Pedro Andersson
Pedro Andersson licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior antes de enveredar por uma carreira jornalística, primeiro na TSF, e posteriormente na SIC que o convidou aquando da fundação da SIC Notícias. Acaba de editar o livro Contas Poupança – Poupe ainda mais, invista melhor baseado na rúbrica líder de audiências que mantém no Jornal da Noite da SIC.
Pedro Andersson licenciou-se em Comunicação Social pela Universidade da Beira Interior antes de enveredar por uma carreira jornalística, primeiro na TSF, e posteriormente na SIC que o convidou aquando da fundação da SIC Notícias. Acaba de editar o livro Contas Poupança – Poupe ainda mais, invista melhor baseado na rúbrica líder de audiências que mantém no Jornal da Noite da SIC.
Onde iniciou a carreira?
Ainda no Ensino Secundário, entrei pela primeira vez numa rádio local (Rádio Clube da Covilhã) para assistir a um programa de discos pedidos realizado por uma colega de turma. Entrei, sentei-me na redação e meti conversa com os jornalistas que lá estavam. Perguntei se podia experimentar escrever uma notícia como eles. Deixaram. Nunca mais parei. Decidi nesse dia que queria ser jornalista. Licenciei-me em Comunicação Social, fiz estágio curricular na TSF. Fui convidado a ficar. Anos mais tarde fui convidado a fazer parte do projeto inicial da SIC Notícias e estou na SIC até hoje.
Na sua opinião qual é a importância de rúbricas com o Contas-Poupança, que mais do que informar têm uma aplicabilidade direta ao quotidiano do público?
Acho que são uma parte importante do jornalismo de hoje. A atualidade continua a ser primordial, mas acredito que as pessoas querem cada vez mais perceber em que é que uma notícia é util para a vida delas. De que forma é que um imposto tem impacto no seu orçamento mensal? Qual é a relevância de uma negociação sobre o mercado ibérico de eletricidade na sua fatura da luz? Chamo a este conceito “News you can use”, ou seja, notícias que são importantes para o nosso dia a dia. Que nos fazem parar para escutar e até voltar atrás na box para perceber ainda melhor, ou a página que recortamos da revista ou do jornal para ler mais tarde. Acho que essa vertente ainda não tem muita relevância no jornalismo em Portugal. Damos notícias demasiado pela rama e não perguntamos para cada notícia: “Como é que isto afeta a vida das pessoas e como é que elas podem usar esta informação para melhorar a vida delas?”.
Acredita numa função de serviço público do jornalismo?
Claro! Aliás, não consigo conceber o jornalismo de outra forma. O jornalismo em si é um serviço público por definição. Trabalhamos para o público. Prestamos-lhe o serviço de o informar sobre coisas que são importantes para ele. Se não servirmos o público não estamos a cumprir com a nossa função.
Qual é o impacto que a ausência de poupança pode trazer em termos sociológicos e económicos?
A ausência de poupança é uma fonte de insegurança e de instabilidade individual em termos financeiros. Quando abrange uma quantidade grande de pessoas o clima nunca será propício ao investimento e ao consumo. E pior, pode levar ao sobreendividamento. O resultado nunca é bom, como vimos na crise que atravessamos.
Quais são as principais dúvidas que lhe chegam dos telespectadores?
Qual é o melhor produto de poupança? Como baixar o crédito à habitação? Como reduzir as despesas? Como lidar com os impostos (sobretudo o IRS)? Como baixar as despesas com seguros? Como reclamar junto das grandes empresas de telecomunicações? Em resumo, são as dúvidas sobre como “enfrentar” os bancos, seguradoras, grandes empresas e o Estado (Finanças e Segurança Social). Somos o David contra Golias.
Passou para papel uma rúbrica de televisão. O que é que o livro tem a mais do que a imagem?
Tem a vantagem da permanência. O papel fica, a imagem vai. E posso organizar temas dispersos, condensá-los e acrescentar informação que o tempo em televisão não deixa. O primeiro e o segundo livro “Contas-poupança” são uma espécie de Enciclopédia e de Manual de Poupança que pode ficar permanentemente numa estante para fácil consulta. Na televisão isso é impossível.
O que podemos esperar do seu mais recente livro?
Pode esperar mais dicas de poupança (mais 34 para além das do primeiro livro lançado em 2016) em que pode simplesmente ler, perceber e aplicar. Testei-as todas e sei que funcionam. Todas são escritas com o passo-a-passo para poupar. E tem uma vertente nova: o investimento. Percebi que não vale a pena poupar se não fizermos nada para o dinheiro que poupamos crescer. Ficará rapidamente moribundo por causa da inflação. Posso ter 20 mil euros numa poupança agora que daqui a 10 anos eles valerão apenas 12 ou 13 mil, embora estejam lá na mesma os tais 20 mil. Acho que enquanto portugueses ainda não mudamos o chip para fazermos o nosso dinheiro crescer (com risco, em alguns casos) para pôr o dinheiro a trabalhar para nós. Até agora só sabemos trabalhar para ganhar dinheiro para o gastarmos pagando a outros. Devia ser ao contrário.
Como perspetiva o futuro do jornalismo?
O jornalismo no futuro será cada vez mais digital e especializado. As pessoas procurarão a informação que lhes interessa independentemente de vir de fontes jornalísticas ou não. O segredo está na credibilidade da fonte de informação. Isso é um desafio e tanto, no meio de tanto ruído na internet e nas redes sociais. O jornalismo do futuro terá de ser tão bom que as pessoas estejam dispostas a pagar para obter uma informação em que acreditem realmente e que lhes seja útil no dia-a-dia. Basicamente, prevejo que o jornalismo terá de ser “premium” para sobreviver, florescer e manter-se como o tal serviço público que acho que nunca deverá deixar de ser.