MEDIA AGE EXPERIENCE
"INESPERADO, INTELIGENTE E DIVERTIDO"

Luís Costa Ribas

Luís Costa Ribas, pôs agora em livro as aventuras de quase 40 anos de carreira jornalística. Concedeu amavelmente esta entrevista ao NewsMuseum, onde nos fala da vida de correspondente, da sua carreira e do estado do jornalismo.

Luís Costa Ribas, pôs agora em livro as aventuras de quase 40 anos de carreira jornalística. Concedeu amavelmente esta entrevista ao NewsMuseum, onde nos fala da vida de correspondente, da sua carreira e do estado do jornalismo.

Onde iniciou a carreira?

Em Lisboa, em 1980, no entretanto extinto semanário Tempo e no vespertino A Tarde (da mesma empresa), de onde meses depois me transferi para a Rádio Renascença.

O que podemos esperar ler no seu novo livro “Uma Vida em Directo”?

“38 Anos de Aventuras da Casa Branca a Timor-Leste”, como diz o subtítulo. Nos relatos dessas aventuras de repórter, momentos históricos, tragédias humanas, grandezas de alma e muitas baixezas há, disse José Eduardo Agualusa, “fragmentos da história do nosso tempo”, ou como escreveu Ramalho Eanes, “uma grande lição prática de geopolítica (da americana, sobretudo)”. E onde Rui Veloso viu “um jornalista ‘à antiga’, de reportagem, de investigação, oposta ao jornalismo de sofá”, Rogério Alves encontra “Tintim, herói da célebre banda desenhada, que situava o protagonista num mosaico tão rico em peripécias como variado nas suas latitudes e longitudes.” Creio que este livro é tão eclético quanto a minha experiência como repórter que andou aí pelo Mundo.

Na sua opinião quais são as mais importantes características de um jornalista correspondente num país que não é o seu?

Capacidade de aprendizagem para estudar tudo sobre esse país. Humildade para que o nosso preconceito não nos impeça de apreender a nova realidade. Capacidade analítica e de observação para podermos explicar esse país às nossas audiências, traduzi-lo para a nossa cultura. Resiliência, para fazer face ao desconhecido que nos rodeia no dia-a-dia. Vontade de vencer sem queixumes. Disponibilidade para “estar de serviço” 24 horas por dia.

Enquanto correspondente naquele país, que memórias tem da forma como os EUA foram marcados pelo 11/9?

Foi um choque brutal num país que não estava habituado a ser atacado. Foi a descoberta da vulnerabilidade que levou os Estados Unidos a, progressivamente, tentarem fechar-se ao Mundo. Foi, ainda, a constatação de que a classe política e os serviços de inteligência passam muito tempo a dormir ao volante. E de que é mais fácil encontrar bodes expiatórios do que soluções reais.

Como perspetiva o atual paradigma do jornalismo? 

Vivemos tempos de grande ameaça ao jornalismo e, consequentemente, à sociedade democrática de que o jornalismo é um pilar fundamental. De um lado, temos o novo business model que descobriu no mau jornalismo boa fonte de receitas e, logo, não incentiva o bom jornalismo. Por outro, e em parte como consequência do business model e do poder brutal das redes sociais, temos as fake news cuja difusão generalizada é mais fácil do que nunca e cuja aceitação é facilitada pelo mau trabalho em muitas redacções as quais produzem essas fake news ou produtos muito semelhantes. Este assunto que carece de reflexão profunda porque o fenómeno, não combatido, destruirá o jornalismo.