiro por um atirador isolado, com problemas de ordem psíquica.

E, cerca de um mês depois, novo atentado inquietava grande parte do mundo: o Papa João Paulo II era atingido a tiro na Praça de São Pedro, sobrevivendo após delicada operação.

Por cá, viviam-se já problemas que continuam atuais — e hoje mais graves. Um deles era a seca, anunciando o Expresso que Balsemão ia fazer até uma comunicação ao país depois da reunião do Governo em que seriam decretadas medidas. O Fundo Monetário Internacional voltou, para preparar novo “pacote de ajudas”, e o correspondente apertar do cinto, com o Governo a garantir que ia conter a inflação anual nos 18,5%.

Datam deste ano as primeiras “borlas” na Ponte 25 de Abril. Nos domingos de julho e agosto quem quisesse entrar em Lisboa não pagava portagem. Em Nova Iorque foi descoberta uma “doença estranha”, que atingia sobretudo a comunidade homossexual – era a sida – e grande parte do mundo assistiu em direto a um conto de fadas, o casamento do Príncipe Carlos com Diana Spencer.

No Expresso, o ano foi de muitas novidades. No fim de janeiro, “atento ao Norte do país e, em muito especial, ao Porto”, arrancava “com uma delegação permanente, envolvendo um correspondente exclusivo”.

Em fevereiro anunciava uma remodelação, no âmbito da qual o escritor Vergílio Ferreira inaugurava uma nova secção, “Crónicas”. Duas semanas depois, passava a publicar na primeira página uma crónica de António Barreto.

Em meados de março, numa iniciativa inédita, eram inaugurados no restaurante Pabe (quase ao lado do jornal) os famosos “almoços no Pabe”: todas as terças-feiras o Expresso convidava para almoçar uma figura em destaque no meio político, económico e social, que era entrevistada durante o repasto. Os outros comensais do dia recebiam uma ementa autografada pelo convidado. O primeiro entrevistado foi o ex-primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos.

Datam também de 1981 as duas “incursões” do Expresso na rádio. A primeira foi uma colaboração Antena 1/Expresso para um programa semanal de uma hora às sextas-feiras à noite, em junho, julho e agosto. A outra, lançada no mês seguinte, era um programa bissemanal na Rádio Comercial chamado “Expresso da Meia-Noite” (quartas e sábados).

Ontem como hoje, não paravam entretanto de aumentar os preços dos bens alimentares de primeira necessidade. Em janeiro, o aumento médio seria de 17%, dizia o Expresso na última edição do ano.

1981

Morte de John Lennon

8 de Dezembro de 1980. Depois de um dia inteiro em gravações para o seu novo álbum, em Nova Iorque, o mediático cantor e ex-membro dos Beatles, John Lennon, regressava a casa acompanhado da sua mulher, a japonesa Yoko Ono, quando foi atingido a tiro pelas costas.

A 8 de dezembro de 1980, a ABC interrompe o relato de um jogo de futebol americano para revelar que John Lennon está morto. O mais medático ex-membro dos Beatles é assassinado à porta de casa em Nova York.

O cantor acabaria por morrer no Roosevelt Hospital, após perder grandes quantidades de sangue. O autor do assassinato, Mark Chapman, de apenas 25 anos, seria um religioso fanático que considerava blasfemas algumas das afirmações e letras musicais de John Lennon.

Uma das afirmações datava de 1966, quando, numa entrevista, Lennon afirmou: “o Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. Nós, Beatles, somos mais populares do que Jesus neste momento”.

A sua morte e a cobertura mediática da mesma comprovaram e exponenciaram esta popularidade, elevando-o ao estatuto de herói.

“A morte de um herói” e “Quando a música morreu” são títulos que espelham bem o tom das notícias em torno da morte de John Lennon, fazendo dele um símbolo e uma lenda.

Não tinha morrido “apenas” um homem.