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"INESPERADO, INTELIGENTE E DIVERTIDO"

A RTP contra o Fado

Foi o interesse pelo Turismo que me levou a ver o “nosso” Festival da Eurovisão. Queria avaliar como resultava, na realidade do virtual, aquela que é certamente a maior operação concertada de promoção das ofertas turísticas do nosso país. 

Foi o interesse pelo Turismo que me levou a ver o “nosso” Festival da Eurovisão.

Mas, não sendo a componente musical do EuroFestival uma onda da minha praia, dei comigo a refletir sobre o significado que tudo aquilo, que estava a ser testemunhado por 200 000 000 (em algarismos 200 milhões é ainda mais impressionante) de espetadores de várias partes do Globo, representava para a RTP e que ilações podemos ser levados a retirar.

A concessionária do Serviço Público está sempre a procurar combater aquela imagem que lhe está colada de velha empresa pública despesista. Tem tido uma vida de incoerências, sobressaltos, ziguezagues, embora esta continuidade da presidência de Gonçalo Reis pareça augurar algo de bom. 

Nos anos mais recentes sofreu com a troika como muitos portugueses sofreram – e, em particular, o setor empresarial do Estado. E quando se torna objeto de notícia (o Correio da Manhã tem mesmo uma página e um comentador exclusivamente dedicados à RTP) raramente o é para receber elogios.

Pois bem, esta RTP conseguiu criar, organizar, produzir, realizar aquele que é um dos principais eventos televisivos do Mundo com uma qualidade de que nós, portuguesinhos fatalistas, nos podemos orgulhar. 

Eu sei que a RTP tem credenciais em grandes eventos internacionais. Foi, que me lembre, o Europeu de Futebol, foi o Tratado de Lisboa, foi isto e aquilo. Mas, atenção, estamos perante um tipo de evento muito mais exigente do que os outros – visto associar o “conteúdo” ao “broadcasting”. 

Ou seja, desta vez não estamos perante um evento concebido e montado por terceiros e transmitido pela televisão pública. Estamos perante um evento da nossa TV pública. 

Claro, é uma espécie de “franchising” da Eurovisão, o formato é repetido, a metodologia está testada, há parcerias e fornecedores comuns a edições passadas, tudo isso é verdade, mas não deixa de ser um espetáculo de TV – o maior evento musical do mundo – realizado, do primeiro ao último minuto pela RTP.

Acresce que se trata uma indústria daquelas que constituem os alicerces do mundo moderno. Desta feita o investimento não foi em betão, foi em computadores, programação, sistemas de som, efeitos visuais, robôs, criatividade aplicada, tecnologia. 

Chega a ser saudavelmente irónico que a apresentação de algumas das nossas melhores competências contemporâneas seja feita pela velha e pública RTP. 

E isto – esta luta da RTP contra o fatalismo – ocorre perante uma enorme audiência irrepetível.

Lisboa tem sido cenário, ultimamente, de uma sucessão de grandes e bons eventos internacionais, mas, com o EuroFestival, sai dos eventos de nicho, que são “apenas” relevantes para setores específicos de atividade e para certas área dos Media, e entra, pela porta grande, na “banda larga” da televisão global. 

A Câmara Municipal de Lisboa, a Associação Turismo de Lisboa e o Turismo de Portugal, que apoiaram a RTP no esforço financeiro deste evento, estão com certeza a avaliar positivamente a eficácia que mostraram em potenciar esta oportunidade. 

E, sim, os filmes promocionais de Lisboa e os “spots” das várias ofertas turísticas do nosso País resultam muito bem.