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News Standard

Lúcia

A mais velha dos três videntes de Fátima fez voto de silêncio – raras vezes quebrado nas seis décadas seguintes – mas, ainda assim mereceu as atenções mediáticas: largos milhões de pessoas em todo o mundo conhecem o seu nome e o acontecimento a que ficará para sempre associado

IRMÃ LÚCIA: NA SOMBRA E NO SILÊNCIO

Lúcia de Jesus Rosa dos Santos (1907-2005), a mais velha dos três videntes de Fátima, viveu grande parte da sua vida longe dos olhares do mundo. Primeiro no internato do Colégio do Vilar, das irmãs doroteias, no Porto (1921-25). Depois, já como religiosa, na Galiza (1925-48). Enfim, a partir de 1948, como freira de clausura no Convento das Carmelitas Descalças, em Coimbra.

Mas nem pelo facto de ter feito voto de silêncio – raras vezes quebrado nas seis décadas seguintes – deixou de merecer as atenções mediáticas: largos milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo muita gente que nunca veio a Portugal, conhecem o seu nome e o acontecimento extraordinário a que ficará para sempre associado.

Visita de Mel Gibson

Uma prova desta popularidade – mesmo contra a vontade da ex-pastorinha de Fátima, que sempre evitou a luz dos holofotes – ocorreu já quase no fim da sua vida, ao receber a visita no Carmelo de Coimbra de um dos nomes mais célebres de Hollywood: o actor e realizador Mel Gibson, que se deslocou por duas vezes ao convento em 2004. Na primeira deslocação, durante a Quaresma, exibiu para as freiras o seu filme A Paixão de Cristonuma sala improvisada para o efeito e recorrendo a um ecrã portátil de grandes dimensões ligado a uma coluna de som. Tudo para ali transportado por elementos da produção da película, então recém-estreada.

No final dessa sessão, segundo revelaria mais tarde a Catholic News Agency, norte-americana, Gibson permaneceu durante cerca de uma hora em diálogo com as religiosas, respondendo às perguntas que lhe fizeram, incluindo a Irmã Lúcia. O cineasta católico voltaria em Julho ao convento para um encontro privado com a vidente, a seu pedido.

Apresentada ao mundo

Foi Paulo VI quem, de algum modo, apresentou Lúcia ao mundo durante a visita-relâmpago que fez à Cova da Iria, a 13 de Maio de 1967, para se associar pessoalmente ao cinquentenário das aparições de Fátima. A vidente surgiu ao lado do Sumo Pontífice no altar: essa foi a primeira ocasião em que a esmagadora maioria das pessoas pôde enfim observá-la, envolta no seu hábito de freira carmelita.

Nunca uma multidão tão grande se reunira em Fátima como naquele dia que começou chuvoso. A imprensa falaria em mais de um milhão de pessoas reunidas no vasto recinto do santuário e nas áreas adjacentes. Quando Lúcia foi apresentada aos peregrinos pelo líder da Igreja Católica, soaram fortíssimos aplausos.

“Paulo VI, sentado no trono, recebeu carinhosamente Lúcia, que ajoelhou e beijou os pés do Santo Padre. Depois, durante cerca de um quarto de hora, falou com o Papa”, escreveria na edição do dia seguinte o Diário de Notícias. Uma conversa que exigiu a intermediação do bispo de Leiria, que serviu de tradutor, uma vez que Lúcia “não falava o italiano”.

Muito antes e muito depois dessa data que inscreveu definitivamente Fátima no mapa do mundo, diversos jornalistas das mais diversas proveniências tentaram entrevistar a pastorinha sobrevivente. Mas Lúcia – proibida de falar sem uma autorização especial do Vaticano – permaneceu quase sempre distante dos olhares públicos, exceto em três novas visitas papais a Portugal – em 1982, 1991 e 2000.

70 mil cartas

Isto nunca impediu a religiosa de manter uma intensa produção epistolar. Correspondeu-se com milhares de pessoas – desde logo com vários Papas, de Pio XII a João Paulo II.

Lúcia – sabe-se hoje – enviou para o Vaticano, por intermédio do bispo de Leiria, a chamada terceira parte do Segredo de Fátima, com a indicação expressa de que não fosse tornado público antes de 1960. No Verão desse ano, o Papa João XXIII fez saber que não o divulgaria – decisão igualmente assumida pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI. O silêncio só foi quebrado no termo do milénio, em 2000.

A vidente também se correspondeu com reis, príncipes, cardeais, bispos, estrelas de cinema. E com a Nobel da Paz Madre Teresa de Calcutá, o fundador da Opus Dei, monsenhor Escrivá de Balaguer, e o seu sucessor, Álvaro del Portillo. E membros de outras congregações religiosas. E gente anónima. Segundo a irmã Ângela Coelho, vice-postuladora da causa de canonização da vidente, terá recebido durante as décadas de clausura mais de 70 mil cartas, a que deu sempre resposta. Quando faleceu, em Fevereiro de 2005, tinha no seu arquivo pessoal mais de 11 mil missivas, que estão a ser devidamente analisadas e organizadas.

Uma entrevista polémica

Muita controvérsia gerou a longa e angustiada entrevista que lhe fez a 26 de Dezembro de 1957 o padre mexicano Agustín Fuentes, na qualidade de postulador das causas da beatificação de Francisco e Jacinta Marto. Largos trechos da entrevista, realizada no convento de Coimbra, foram divulgados numa palestra do sacerdote, após aprovação do bispo de Leiria, na casa-mãe das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração e de Nossa Senhora de Guadalupe. O conteúdo da palestra mereceu larga difusão, primeiro nos meios de informação mexicanos e mais tarde no conjunto da imprensa internacional.

O padre Fuentes atribuiu a Lúcia as seguintes declarações:

“A Santíssima Virgem está muito triste por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus.”

“Deus vai castigar o mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente.”

“O que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos e não uma coisa alegre, se antes o mundo não fizer oração e penitência.”

“O que aflige o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus é a queda da alma dos religiosos e dos sacerdotes. O demónio sabe que os religiosos e os sacerdotes que deixam a sua bela vocação arrastam numerosas almas para o inferno.”

“Os meus primos Francisco e Jacinta sacrificaram-se porque, em todas as aparições da Santíssima Virgem, sempre A viram muito triste. Nunca nos sorriu. Esta tristeza, esta angústia que notámos n’Ela, penetrou nas nossas almas. Esta tristeza é causada pelas ofensas contra Deus e pelos castigos que ameaçam os pecadores. E assim nós, crianças, por não sabermos o que fazer, inventávamos várias maneiras de rezar e de fazer sacrifícios.”

Estas declarações suscitaram polémica e até algum alarmismo sobretudo na parte referente aos perigos que pairavam sobre o mundo a partir de 1960 – e que estariam relacionados com o chamado “terceiro segredo” de Fátima.

A 2 de Julho de 1959, a chancelaria da cúria episcopal de Coimbra difundiu um comunicado pondo em causa a credibilidade do padre Fuentes e as declarações atribuídas à vidente. O sacerdote acabaria por ser destituído do cargo de postulador das beatificações dos pastorinhos. Mas é hoje evidente que, no essencial, as afirmações atribuídas a Lúcia correspondem ao essencial do pensamento da religiosa.

Elogio a Gorbatchov

O facto é que as visitas a Lúcia tornaram-se ainda mais restritas depois deste episódio. O silêncio só voltaria a ser quebrado muito mais tarde – e deixando novamente um rasto de polémica – noutra entrevista, também em forma de diálogo com membros da Igreja. Neste caso, o cardeal indiano Anthony Padiyara, o bispo indiano Francisco Michaelappa e o padre brasileiro Francisco Pacheco, acompanhados do investigador luso-canadiano Carlos Evaristo, que serviu de tradutor neste encontro, ocorrido a 11 de Outubro de 1992.

Sobre as mudanças ocorridas na Rússia:

“As pessoas agora estão livres para escolher e de facto muitas conversões estão a acontecer; aquele homem na Rússia [Gorbatchov], sem saber, foi um instrumento de Deus na conversão.”

Sobre o “terceiro segredo” de Fátima:

“Não é para ser revelado. O Papa pode revelá-lo se quiser, mas eu aconselho-o a não revelar o segredo. Se ele assim o quiser, eu sugiro-lhe grande prudência. Ele precisa de ser prudente.”

Palavras que lhe são atribuídas nesta entrevista, que viria a ser divulgada sob o título Duas Horas com a Irmã Lúcia num opúsculo de Carlos Evaristo, que gerou polémica entre meios católicos integristas. Chocados, nomeadamente, com a linguagem desenvolta atribuída à vidente.

Lúcia apareceu pela última vez em público na Cova da Iria a 13 de Maio de 2000. Escutando, a curta distância, o sermão ali proferido por João Paulo II na cerimónia solene de beatificação dos dois pastorinhos – seus primos – desaparecidos tantos anos antes.

“O louvor de Jesus toma hoje a forma solene de beatificação de Francisco e Jacinta. A Igreja quer, com este rito, colocar sobre o candelabro estas duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas… Que a mensagem das suas vidas permaneça sempre viva para iluminar o caminho da humanidade.”

Os Papas

A primeira alusão expressa do Vaticano a Fátima surgiu em 31 de outubro 1942 pela voz do Papa Pio XII numa mensagem difundida pela rádio

A primeira alusão expressa do Vaticano a Fátima surgiu em 31 de outubro 1942 pela voz do Papa Pio XII numa mensagem difundida pela rádio. Sendo antiga a relação dos Papas com Fátima tem aumentado com o tempo. 

O Papa Francisco anunciou a intenção de visitar Fátima em 2017, ano do centenário das aparições. Prevê-se um novo banho de multidão no vasto recinto do santuário. O parque hoteleiro da Cova da Iria já se encontra esgotado.

Muito antes de ser eleito chefe supremo da Igreja Católica, em 2013, Jorge Mario Bergoglio, acolheu por alguns dias a imagem da Virgem Peregrina de Fátima em Buenos Aires, quando ali era arcebispo. Decorria o ano de 1998. «Bem-vinda a casa, Mãe!», exclamou o futuro Papa Francisco num santuário homónimo ao de Fátima inaugurado em 1957 numa zona pobre da capital argentina.

Vem de longe esta relação estreita entre os Papas e Fátima.

Pio XII

A primeira alusão expressa do Vaticano a Fátima surgiu em 31 de Outubro 1942 pela voz do Papa Pio XII numa mensagem difundida pela rádio.

Falando em português, o Sumo Pontífice enalteceu a «peregrinação nacional» ocorrida nesse 13 de Maio, «jornada heróica de sacrifício que, por frios e chuvas e enormes distâncias percorridas a pé, concentrou em Fátima, a orar, a agradecer, a desagravar, centenas de milhares de peregrinos», destacando os representantes da “briosa Juventude Católica”.

O legado papal, cardeal Benedetto Masella, presidiria a 13 de Maio de 1946 à coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na capelinha das aparições. Foi um dos momentos de maior solenidade alguma vez registados na Cova da Iria.

Por coincidência, a ordenação episcopal de Pio XII ocorrera precisamente a 13 de Maio de 1917. Dia da primeira aparição em Fátima.

João XXIII

Em 13 de maio de 1956, a peregrinação anual a Fátima é presidida pelo patriarca de Veneza, o cardeal Angelo Roncalli. Houve algo de premonitório nesta visita: dois anos depois, em outubro de 1958, o cardeal seria eleito Papa, com o nome de João XXIII.

Recordando essa deslocação que tanto o marcou, o cardeal Roncalli – canonizado em 2013 pelo Papa Francisco – viria a lembrá-la com estas palavras: «Ó Senhora de Fátima, agradeço-te mais uma vez teres-me convidado para este festim de misericórdia e de amor».

Paulo VI

A primeira deslocação papal a Fátima ocorre a 13 de maio de 1967, assinalando o cinquentenário das aparições. Paulo VI acorre à Cova da Iria como peregrino, rodeado por uma impressionante multidão.

É também nessa ocasião que a esmagadora maioria dos portugueses pode ver, ao lado do chefe da Igreja Católica, a Irmã Lúcia de Jesus, única vidente sobrevivente dos três pastorinhos de Fátima. Recolhida em clausura no convento das carmelitas em Coimbra desde 1948, Lúcia obteve autorização especial para este seu fugaz regresso à terra natal. Como sucederia nas visitas de João Paulo II.

«Tão grande é o nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a nossa confiança na sua benevolência para com a Santa Igreja e para com a nossa missão apostólica, tão grande é a nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confiante, a este santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Fátima». Palavras de Paulo VI durante a homilia proferida em língua portuguesa perante uma impressionante multidão, avaliada em um milhão de pessoas. À mesma hora, Lisboa estava praticamente despovoada.

João Paulo I

Albino Luciani, patriarca de Veneza, o primeiro Papa nascido no século XX e também o primeiro a escolher dois nomes próprios, liderou a Igreja Católica durante apenas 33 dias, entre 26 de agosto e 28 de setembro de 1978, quando morreu subitamente.

João Paulo I foi conhecido pelo «Papa do sorriso». Pelo seu ar afável e sorridente. Um ano antes de ser eleito Sumo Pontífice, Albino Luciani fez questão em visitar Fátima pela primeira vez. Foi em peregrinação ao santuário a 10 de julho de 1977 e participou na celebração eucarística. No dia seguinte, celebrou missa no convento das carmelitas em Coimbra, tendo aproveitado a ocasião para conversar com a Irmã Lúcia. Nesse encontro participou também a Marquesa do Cadaval (1900-1996), nascida em Turim.

João Paulo II

O Papa-peregrino por excelência – e aquele que demonstrou maior devoção por Fátima – foi o polaco Karol Wojtyla, que o mundo conheceu por João Paulo II.

A 13 de maio de 1981, quase três anos após ter sido entronizado, João Paulo II foi alvo de uma tentativa de assassínio na Praça de São Pedro: dois tiros quase à queima-roupa de uma pistola Browning disparada pelo turco Ali Agca deixaram-no à beira da morte.

Uma bala destruiu-lhe parte do cólon. A outra passou a milímetros da artéria aorta.

Wojtyla acabou por recuperar após uma intervenção cirúrgica e de emergência e de um internamento prolongado, nunca deixando de associar o seu restabelecimento à intervenção da «mão invisível» de Nossa Senhora de Fátima.

De tal maneira que decidiu visitar a Cova da Iria um ano depois. A 12 de maio de 1982, aterrou em Lisboa e ajoelhou-se de imediato, beijando o solo português. «Com uma agilidade que não se esperaria no homem que foi vítima de tão grave atentado, levanta-se sem ajuda de ninguém», escreveu o Diário de Notícias.

«Estou a realizar um sonho», declarou o Pontífice à chegada.

Seria a primeira das três visitas de João Paulo II. Nessa primeira deslocação, seria alvo de uma tentativa de agressão por parte de um ex-sacerdote integrista espanhol chamado Juan Khron, mas escapou incólume. E dirigiu um agradecimento redobrado à Virgem Maria.

Na ocasião, João Paulo II ofereceu ao santuário de Fátima a bala que esteve a milímetros de o matar. Em 1989, esta bala seria encastoada na coroa de Nossa Senhora de Fátima, onde hoje se encontra.

Wojtyla regressou a Fátima em maio de 1991, no décimo aniversário do atentado em Roma, culminando uma viagem que o levou também a Lisboa, Açores e Madeira. E novamente em Maio de 2000, já com a saúde bastante alquebrada, por ocasião da cerimónia solene de beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco (Lúcia, então ainda viva, só seria beatificada em 2008).

Lúcia e Wojtyla morreriam com menos de dois meses de diferença. A vidente a 13 de fevereiro de 2005 e o Papa a 2 de Abril. João Paulo II foi declarado santo em 2013 pelo Papa Francisco.

Bento XVI

Também Bento XVI – sucessor de João Paulo II – fez uma peregrinação à Cova da Iria. Em maio de 2010.

«Aqui estou como um filho que vem visitar a Mãe», declarou o Papa alemão na sua oração de 12 de maio em Fátima. Entregando ao santuário a Rosa de Ouro, transportada de Roma. «Como homenagem de gratidão do Papa pelas maravilhas que o Omnipotente tem realizado por Vós no coração de tantos que peregrinam a esta vossa casa maternal».

Nove anos antes de ser eleito Papa, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger visitara Fátima, na peregrinação de 13 de outubro de 1996.

O segredo

O Segredo de Fátima é um conjunto de revelações da Virgem Maria a três crianças portuguesas: Lúcia de Jesus dos Santos, Francisco Marto, e Jacinta Marto – os três pastorinhos, no dia 13 de julho de 1917, na Cova da Iria

O Segredo de Fátima é um conjunto de revelações da Virgem Maria a três crianças portuguesas: Lúcia de Jesus dos Santos, Francisco Marto, e Jacinta Marto – os três pastorinhos, no dia 13 de julho de 1917, na Cova da Iria.

De maio a outubro de 1917, as três crianças reivindicam ter testemunhado a aparição de «uma Senhora mais brilhante do que o Sol». 

Na perspectiva de Ratzinger, expressa em documento datado de 26 de Junho de 2000, os chamados “segredos de Fátima” deveriam ser interpretados de acordo com uma «visão profética, comparável às da Sagrada Escritura».

O Primeiro Segredo

O primeiro relacionava-se com uma visão do inferno transmitida às crianças e a perda das almas durante a Primeira Guerra Mundial. Terá sido comunicado por Nossa Senhora aos pastorinhos também na terceira aparição, a 13 de Julho de 1917.

Eis a transcrição de Lúcia, elaborada em 1941:

«Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados neste fogo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor».

O Segundo Segredo

O segundo segredo – comunicado no mesmo dia que o primeiro – dizia que, se os homens não se emendassem, sofreriam um duro castigo, sob a forma de uma guerra ainda mais cruel. Determinava o culto ao Imaculado Coração de Maria e a antecipava a conversão da Rússia.

Segue a transcrição, também de 1941:

«A guerra (I Guerra Mundial) vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora dos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia irá converter-se e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz».

O Terceiro Segredo

Foi imensa a especulação em torno do chamado “terceiro segredo de Fátima”. Durante quatro décadas levantaram-se as mais variadas teorias em torno do seu conteúdo. Teorias reforçadas pelo facto de pelo menos dois Papas – João XXIII e Paulo VI – terem tomado conhecimento do texto, supostamente comunicado por Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos na terceira aparição, em 13 de Julho de 1917. Dizia-se que o “terceiro segredo” preocupara de tal maneira aqueles dois Sumos Pontífices que nenhum deles quis partilhá-lo com as centenas de milhões de fiéis do mundo católico.

Entre os rumores mais persistentes, que começaram a circular sobretudo na década de 70, incluía-se uma possível alusão da mensagem a uma guerra nuclear. A morte violenta de um Papa ou a ascensão de um impostor ao posto cimeiro da Igreja Católica eram outras teses recorrentesde supostos conhecedores do segredo, que permaneceu bem guardado durante 43 anos no arquivo secreto do Santo Ofício, no Vaticano.

Ao contrário dos boatos alimentados ao longo dos anos por muitas imaginações delirantes, não havia referências à guerra nuclear e muito menos a um suposto usurpador sentado no Vaticano.

Mas, de forma alegórica, o “terceiro segredo” aludia a um profundo sofrimento e até à morte de um Papa.

Eis a transcrição do seu conteúdo (mantendo a grafia original):

“Vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus.”

Em todas as línguas

Fátima é uma das principais referências portuguesas nos Media globais num fenómeno crescente desde 1917

Fátima é uma das principais referências portuguesas nos Media globais num fenómeno crescente desde 1917

Em Maio de 1917, num pequeno lugar da zona centro de Portugal, três crianças pobres que guardavam rebanhos juraram ter visto a Virgem Maria.

Ignorados ou ridicularizados pela imprensa nacional e sem o apoio das instituições católicas, indisponíveis para se comprometerem com o que tanto poderia configurar um milagre como uma fraude, os relatos dos pastores não encontravam apoio em mais do que alguma – pouca – imprensa local.

Porém, a alegada repetição das aparições a cada dia 13 levava à Cova da Iria, mês após mês, um número cada vez maior de curiosos – parte movida pela vontade de acreditar, parte pela de desacreditar.

E, mais cedo ou mais tarde, autoridades civis e religiosas iam ter de começar a olhar para o que estava a acontecer.

O momento chegaria em Outubro: uma multidão estimada em pelo menos 50 mil pessoas assiste ao que umas testemunhas designam de “milagre do Sol” e outras de “alucinação coletiva”.

O fenómeno tornara-se impossível de ignorar e ganhava honras de primeira página, mesmo na imprensa anticlerical.

Ao longo dos anos, Fátima haveria de se impor à imprensa mundial e à própria Igreja.

Tornou-se destino do turismo religioso internacional, paragem obrigatória para papas, eixo da mensagem católica do século XX.

Sobreviveu à difícil coexistência com a Primeira República e habitou lado a lado com o Estado Novo, ora ignorada, ora instrumentalizada pela ditadura.

E, quando eclodiu a revolução de Abril de 74, era já demasiado grande para cair ou tremer.

Em todas as línguas do mundo, dos seus próprios meios de comunicação aos mais hostis, há um século que é presença assídua na imprensa global. Atraindo cada vez maior cobertura mediática, o apelo de Fátima parece tão irresistível a crentes como detratores.

NewsMuseum abre dia 25 de abril

Vai abrir em Sintra, no 25 de abril, o NewsMuseum. Declarações de Rodrigo Moita de Deus, diretor do NewsMuseum e Luís Paixão Martins, Presidente da Associação Acta Diurna.

Vai abrir em Sintra, no 25 de abril, o NewsMuseum. Declarações de Rodrigo Moita de Deus, diretor do NewsMuseum e Luís Paixão Martins, Presidente da Associação Acta Diurna.

Fonte:

Antena 1 16/03/2016

Rádio Renascença 18/03/2016

Antena 1 26/03/2016

NewsMuseum irá divulgar o arquivo da Global Media

O NewsMuseum irá divulgar o valioso espólio que o Global Media Group, que inclui JN, DN, TSF, O Jogo, entre outros, detém como arquivo histórico das notícias em Portugal.

O NewsMuseum irá divulgar o valioso espólio que o Global Media Group, que inclui JN, DN, TSF, O Jogo, entre outros, detém como arquivo histórico das notícias em Portugal.

Fonte:

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

08/04/2016

Marcelo visita NewsMuseum

O Presidente da República vai ser  “o primeiro visitante” do NewsMuseum, dedicado às notícias e à comunicação, que abre nos primeiros minutos de 25 de abril no centro histórico de Sintra.

O Presidente da República vai ser  “o primeiro visitante” do NewsMuseum, dedicado às notícias e à comunicação, que abre nos primeiros minutos de 25 de abril no centro histórico de Sintra.

Fonte:

Correio da Manhã 07/04/2016

Jornal da Madeira 06/04/2016

NewsMuseum conta com a Global Media e a Lusa

O NewsMuseum, projeto dedicado ao jornalismo, aos media e à comunicação, acaba de assinar protocolos de cooperação com a agência Lusa e com o Grupo Global Media, que detém marcas como o Diário de Notícias, a TSF e O Jogo.

O NewsMuseum, projeto dedicado ao jornalismo, aos media e à comunicação, acaba de assinar protocolos de cooperação com a agência Lusa e com o Grupo Global Media, que detém marcas como o Diário de Notícias, a TSF e O Jogo.

Fonte: Briefing Online 06/04/2016

NewsMuseum vai abrir em Sintra a 25 de abril – RTP

O novo Museu das Notícias e da Comunicação abre ao público no próximo dia 25 de abril. Esta quarta-feira houve uma visita exclusiva para parceiros e fundadores do novo espaço interativo. Muitos dos conteúdos do novo museu são fornecidos pela RTP.

O novo Museu das Notícias e da Comunicação abre ao público no próximo dia 25 de abril. Esta quarta-feira houve uma visita exclusiva para parceiros e fundadores do novo espaço interativo. Muitos dos conteúdos do novo museu são fornecidos pela RTP.

Fonte: RTP – Bom dia Portugal 17/03/2016

O antigo museu do brinquedo vai ser o novo museu das notícias – Observador

Capas de jornais, jornalistas famosos, ecrãs de televisão, fenómenos de massas. É uma forma nova de contar a história recente do país. O museu abre a 25 de abril.

Capas de jornais, jornalistas famosos, ecrãs de televisão, fenómenos de massas. É uma forma nova de contar a história recente do país. O museu abre a 25 de abril.

Fonte: Observador 22/03/2016

NewsMuseum ou the Media Age Experience para (vi)ver a partir de 25 de abril – Briefing Online

O NewsMuseum, projeto dedicado ao jornalismo, aos media e à comunicação idealizado pelo consultor em comunicação Luís Paixão Martins, já tem data de inauguração: será a 25 de abril.

O NewsMuseum, projeto dedicado ao jornalismo, aos media e à comunicação idealizado pelo consultor em comunicação Luís Paixão Martins, já tem data de inauguração: será a 25 de abril. 

Fonte: Briefing Online 17/03/2016

Já visitámos o futuro museu das notícias – New In Town

Há óculos de realidade virtual que dão vertigens e até um quiz sobre o jornalismo com Manuela Moura Guedes. O NewsMuseum abre a 25 de abril em Sintra.

Há óculos de realidade virtual que dão vertigens e até um quiz sobre o jornalismo com Manuela Moura Guedes. O NewsMuseum abre a 25 de abril em Sintra.

O NewsMuseum é o novo museu dedicado às notícias na cidade. Situado no antigo Museu do Brinquedo, no centro histórico de Sintra, o espaço só vai ser inaugurado a 25 de abril, mas a NiT já lá esteve. Ao longo de três andares (quatro, se contarmos com o rés do chão), recorda-se a história de Portugal e do mundo segundo as notícias dos media. 

Fonte: New In Town 17/03/2016