Bairro Alto, a colina dos jornais
O futuro do Turismo em Lisboa não passa por limitar o acesso dos visitantes ou restringir a oferta. Passa por aumentar os conteúdos e alargar o território.
O futuro do Turismo em Lisboa não passa por limitar o acesso dos visitantes ou restringir a oferta. Passa por aumentar os conteúdos e alargar o território.
A competência e a ambição devem ser capazes de superar a mediocridade e o pessimismo e, assim, fazer com que a economia do Turismo – e o emprego, a qualificação e a reabilitação a ela associados – chegue a um número crescente de portugueses.
No Bairro Alto, por exemplo, dorme um conteúdo cultural que, bem aproveitado, poderia acrescentar valor à estada daqueles que nos visitam e ajudar a redescobrir um ambiente que foi da maior relevância na nossa história recente.
Refiro-me à preciosidade de ali terem convivido, ao longo da maior parte do séc. XX, alguns dos principais jornais do país, redações repletas de intelectuais notáveis, gráficas, a “casa da venda” e, naturalmente, os restaurantes e bares que os jornalistas frequentavam.
Um passeio informado pelo Bairro Alto permite-nos encontrar as memórias do Diário de Notícias, de O Século, do Diário Popular e de muitos outros, assim como as atuais realidades de espaços lendários como o Snob e Procópio.
Uma intervenção museológica no Bairro Alto traria à nossa oferta turística um conteúdo inédito, pelo menos a nível europeu, assim como permitiria fazer sobressair de novo um dos sistemas mais relevantes do passado recente – o sistema mediático.
Esta maré favorável a Lisboa constitui, certamente, uma excelente oportunidade para juntar os esforços da Câmara Municipal, da associação Turismo de Lisboa, do Sindicato dos Jornalistas, da Casa de Imprensa e dos grupos de Media para fazer avançar esta iniciativa.