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News Standard

Desacordos entre os Doze adiam decisões sobre a UME

A tomada de decisões de fundo sobre a instituição da União Monetária Europeia ficou definitivamente transferida para a próxima cimeira da CEE, a realizar em Estrasburgo, em Dezembro, com a presença dos chefes de Estado e de Governo dos doze países membros. O assunto foi tratado no último Conselho de Ministros das Finanças da CEE, em Bruxelas, mas estes acabaram por concluir que, devido à importância das decisões a tomar, seria mais apropriado deixá-las para Estrasburgo.

Diário de Notícias | 1989-11-20

Desacordos entre os Doze adiam decisões sobre a UME

Cimeira da CEE debate hoje em Paris situação no Leste

Os dirigentes dos 12 Estados membros da CEE deverão pronunciar-se esta noite, em Paris, sobre o desenvolvimento de novos laços políticos e económicos com a Europa de Leste, segundo linhas a apresentar, possivelmente, pelo presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, e pelo Chefe do Estado francês, François Mitterand. Embora esta abordagem venha a referir a Europa de Leste no seu todo, será de esperar que a República Democrática Alemã venha a ser analisada de forma especial, atendendo ao seu relacionamento privilegiado com a RFA.

Diário de Notícias | 1989-11-18

Cimeira da CEE debate hoje em Paris situação no Leste

Portugal já prepara presidência da CEE

A partir do próximo ano, vão começar a deslocar-se a Londres diversos altos funcionários portugueses para trabalharem, junto das autoridades britânicas, na preparação da presidência da CEE, que estará a cargo de Portugal no primeiro semestre de 1992. Será a primeira vez que Portugal ocupa essas funções. À Grã-Bretanha caberá a presidência dos seis meses seguintes.

Diário de Notícias | 1989-11-08

Portugal já prepara presidência da CEE

Jacques Delors “ataca” Thatcher

O presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, não podia ter escolhido melhor local para responder a críticas da primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, quanto a certos aspectos da futura união europeia que este pretende instituir, do que o Colégio da Europa, em Bruges. Foi naquele local que, há um ano, a chefe do Governo de Londres, lançara vigorosas críticas aos projectos apresentados por Delors, de criar um sistema de coordenação financeira comunitária e de harmonizar diversas orientações económicas e sociais entre os Estados membros e outras iniciativas tendentes à maior integração que a criação do mercado interno, a partir de janeiro de 1993, pretende dinamizar.

Diário de Notícias | 1989-10-23

Jacques Delors “ataca” Thatcher

CEE e outras instituições apoiam desenvolvimento húngaro e polaco

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE deverão analisar amanhã, em Conselho, no Luxemburgo, o plano de assistência à Polónia e à Hungria elaborado pela Comissão Europeia e amplamente apoiado pelos principais países ocidentais.

Diário de Notícias | 1989-10-02

CEE e outras instituições apoiam desenvolvimento húngaro e polaco

Tribunal de Primeira Instância da CEE inicia hoje actividade no Luxemburgo

Com o desenvolvimento de uma maior integração económica na CEE, prevista com a criação do mercado interno, espera-se que o número de disputas legais perante o Tribunal de Justiça das Comunidades continue a assinalar o aumento vertiginoso que já se lhe conhece. O Tribunal de Primeira Instância, que hoje é inaugurado no Luxemburgo, sob a presidência de um português, Cruz Vilaça, dará um contributo importante para lhe aliviar o trabalho.

Diário de Notícias | 1989-09-25

Tribunal de Primeira Instância da CEE inicia hoje actividade no Luxemburgo

Presidência gaulesa da CEE dinamiza dimensão social

A presença da França na presidência da Comunidade Europeia tem tido a tradição de grande esforço e eficiência para que, no fim do respectivo semestre, haja resultados palpáveis a apresentar. Passado o período de férias de Verão, com os funcionários de regresso a Bruxelas, ostentando alguns bronzeados invejáveis obtidos nas praias do Sul da Europa ou em algum país do Grupo ACP (África, Caraíbas e Pacífico), Paris deixa bem evidente que não há tempo a perder. A Cimeira Europeia, marcada para Estrasburgo a 8 e 9 de Dezembro, deverá significar um avanço concreto no caminho de 1992.

Diário de Notícias | 1989-09-04

Presidência gaulesa da CEE dinamiza dimensão social

Divisas sem fronteiras como alternativa à UME

Na Comunidade Europeia do futuro, qualquer indivíduo ou empresa poderia usar sem distinção a divisa que pretendesse- entre todas as dos Estados membros – independentemente do local na CEE em que se encontrasse, em França, em Portugal, na Grécia ou na Dinamarca, qualquer compra ou outro tipo de transacção poderia ser efectuada em libras, francos, pesetas ou escudos sem discriminação. Esta é uma das ideias que o Governo britânico tem vindo a analisar como alternativa a proposta de criação da união monetária europeia, a qual tenderá na sua terceira fase de implementação para a criação de uma moeda única apoiada por uma instituição central formada pelos bancos nacionais de cada Estado membro. Londres tem-se oposto a esta ideia, considerando-a excessivamente limitadora de uma política de liberalização económica e potencialmente uma fonte de interferência nos assuntos internos de cada Estado Membro.

Diário de Notícias | 1989-08-28

Divisas sem fronteiras como alternativa à UME

Países menos desenvolvidos receiam união monetária

Os receios expressos na última cimeira de Madrid por alguns países menos desenvolvidos da Comunidade Europeia (incluindo Portugal) quanto ao risco da União Monetária Europeia agravar as desigualdades entre os Doze Estados membros foram agora secundados por uma extensa análise publicada pelo jornal britânico “Financial Times”.

Diário de Notícias | 1989-08-14

Países menos desenvolvidos receiam união monetária

Em 1992, a European Broadcasting Union lança uma operação para cobrir o conflito, que se encontrava no seu auge. A RTP adere à ação, e Carlos Fino é o enviado especial. [Esta é uma imagem do inferno. Algures na fronteira do Nagorno-Karabakh, um lança-mísseis de quarenta canos, manejado por soldados azeris, despeja uma salva de fogo e aço sobre a vizinha povoação arménia de Askeran]

Carlos Fino experienciava os horrores da guerra, e obtinha provas de que existiam massacres na região. A 14 de março abre a sua crónica no Telejornal com imagens chocantes dos resquícios de uma ofensiva arménia a Khodjali. [As imagens brutais do massacre de Khodjali, no passado dia 26 de fevereiro, quando um número indeterminado de famílias azeris em fuga foi dizimado por guerrilheiros arménios, chocaram o Azerbaijão e mudaram a perceção Ocidental da guerra]

Balanço da primeira semana do novo Parlamento Europeu: Acordos complicados precederam votações em Estrasburgo

O Parlamento Europeu passou o seu primeiro momento tradicional no início de cada legislatura: a semana de intensas negociações de corredor para a eleição das presidências das comissões permanentes, e de outros cargos importantes. Trata-se quase de um ritual, em que os grupos políticos estabelecem, reafirmam, rompem ou torneiam alianças e acordos de trabalho.

Diário de Notícias | 1989-07-29

Balanço da primeira semana do novo Parlamento Europeu: Acordos complicados precederam votações em Estrasburgo

Massacre de Tiananmen

China, Pequim, 4 de junho de 1989. O Exército avança sem piedade sobre a multidão desarmada que protesta há semanas na Praça de Tiananmen.

China, Pequim, 4 de junho de 1989. O Exército avança sem piedade sobre a multidão desarmada que protesta há semanas na Praça de Tiananmen.

A 26 de abril, um jornal oficial critica o movimento estudantil, anunciando medidas repressivas. Os estudantes chineses pedem “mais democracia e menos corrupção” ao Partido Comunista que, ao modernizar a economia nacional, se recusa a aprovar reformas políticas.

O anúncio desencadeia o protesto de milhares de jovens de 40 universidades do país. Também a classe jornalística (e outras) se solidariza com o movimento, promovendo, pela primeira vez,  uma manifestação pela liberdade de imprensa.

A lei marcial é declarada a 20 de Maio e as tropas mobilizadas. A 4 de Junho, o Exército silencia o protesto à força e a tiro. Jamais se saberá o número exato mas estimam-se várias centenas, se não milhares de mortes.

“As tropas têm estado a disparar indiscriminadamente. Ainda assim, estão milhares de pessoas nas ruas que não irão recuar”, relatava no local a repórter da BBC, dando conta do despesero e medo de represálias, da brutalidade do Exército, dos mortos e feridos. Terminava a peça dizendo que os  manifestantes lhe tinham pedido: “contem ao mundo” (tell the world).

1989

SECOS E MOLHADOS E QUEDA DO MURO

Este foi o ano em que se diz que acabou o século XX, por ter começado a cair, um após outro, como um dominó, todo o chamado Bloco de Leste — a União Soviética e todos os seus aliados. O maior símbolo da divisão da Europa, o Muro de Berlim, era derrubado no fim de outubro, e antes do fim do ano caíam os regimes comunistas da Checoslováquia e da Roménia, cujo líder, Nicolae Ceausescu, seria fuzilado no dia de Natal, juntamente com a mulher.

No âmbito internacional houve ainda outro grande acontecimento: a chacina da praça Tiananmen, em Pequim, onde o movimento pró-democracia, que aí se manifestava diariamente há semanas, foi esmagado pelos tanques o Exército, fazendo muitas dezenas de mortos, não se sabe quantos. No Irão foi sepultado o líder da revolução islâmica, ayatollah Khomeini, e decretada uma “fatwa” (decreto religioso) condenando à morte o escritor Salman Rushdie, por causa do livro “Versículos Satânicos”.

No mesmo mês, outro acontecimento internacional, com grande significado para Portugal, foi o cessar-fogo na guerra civil em Angola. Foi também neste ano que a avioneta que levava João Soares para a África do Sul depois ter ido visitar Jonas Savimbi à Jamba caiu ao levantar, deixando Soares entre a vida e a morte. No avião também seguiam os deputados Nogueira de Brito, do CDS, e Gomes da Silva, do PSD. Nos Açores registou-se um acidente de aviação bem mais trágico: um Boeing 707 com 145 pessoas que iam de Itália para a República Dominicana, embateu no Pico Alto, na ilha de Santa Maria, quando se preparava para uma escala de reabastecimento.

A nível nacional, o destaque do ano foi o episódio que ficaria conhecido como “os secos e molhados”, a repressão no Terreiro do Paço de uma manifestação de polícias que reivindicavam direitos sindicais, dispersados com canhões de água por outros polícias.

No fim do verão surgia um caso que abalaria durante semanas a sociedade lisboeta e não só: a revelação de vídeos sexuais do arquiteto Tomás Taveira, que “obrigaria” o primeiro- ministro, Cavaco Silva, a fazer em novembro (após a publicação de imagens na revista espanhola “Interviu”) uma comunicação ao país para denunciar uma “campanha” para “denegrir o bom nome” das pessoas visadas (corria o boato de que estaria envolvida a mulher de um ministro).

Na política, 1989 foi o ano da aliança histórica entre PS e PCP para a corrida às eleições autárquicas em Lisboa, nas quais o socialista Jorge Sampaio venceu o social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa.

Já neste ano se falava também de um tema que hoje continua atual, o da exclusividade dos médicos do Serviço Nacional de Saúde, com a ministra da Saúde de então, Leonor Beleza, a fazer uma proposta de aumentos que podiam chegar aos 110%. Ainda nesta área, o Sindicato Independente dos Médicos aceitava os genéricos.

No Expresso — que na edição de 26 de agosto publicou na primeira página uma foto que hoje talvez não fosse possível, uma padiola com as cabeças de dois membros da resistência timorense decapitados por militares indonésios — 1989 foi o ano da “refundação”.

Na edição de 1 de abril era anunciada a saída de dois membros da direção e de vários jornalistas, para fundarem um novo diário. Não era mentira. No ano seguinte nascia o “Público”. E, em outubro, o Expresso anunciava novidades, com a autonomização das secções de Internacional e de Desporto, que passaram a ter cadernos próprios, e a “experiência de introdução da cor nos cadernos de grande formato”.

1989