Gonçalo Pereira Rosa
O entrevistado deste mês, Gonçalo Pereira Rosa, é jornalista e diretor da edição portuguesa da National Geographic. Destaca-se igualmente como professor, investigador e historiador do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa.
O entrevistado deste mês, Gonçalo Pereira Rosa, é jornalista e diretor da edição portuguesa da National Geographic. Destaca-se igualmente como professor, investigador e historiador do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa.
Qual foi o acontecimento mediático que mais o marcou?
Não foi muito mediático porque os jornalistas – mesmo na morte – não costumam ser tema de notícias, mas o ano de 2017 privou-nos da companhia e sabedoria de vários vultos do jornalismo e das Letras portuguesas, como Baptista-Bastos, Miguel Urbano Rodrigues, Manuela de Azevedo, José Fernandes Fafe, Abílio Marques Pinto, Alípio de Freitas, Mário Contumélias e Mário David Campos. A profissão ficou mais pobre.
Qual é, atualmente, na sua opinião, o maior obstáculo que os jornalistas enfrentam no exercício da profissão?
A desproporção entre jovens formados pelas universidades e a escassa procura do mercado provoca uma desregulação do exercício da profissão. A precariedade dos laços profissionais, a reduzida compensação salarial e a incerteza sobre o futuro condicionam a atividade e contribuem para uma “liofilização” do jornalismo praticado – sem rasgo, sem criatividade, praticado à imagem do mesmo molde.
O que acha da disseminação das fake news por órgãos de comunicação social?
Parece-me uma consequência natural da remoção de processos de controlo de qualidade das redações. Perderam-se revisores e jornalistas experientes e, com eles, o jornalismo perdeu memória. Ao mesmo tempo, a pressão de publicar em tempo real acelera difusões apressadas de informação não validada.
Qual o seu conselho para os jovens estudantes que pretendem seguir Jornalismo?
Especialização. Já não basta a formação básica em ciências da comunicação – o candidato tem de entrar na redação com mais-valias, desde o conhecimento de línguas invulgares ao domínio de história e geografia do globo. Tem de dominar ferramentas de tratamento de imagem e vídeo. Não é necessariamente justo para os novos recrutas, mas é o job requirement moderno.
Em poucas palavras descreva a sua experiência no NewsMuseum?
Visitado em várias ocasiões, é uma das mais belas homenagens ao jornalismo que conheço. Contribui decisivamente para a reabilitação social do papel que o jornalismo pode exercer no século XXI… se a sociedade ainda aceitar a sua validade como intermediário.