A habituação ao EURO
No caminho até ao início da circulação da moeda única levantavam-se acerca dela algumas preocupações entre empresários e particulares.
SIC | 1997
NewsMuseum | Media Age Experience
O NewsMuseum é um espaço e experiência digital dedicado às notícias, aos media e à comunicação.
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No caminho até ao início da circulação da moeda única levantavam-se acerca dela algumas preocupações entre empresários e particulares.
SIC | 1997
A partir de 14 de junho de 1809, a Gazeta de Lisboa, até então de periodicidade trissemanal, passou a diário.
A periodicidade diária da Gazeta e do Diário Lisbonense, entre outros, indicia que em Portugal, apesar do crónico atraso do país, já existiam condições para o aparecimento de jornais diários, embora mais de um século depois deles terem surgido noutros pontos da Europa.

O jornalismo diário aprofundou o interesse pelo que havia de novo no país e no mundo, onde novas ideias se propagavam, sentindo-se a necessidade de informações.
A expulsão definitiva dos invasores franceses de Portugal, com o auxílio de Inglaterra, não levou à liberdade de imprensa. Pelo contrário. Anacronicamente, as autoridades reforçaram os dispositivos da censura para impedirem a propagação das ideias liberais, contrárias ao Absolutismo Régio. Entre 1810 e 1820, foram poucos os jornais que conseguiram manter a periodicidade.

As opiniões de emigrantes portugueses em França sobre o pacote legislativo que visava dificultar a permanência de estrangeiros naquele país.
SIC | 1997
O curioso caso deste conjunto de enclaves Holandeses e Belgas serve de exemplo “de convivência entre povos e de resolução por meios civilizados do problema das fronteiras.”
SIC | 1995
Discutiam-se os ritmos de adesão à moeda única. Yves-Thibault de Silguy, há altura comissário europeu, não acreditava que Portugal devia fazer parte da primeira tranche de países a adotar o Euro. O ministro das finanças de Portugal, Eduardo Catroga, opunha-se a de Silguy.
SIC | 1995
Vivemos na era das “fake news”. A nossa paisagem comunicacional está impregnada de notícias, declarações e fotografias falsas.
Vivemos na era das “fake news”. A nossa paisagem comunicacional está impregnada de notícias, declarações e fotografias falsas.
Muitas vezes só o olhar clínico dos especialistas consegue detetar o artifício das informações que circulam potenciando a capacidade de propagação de um espaço mediático sem a vigilância dos chamados “gatekeepers” do século passado.
A manipulação não é, no entanto, algo de novo. Desde que a Imprensa se industrializou e os Media tomaram a maior relevância social foram sendo criados mecanismos e estratégias de comunicação com o objetivo de conduzir as massas para determinados comportamentos e objetivos. E, apesar do ressoar quase sempre negativo de termos como propaganda, narrativa, publicidade e promoção, em muitos casos tal foi feito com a melhor das intenções.
A partir de Outubro vamos ter, no NewsMuseum, um novo espaço expositivo digital dedicado à história recente da manipulação. Vamos apresentar um roteiro dos seus génios e diabos.
Referenciamos Sigmund Freud, como o cientista que teorizou sobre as energias motivacionais que estão na origem das formas de manipulação mais sofisticadas do séc. XX, assim como o seu sobrinho, Edward Bernays, o pai das “Public Relations” modernas que defendia a ideia de que “as élites devem organizar o caos” através da comunicação.
Invocamos Paul Joseph Goebbels, o ministro nazi da propaganda que foi pioneiro na aplicação das então novas teorias da mobilização das massas – a manipulação do medo. E António Ferro, a personagem maior do aparelho ideológico do Estado Novo.
Apresentamos David Sawyer e Scott Miller, os estrategas de campanhas eleitorais nos EUA que marcaram a diferença e que exportaram o modelo de propaganda política norte-americano para diversos países, em todo o mundo, a par de Charles e Maurice Saatchi, atores do marketing político moderno, Dick Morris, Alastair Campbell, Karl Rover, Philipe Gould, Mark Penn.
A nossa exposição focará ainda George Gallup, que criou as primeiras metodologias para pesquisa dos hábitos e motivações, David Ogilvy, um dos mais célebres “mad men” dos anos de ouro da publicidade, Julian Assange, autor das maiores fugas de informação das últimas décadas, e Noam Chomsky, o grande denunciante das práticas de manipulação das massas.
São estes os génios, por vezes do bem, muitas vezes do mal, da propaganda do século passado que terão relevo acrescido no NewsMuseum. Mas, no mesmo espaço, também destacaremos o grande manipulador deste início do séc. XXI – o anónimo.
Todos os dias, a toda a hora, somos manipulados por milhões e milhões de anónimos, dos amadores bem intencionados (provavelmente também eles vítimas de uma qualquer manipulação) aos profissionais remunerados.
No território da web e dos media sociais, os micro-influenciadores substituem os “gate keepers”, os “bots” substituem os líderes de opinião e as narrativas fabricadas propagam-se muito mais que os factos, propagam as “fake news”.
A manipulação, é um facto, evolui mais depressa que a inteligência dos humanos.
Luís Costa Ribas, pôs agora em livro as aventuras de quase 40 anos de carreira jornalística. Concedeu amavelmente esta entrevista ao NewsMuseum, onde nos fala da vida de correspondente, da sua carreira e do estado do jornalismo.
Luís Costa Ribas, pôs agora em livro as aventuras de quase 40 anos de carreira jornalística. Concedeu amavelmente esta entrevista ao NewsMuseum, onde nos fala da vida de correspondente, da sua carreira e do estado do jornalismo.
Onde iniciou a carreira?
Em Lisboa, em 1980, no entretanto extinto semanário Tempo e no vespertino A Tarde (da mesma empresa), de onde meses depois me transferi para a Rádio Renascença.
O que podemos esperar ler no seu novo livro “Uma Vida em Directo”?
“38 Anos de Aventuras da Casa Branca a Timor-Leste”, como diz o subtítulo. Nos relatos dessas aventuras de repórter, momentos históricos, tragédias humanas, grandezas de alma e muitas baixezas há, disse José Eduardo Agualusa, “fragmentos da história do nosso tempo”, ou como escreveu Ramalho Eanes, “uma grande lição prática de geopolítica (da americana, sobretudo)”. E onde Rui Veloso viu “um jornalista ‘à antiga’, de reportagem, de investigação, oposta ao jornalismo de sofá”, Rogério Alves encontra “Tintim, herói da célebre banda desenhada, que situava o protagonista num mosaico tão rico em peripécias como variado nas suas latitudes e longitudes.” Creio que este livro é tão eclético quanto a minha experiência como repórter que andou aí pelo Mundo.
Na sua opinião quais são as mais importantes características de um jornalista correspondente num país que não é o seu?
Capacidade de aprendizagem para estudar tudo sobre esse país. Humildade para que o nosso preconceito não nos impeça de apreender a nova realidade. Capacidade analítica e de observação para podermos explicar esse país às nossas audiências, traduzi-lo para a nossa cultura. Resiliência, para fazer face ao desconhecido que nos rodeia no dia-a-dia. Vontade de vencer sem queixumes. Disponibilidade para “estar de serviço” 24 horas por dia.
Enquanto correspondente naquele país, que memórias tem da forma como os EUA foram marcados pelo 11/9?
Foi um choque brutal num país que não estava habituado a ser atacado. Foi a descoberta da vulnerabilidade que levou os Estados Unidos a, progressivamente, tentarem fechar-se ao Mundo. Foi, ainda, a constatação de que a classe política e os serviços de inteligência passam muito tempo a dormir ao volante. E de que é mais fácil encontrar bodes expiatórios do que soluções reais.
Como perspetiva o atual paradigma do jornalismo?
Vivemos tempos de grande ameaça ao jornalismo e, consequentemente, à sociedade democrática de que o jornalismo é um pilar fundamental. De um lado, temos o novo business model que descobriu no mau jornalismo boa fonte de receitas e, logo, não incentiva o bom jornalismo. Por outro, e em parte como consequência do business model e do poder brutal das redes sociais, temos as fake news cuja difusão generalizada é mais fácil do que nunca e cuja aceitação é facilitada pelo mau trabalho em muitas redacções as quais produzem essas fake news ou produtos muito semelhantes. Este assunto que carece de reflexão profunda porque o fenómeno, não combatido, destruirá o jornalismo.
Jurista de formação, exerceu o cargo de Primeiro-Ministro de Portugal e fundou o Grupo Impresa.
Recorde os assuntos em destaque na newsletter de junho de 2018.
Recorde os assuntos em destaque na newsletter de junho de 2018.
NewsMuseum no debate “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”
Rodrigo Moita de Deus, diretor do NewsMuseum, participou, a propósito do Dia Internacional dos Museus, num debate coorganizado pela Direcção-Geral do Património Cultural e jornal Público com o mote “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos.”
Mais de 300 alunos visitaram o NewsMuseum no passado mês de Maio.
O NewsMuseum é um espaço que se orgulha da sua função formadora. Todos os dias abrimos portas àqueles que daqui querem obter conhecimento sobre o sistema mediático e sobre como os acontecimentos das últimas décadas foram por ele retratados.
NewsMuseum e o Novo Atlas da Língua Portuguesa
O sistema mediático está, por definição, em constante mudança. O NewsMuseum, espaço que o homenageia, segue-lhe o exemplo e em parceria com o Jornal de Notícias passará, a partir deste mês, a dar a conhecer aos seus visitantes o “Novo Atlas da Língua Portuguesa.”
Artigo Poynter
O online não só colocou mundos e fundos de informação nas nossas mãos como alterou a posição do cidadão no sistema mediático. Não somos apenas consumidores, mas sim redistribuidores de informação.
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Vi e Gostei
Rômulo Carvalho visitou o NewsMuseum com a sua faculdade. Neste pequeno vídeo deixa-nos a sua opinião acerca da maior Media Age Experience da Europa.
Entrevista
Paulo Martins
Paulo Martins é jornalista, professor universitário e investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas (FCT – ISCSP). O lançamento do seu mais recente livro, O bairro dos jornais, deu mote a esta entrevista.
Luís Paixão Martins
Na língua portuguesa com o JN
É com entusiasmo que comunico aos leitores desta correspondência que o NewsMuseum passa agora a acolher um novo módulo expositivo dedicado à língua portuguesa.
É com entusiasmo que comunico aos leitores desta correspondência que o NewsMuseum passa agora a acolher um novo módulo expositivo dedicado à língua portuguesa.
É com entusiasmo que comunico aos leitores desta correspondência que o NewsMuseum passa agora a acolher um novo módulo expositivo dedicado à língua portuguesa.
A nossa equipa produziu uma versão para interação com o público do Novo Atlas da Língua Portuguesa cuja autoria pertence a Luís Antero Reto, Fernando Luís Machado e José Paulo Esperança, professores do ISCTE – IUL.
A sua investigação desenvolvida durante vários anos apresenta informação atualizada sobre a expressão global da nossa língua, nomeadamente o número de falantes (263 milhões em 2015) e a projeção expectável – 390 milhões em 2050.
Coligem-se dados muito precisos sobre o seu ensino no mundo e disponibilizam-se conhecimentos aprofundados acerca da utilização da língua comum pelos vários países que a acolhem assim como das diásporas e dos múltiplos crioulos que têm por base o português.
O novo módulo sobre a língua portuguesa é apresentado em dois espaços do NewsMuseum. No 2º piso destacam-se várias infografias do Atlas, em formato interativo e com animação, possibilitando aos visitantes uma panorâmica dos conteúdos essenciais da edição. Já no nosso “Centro de Mergulho”, os visitantes mais empenhados podem aceder à versão integral da investigação.
A criação deste novo módulo do NewsMuseum coincide com o lançamento pelo JN de uma edição simplificada, em fascículos, do Atlas, numa meritória iniciativa do jornal dirigido por Afonso Camões, à qual assim nos associamos.
O JN (Jornal de Notícias), fundado em 1888 e que integra, hoje em dia, o GMG – Global Media Group, publica-se no Porto e é um dos diários de maior circulação do nosso país. Continua a ser, nas suas edições em papel e digital, um exemplo relevante para as missões de partilha de informação e conhecimento que os Media desempenham junto das suas comunidades de leitores, neste caso em partilhar as populações do norte e centro.
Paulo Martins é jornalista, professor universitário e investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas (FCT – ISCSP). O lançamento do seu mais recente livro, O bairro dos jornais, deu mote a esta entrevista.
Paulo Martins é jornalista, professor universitário e investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas (FCT – ISCSP). O lançamento do seu mais recente livro, O bairro dos jornais, deu mote a esta entrevista.
Qual lhe parece ter sido o motivo da escolha do Bairro Alto para os vários jornais que aqui se instalaram?
É difícil estabelecer com segurança uma única causa. O mais provável é terem seguido as tipografias, de que dependiam, que progressivamente ocuparam pisos térreos de palácios abandonados por nobres. É que, embora o terramoto de 1755 não tenha afetado muito significativamente o bairro, grande parte da aristocracia saiu para outras zonas da cidade, nos anos seguintes.
Este mapa tão completo do Bairro da Imprensa é fruto de um extenso trabalho de investigação. Porquê o interesse neste tema?
Porque me parece fundamental valorizar um território tão intimamente ligado à Imprensa. Porque a História da Imprensa portuguesa desde meados do século XIX se concentra naquele espaço. Porque eu próprio trabalhei em dois jornais do Bairro Alto (o Diário de Lisboa e A Capital), no final dos anos 1980 e no início da década seguinte.
Tendo sido o Bairro Alto um polo do jornalismo, até que ponto terá havido uma colaboração mútua entre os vários jornais ou jornalistas? E, a ter havido, crê que existe ainda hoje esse espírito de entreajuda na profissão?
À primeira pergunta, respondo inequivocamente: são muitos os episódios de solidariedade entre jornalistas na História da Imprensa no Bairro Alto e, em alguns casos, de cooperação efetiva, apesar da natural concorrência entre jornais. Conto alguns desses episódios no livro. Quanto à segunda pergunta, a minha resposta é exprimir dúvidas. Creio que hoje impera, por razões que não vale a pena desenvolver nesta sede, um certo individualismo, por natureza avessa a entreajuda ou a ações coletivas.
Até que ponto esta visita guiada pode ser ainda hoje orientadora para quem visite o Bairro Alto?
Hoje, o que resta da Imprensa no Bairro Alto é muito pouco: a redação de A Bola e as entidades a ela ligadas: a revista AutoFoco; a ASF, agência de fotografia, e A Bola TV. O jornal digital Observador está de saída. Gostaria que o livro contribuísse para que a Câmara de Lisboa valorizasse o espaço. Promovendo, por exemplo, visitas guiadas pelos edifícios que acolheram jornais. Ou montando um Museu da Imprensa no bairro. As antigas instalações de O Século, onde hoje funciona o Ministério do Ambiente, poderiam ser uma boa alternativa para o efeito.
Podemos de algum modo concluir que o sistema mediático do Bairro Alto foi um dos mais relevantes do nosso passado recente?
Foi mesmo o mais relevante. Descobri que passaram pelo Bairro Alto quase 600 publicações desde 1950. Só em 1921, funcionaram em simultâneo 65 jornais. Isso diz tudo.
Crê que os novos espaços públicos on-line como o Facebook, podem, de alguma forma, emular o ambiente de proximidade e camaradagem que se vivia no Bairro Alto?
Sou muito crítico das redes sociais, que se promovem a proximidade entre as pessoas e proporcionam a expressão de opinião e a participação cívica também constituem veículo de exposição da privacidade, divulgação de notícias falsas e até de atos de difamação. O que precisamos é de descobrir formas de assegurar que o Jornalismo continue a cumprir a sua missão, independentemente da plataforma, separando-se claramente de outros comunicadores, profissionais ou não.
Existe, hoje, algum centro nevrálgico do jornalismo como era o Bairro Alto?
Não, de todo. Os órgãos de comunicação dispersaram-se. O fenómeno não é português, aconteceu noutros países.